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Diário de uma dona de casa 2.0

... à beira de um colapso


Segunda-feira, 20.01.14

O que eu gostava...

Gostava de ter filhos pequenos 

(ainda, não outra vez).

Gostava da sensação do coração nas mãos, nas orelhas, nas pontas dos dedos de sentir o coração em todo o lado, de poder sentir: a felicidade, a alegria a rodos, como o  sol num dia de verão. Se calhar repito-me se disser que não me assusta a perspetiva de voltar a passar noites nas urgências, de sentir o medo, o pavor de algo estar verdadeiramente mal.

Gostava de voltar

(ainda)

a mudar as fraldas malcheirosas, de cheirar a bolsado

(em vez de quando passo, andar a deixar um rasto de 'Be delicious', de 'Eternety' ou de 'Chanel' nº 5, este último oferecido pelo meu bebé que cresceu primeiro, já depois de bem crescida),

de apanhar restos de papa tantas vezes regurgitada, de os ver a comer com as mãos, às vezes com os pés... já nem digo que queria aquele olhar todo amor uma mão sobre a mama enquanto a outra sugava, 'vou sem sempre teu', 'vou amar-te para sempre'

(e a gente a acreditar, a acreditar...),

porque quem é que não gostava de um sentir assim de novo? Gostava de, outra vez, as longas conversas sobre temas diversos

(em que acreditavam que havia algo que eu lhes pudesse realmente ensinar, que guardava algum saber que eles - ainda - não),

que nos comiam as horas como se estas não existissem. Das prendinhas do dia da mãe quando finalmente começaram a ser eles - e não a educadora ou a professora - a fazê-las. Dos textos que me fizeram. 

Tenho saudades da simplicidade daqueles tempos.

(E quem tiver filhos pequenos dir-me-há qual simplicidade? E falará da trabalheira, da correria, do stress, da falta de tempo para aproveitar, de tudo tudo tudo o que já sei.

E eu respondo com os intervalos, por mais pequenos que sejam. Com os pequenos momentos em que eles são só teus. Com os pequenas estrelinhas que lhes captas no olhar. Com aqueles segundos em que sentes que são felizes. Com olhares para eles quando dormem e percebes o que é a paz).

Enquanto a pequenice dos meus, tive sempre a noção de que 'passa num instante', e o cuidado de guardar alguns 'momentos kodak' na memória, que me socorressem em fases de turbulência ou, tão só e apenas, pura saudade.

Mas agora, às vezes, procuro-os e não os encontro.

E a evidência de que as dores de crescimento,

(ao contrário do que os senhores doutores pedo-tudo dizem),

não são só deles, e de que, invariávelmente o tempo se desloca numa via de sentido único, entra-me pelos olhos dentro e cega-me de dor.

Por isso, gostava de ter filhos pequenos 

(ainda, não outra vez).

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por Fátima Bento às 11:18

Sexta-feira, 08.11.13

O aparelho do meu filho ou Rir para não chorar...

Chegámos à um bocadinho da dentista. O Tomás trouxe, finalmente a cremalheira posta. A da frente, que a(s) de trás é daqui a uma semana.

Ora bem, senhores, que aquilo foi um regabofe. Ele falou-se de todos os episódios engraçados que vieram à memória  - isto a dentista, a assistente e eu, que o Tomás só podia rir. A aplicação do aparelho do Tomás entrou para os anais do consultório da dentista. Até direito a dentada, a médica teve. Só vendo, contado não tem piada.

E a conta, então, é de morrer à gargalhada - já na sexta feira passada foram os moldes, e esta semana os aparelhos, um piadão de morte. Enfim.

Saímos e ao entrar no carro, o Tomás dispara e, é pá dói-m'os dentes todos cum'ó ca... ainda lhe perguntei porque é que lhe doía o referido, mas tive uma gargalhada de resposta.

A viagem dentista-casa, apesar da hora de ponta, é coisa para 15 minutos. Foram os quinze minutos mais longos, mais loucos e em que me ri mais de toda a minha vida. Ainda me dói a barriga.

Coitado.

O desgraçado cheio de dores, deu-lhe para aparvalhar. E foi abrir o vidro, pôr a cabeça de fora e f... dói-me a boca toda, maninho! em altos berros, e ele eram cabeçadas no tablier (mas isto tudo regado a riso, atenção), ih mãe doem-me tanto os dentes todos! e coiso, e bom, o ser humano é um ser estranho com reações estapafúrdias à brava.

Mas a sério.

O pikeno tem os dentes muito tortos e a boca pequena. Aquilo é mais ou menos estarem a puxar-lhe os dentes todos ao mesmo tempo. Faz-me lembrar a inquisição em versão light. Cruzes.

Coitado do gajinho.

Chegado a casa, tunga, um clonix goela abaixo. Agora está mais calmo, mas levou uns bons 20 minutos até lhe diminuirem as dores.

E mãe, como é que eu vou comer? eu nem engolir consigo!, mas já bebeu um iogurte e já me fez ir a correr ao café comprar um gelado para lhe adormecer as gengivas.

Daqui a bocado vai tentar comer o resto da pizza caseira que lhe fiz para o almoço (estou pro!) e depois vai ter com uns amigos a X e depois dormir a Y. Ainda mo vêm trazer que não o conseguem aturar, lol.

Mas isto de pôr aparelho numa boca como a dele é muito lixado.

Muito mesmo!... É que só pode...

(e agora vou à farmacia comprar o que a dra mandou e uma embalagem de clonix. One never knows, embora tentemos com o paracetamol...)

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por Fátima Bento às 18:35



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