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Diário de uma dona de casa 2.0

... à beira de um colapso


Quarta-feira, 08.01.14

Contabilidade literária de 2013 e previsão para 2014?

Em formato digital li vinte e quatro livros. Em papel devo ter lido uns dez ou quinze, sei lá. No total li mais de quarenta e menos de cinquenta. O que é que isso quer dizer?

Nada, zip, népia.

Enriqueci-me com as leituras? Pois que sim, claro que sim. Mas podia ter lido só um e ter ficado igualmente "rica". 

Sinal dos tempos (?), no que diz respeito a tanta coisa, a ordem do dia é quantificar. Este ano notei muito isso em relação a leituras - não sei se andei distraída nos outros anos, mas este ano isso entrou-me pelos olhos dentro. Que diacho... desde quando quantidade e qualidade andam de mãos dadas?

Li, em meio a estas dezenas de livros, alguns pequenos. E se formos querer bater recordes, óy, que há por aí tanto livro que se lê em uma hora ou pouco mais ou menos (ainda há bocado li um terço de um livro em menos de meia hora...)! Alguém interessado em fazer concursos?

Eu não, obrigado.

Sou, por excelência, uma leitora lenta. Gosto de ler devagar, de tentar 'apanhar' o tempo que o autor imprimiu na prosa. Sou de tal modo uma leitora pausada e vagarosa, que até Saramago, que se lê de um sopro, de um ponto final ao outro, onde chegamos a bufar e a pingar transpiração, eu demoro a ler. Porque faço pausas quando chego aos pontos finais. Não tanto porque precise de recuperar o fôlego (que às vezes preciso) mas mais para deixar sedimentar o que acabei de ler - vá-se lá saber se era essa a intenção dele, mas se ler de cronómetro em punho chego ao fim sem o conhecer minimamente, e se é essa a ideia, então não leria Saramago. Tout court.

Já Lobo Antunes só se lê devagar. Se for lido depressa, vão caindo ao chão os lirismos trabalhados na matéria prima bruta sobre a qual escreve, e perde-se a identidade do mestre. Talvez seja por isso que há tanta gente que não gosta de LA. Lido à pressa acredito que pareça bacoco e sem graça. Sei lá, digo que acredito, mas não sei, não faço ideia, só tento imaginar...

Li muito John Katzenbach este verão. Gosto de Katzenbach, uns pontos acima daquilo que se chama literatura de aeroporto, mas ainda assim, comercial (tem um sem numero de títulos adaptados ao cinema - tenho o 'A Guerra de Hart' a meio, que foi adaptado com o Bruce Willis e o Colin Farrell. Não me perguntem nada sobre o filme que não sei, mas a capa que o kobo me mostra é uma  foto-cartaz do filme). Gosto, é daqueles escritores que a gente abre a capa e vai até à contra capa quase de um fôlego, se tempo houvera para tal -  isto dito por quem parou a meio de um livro não deverá inspirar grande confiança, eheheh... mas a verdade é que estava a precisar de mudar de tipo de leitura, e não me apetecia sobremaneira ler (outra vez) em castelhano, lingua em que está a cópia que adquiri - e larguei a meio. Hei-de recomeçá-lo, que assim como é raríssimo largar um livro e não o ler - mas faço-o, que não pago promessas que não faço, e não tenho por hábito fazê-las - quando paro de ler qualquer coisa que gosto, nunca pego onde fiquei, volto ao inicio.

Confesso que ando há uns meses à procura DO livro que me satisfaça agora. Comecei o 'Where did you go Bernadette', o 'The woman who went to bed for a year', o 'Revenge wears Prada'... e larguei tudo logo nas primeiras paginas. Não é para agora, é sempre o pensamento com que fico; depois...

Ando a desfrutar do 'Conhecimento do Inferno' há mais de um mês. Intercalo com umas crónicas, saltito do segundo para o quinto, dou um pulinho ao quarto livro das mesmas, não falho a Visão em semana de ALA. Ali na prateleira ainda não arrumada, vejo o 'Indice médio de felicidade', ao lado do 'As Mulheres Casadas não falam de amor' - que tenho lido nos 'intrevalos' que dou ao António, mas esqueço-me de pôr o livro na carteira, esta lá o reader, e dou comigo na sala de espera a ler mais uma ou duas crónicas, que é a única coisa dele que tenho em digital (é a dobradinha, papel e digital, que esse é um autor 'de papel') - que não há maneira de acabar. Encostado a ambos está o 'desumanização', masporqueéqueeucoompreiaquilo, que pode ser muito bom, mas a minha embirração não me dá vontade de lhe pegar? E parece que se lê depressa, pelo menos não tem muitos carateres...

Mas a pergunta do Sapo rondava os numeros. A primeira parte, pois, está respondida: menos de cinquenta, mais de quarenta.

A resposta à segunda, estará por aí, nada escondida nas entrelinhas do que escrevi acima: não sei nem quero saber. E daqui a um ano não vou estar a fazer o meu balanço literário pelo numero de livros que li em 2014 - mas pelo impacto que esses livros tiveram em mim.

Para já, garanto que vou ler 'Uma longa viagem com António Lobo Antunes', de João Céu e Silva, quero ler 'A intuição', de Osho, e reler 'A inteligência', do mesmo. Isto tudo polvilhado pelas 'Cartas da guerra' que se vão lendo, e as crónicas que se vão lendo e relendo... acabo 'As mulheres casadas...' que já vai sendo altura, e provavelmente salto para o David Machado. Tenho uma curiosidade doida para ler o 'Quando o cuco chama' acho que é assim, da J.K.Rowling sob pseudónimo, que dizem ser muito interessante - o 'Uma Morte Súbita' larguei no terceiro capitulo, não estava com paciência para seguir um retrato da classe media inglesa, naquele momento não me dizia nada, ainda para mais lido nos corredores do hospital, obrigada, mas não obrigada. A esse, talvez volte, talvez não. Deve pertencer aos que catalógo como 'livro bom', já que li essas 'meia dúzia' de paginas há uns largos meses, e podia recomeçar onde parei, pois que me lembro de tudo. Isso é de mestre - e palavra que ainda não tinha reparado, atingiu-me agora... parece que é mais um para 2014...

De resto, vou continuar sem contar. O máximo que poderia fazer seria chegar ao final do ano e contar os que li no reader, mas como me faltaria a fronteira entre o que foi de um e outro ano - coisa que me recuso a criar, e a fazê-lo teria de ser agora - não vou ter como fazer esse balanço.

Quantos livros vou ler em 2014?

- os que me der na telha,

- os que me falarem,

- os que tiver tempo. 

Nem um a mais nem a menos que esses.

 E mái nada!

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por Fátima Bento às 14:21

Sábado, 14.12.13

António

De quinta para sexta, as redes sociais foram inundadas por partilha e retweets desta crónica de Lobo Antunes, publicada na Visão da semana passada, 'O último abraço que me dás'. É unânime, toda a gente se rendeu ao génio, que relembra uma das suas obsessões, a sala onde fez quimioterapia, de onde já saíram outras crónicas e hão-de sair mais umas quantas, porque para António, um sorriso não é só um sorriso e uma lágrima não é apenas uma lágrima. Mais, uma frase que deixam cair hoje, ao lado da chávena vazia do café que o António acabou de tomar poderá renascer e ressurgir daqui a uma semana, dois meses ou três anos, com referencia ao espaço temporal em que ele a apanhou, transformada de uma linha de palavras-quase-de-nada, num ovo de Fabergé de prosa.


É assim o António, pega num seixo e constrói uma represa, daquelas que nos tiram a respiração.

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por Fátima Bento às 00:09


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