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Diário de uma "dona de casa" 2.0

... à beira de um colapso

Diário de uma "dona de casa" 2.0

... à beira de um colapso

09
Jan09

Sou.

Fátima Bento

Arrumei meticulosamente a secretária: no tampo deixei apenas ficar o suporte de canetas, e o de correspondência, o "assento" para o telemóvel, e a "bola de neve" que a minha filha me ofereceu no aniversário, quando estávamos na Disneyland, há quase 3 anos. E o gato de madeira que o meu filho me trouxe das férias no Algarve em Agosto passado. Antes porém, limpei o pó ao tampo e aos aparelhómetros que o rodeiam - telefone, scanner, candeeiro, modem e router. E aos objectos que aqui ficaram.

 

Troquei o banco por uma cadeira, mais confortável e "definitiva". Fui buscar o portátil e os cabos à sala, fiz a ligação, e pus-me de longe, do outro lado da cama, a avaliar o todo. Passou-me pela cabeça a frase do anúncio: "aqui vou ser feliz!". Porque é aqui, nesta cadeira que ocupo agora, rodeada dos objectos de que mais gosto, e que hão-de ser sempre poucos, a teclar como o estou a fazer agora, que faço tábua rasa, e deito fora o que não presta, arrancando para o futuro que me espera com a garra que me é possível e a determinação que é necessária.

 

Por trás do portátil, a gata Mia espreita-me, depois de algumas investidas ao teclado em busca de carícias. Sorrio, que me aconchega o coração sabê-la aqui, tal como a Blimunda no fundo da cama atrás de mim.

 

Escritor que é escritor tem gatos. Eu pelo menos gatos, já tenho.

 

Artista que é artista, não joga com o baralho todo. Eu já perdia conta às cartas que me faltam.

 

Portanto, já não falta tudo.

 

Falta a vertigem de me deixar entrar na teia que me vai envolver, e que me vai fazer respirar e transpirar o mesmo, e que vai percorrer as minhas veias como uma corrente eléctrica. E que me vai fazer sentir viva como já não sinto há muito tempo. Fechar os olhos com uma folha de word em branco, e deixar-me guiar pelas palavras que me correm nas veias. Abrir a porta e as janelas e deixar tudo sair, e a luz do sol entrar.

 

Porque chegou a hora.

 

Fátima

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