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Diário de uma dona de casa 2.0

... à beira de um colapso

Diário de uma dona de casa 2.0

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24
Abr09

Voltemos aos srs professores, perdão a uma senhora professora específica

Fátima Bento

E, "adepois" de falar de cinema, e futilidades que tais, eis-me chamada a falar de coisas mais sérias.

 

Tive reunião de pais do meu filho há dois dias. Sou representante dos encarregados de educação - e não, não faço parte da Associação de Pais que eu para esse peditório já andei a dar durante 8 anos - e entre problemas vários que se têm resolvido, andamos com a proferssora de matemática "a rojo" desde o primeiro período.

 

Agora urge explicar:

 

- esta turma é composta por alunos que não só vieram do 6º ano de diversas turmas, como também de diversas escolas.

 

Ou seja, seria compreensível que alguns viessem mais bem, outros menos bem preparados, porque, e "há professores que os põem ao colo para eles passarem, e comigo isso não vai acontecer"(citação livre, ja que veio da boca da directora de turma parafraseando a prof de matemáica).

 

A turma do meu filho é composta por 24 alunos. Alguns que saíram do 6º ano com 4 e 5 na pauta, e logo no primeiro teste, TUNGA duas positivas.

 

No segundo, TUNGA, três.

 

Segundo periodo, nota final na pauta: quatro positivas (3) e vinte - VINTE!!!!!! - negativas.

 

A directora de turma diz que que compreende que os pais se sintam mal, uma vez que os alunos tinham boas notas e agora não, mas no 7º ano, ás vezes, é assim.

 

Balelas.

 

Mas que temos que compreender o papel do professor, que no caso da dita é ter tomado a decisão de cumprir o programa até ao fim, e uma vez que tem bons alunos e não vai baixar a fasquia, para que os outros possam passar coxos e chumbar no 8º. Porque tem de pensar nos exames do 9º ano, e se eles saem coxos do 7º, chegam ao exame e chumbam.

 

(sou só eu ou este argumento revela alguma demência?)

 

Balelas.

 

Abro a boca:

 

"Não nos podemos esquecer do terceiro vértice deste triângulo: os alunos. No meio deste problema temos os pais, os professores, e os alunos. E não ouvi falar neles. E alunos que saíram do 6ºano com 5, e chegam aqui e tiram uma negativa atrás da outra - como é o caso do meu filho - pode levar a que se desmotivem. Eu não me aborrece mesmo nada que o meu filho chumbe a matemática; eu SÓ não quero que o meu filho ganheum pó tal à matemática que nunca mais se interesse pela disciplina para o resto da escolaridade. E não é possível que 20 alunos, de diversas turmas, de mais de que uma escola, tenham chegado ao 7º com tão grandes lacunas a matemática, "ao colo". Tal como me parece desarrazoado manter a fasquia para 4 alunos e os outros 20 que fiquem para trás, quem apanhar apanhou, quem não apanhou apanhasse. Porque, e que não hajam dúvidas, quem não apanhou a matéria até aqui já chumbou, já não a vai apanhar. E quem percebe, como é o caso de uma aluna que disse em casa que este ano vai deixar a matemática, para o ano logo se vê, que perdeu o combóio, equer lá saber de fazer os trabalhos! Ensinar é também motivar. Não entendo porque é que a professora quer chegar ao fim do ano com quatro alunos passados, o que é que vai ganhar com isso. Temos 20 alunos, 20 alunos deixados para trás. Num rácio de 24/20 negativas, a professora se fosse uma empresa já tinha falido. Já tinha fechado portas. Porque está a trabalhar mal, porque não se tratam 20 alunos a "3 por 4", porque cada caso é um caso e cada aluno um aluno. E foi isso que a professora se recusou a atingir desde o primeiro dia. Então vamos fazer assim: dados os numeros, vamos esperar pelo final do terceiro período: a verificar-se um tal rácio, fazêmos um abaixo assinado e pedimos uma inspecção à DREL, aos métodos que esta professora usou ao longo do ano."

 

Nesta altura a directora de turma só não ficou da cor da parede porque a parede não era branca, e disse que ia falar com a colega.

 

(uma coisa é certa: esta professora, em arogancia, pode ombrear fácilmente com a Ministra da Educação...)

 

Agora cá entre nós, eu sei que o meu filho vai passar a matemática: o meu filho é o típico aluno que sabe tudo nas aulas e chega ao teste e zás, espalha-se. Mas não foi incluído no plano de recuperação de matemática, o que 2+2, não o porá em risco de chumbar.

 

Mas o que me preocupa não é o meu filho; são 20/4. Não é normal, a senhora em questão pisou a bola, e não quis dar a volta enquanto ainda podia.

 

Ainda me passaram pela cabeça mais duas ou três para dizer, mas cansei-me do discurso, e ando um bocado fraca, e não me quis pronunciar mais... mas então a senhora está preocupada com o exame do 9º ano quando, com o governo que temos, não é possível antever se irão ou não haver (mais) alterações. i.e., se sequer daqui a três anos vão haver exames? E agora com a escolaridade obrigatória até ao 12º ano (e com umas bolsas fabulosas!!!!), quem garante que não contratam uns homenzinhos como aqueles que estão no metro de Tóquio com umas pás gigantes, e vai de empurrar tudo para o 10ºano?

 

Senhores, este é o país do choque tecnológico!

 

  • A escola do meu filho está equipada com fibra óptica a 100%. Mas não há computadores nas salas! Algumas até lá têm um data-show pendurado, mas se os docentes não se armarem de portátil, debalde.
  • A escola do meu filho tem aqueles quadros interactivos, todos XPTO, qu'a gente vê nas notícias - ai que somos tão bons, temos tudo tão moderno! - que são incompatíveis com quadros pretos e giz, e vai daí, estes foram retirados das salas já equipadas - as outras vão a caminho. E então, grandes aulas, ãnh? Nope, nenhum quadro está ligado. Então sem quadro preto como é que  prof dá as aulas? Folha A4 e fita cola no quadro-topo-de-gama, e quando é para agpagar ou corrigir, nova folha com fita cola, e siga a banda.
  • Este país é tão, mas tão avançado, que temos o cartão do cidadão, que põe tudo-em-um (ou quase) e depois, por exemplo, não há um - UM - centro de saúde equipado com leitores para os ditos. E se entregamos um a um médico: "fátima, o que é que eu faço com isto?" "O numero. Atrás" "Aonde? Porra qu'isto é pequenino que se farta! Dite aí os numeros..." (verdadinha). E a assinatura digital? Há-de servir, afiançam-nos, quando levantamos o cartão, para uma série de coisas! "Quer activar?" "Activemos, mal por mal não tenho que cá vir outra vez mais tarde". Activado. Na prática não serve para nada, mas somos tão modernos, oh tão modernos!

 

Tinha lido sobre os professores do 1º ciclo que se queixavam de não ter recebido formação para trabalhar com os meninos com "aquilo" vulgo Magalhães, e achei um disparate, pois se eu até tenho um Asus aaapc, canudo, o que é que há para aprender? Até que vi uma sala de aula (o que vale é que ainda serão poucas) cheia de meninos, cada um com o seu Magalhães aberto, e uma professora (ou era para para o "boneco" ou a senhora é sobredotada) a dar uma aula.

 

Ora eu que até sou uma gaja desenrascada, olhei e pensei que nunca seria capaz daquilo, quanto mais sem formação específica!

 

Portanto, meus senhores, dar 20 negativas porque está a preparar os alunos do 7º ano para conseguirem fazer o (hipotético) exame do 9º?

 

Oh meus amores, o meu filho até podia passar com um 5, que o esboço da carta para a Drel já está na calha.

 

Ele há cada uma!

 

 

4 comentários

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    Fátima Bento 26.04.2009

    ???NOVILHA???? LOLOLOLOLOL
  • Imagem de perfil

    Traquinasmother 26.04.2009

    soryyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyy!!!!
    só vi agora "num" foi de proposito...foi o ortografico do computas que não funcionou...ahahahah(alguma vez a culpa era minha???????)
  • Imagem de perfil

    Fátima Bento 26.04.2009

    lolololol... eu sabia!

    (alguma vez a culpa é "da gente"?)



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