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Diário de uma "dona de casa" 2.0

... à beira de um colapso

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27
Mai09

A menina Alexandra

Fátima Bento

 

Vi ontem, no noticiário dahora do almoço, na Sic, a repetição da reportagem que na véspera não me tinha sido possível ver.

 

E a minha reação foi a mesma de largos milhares de portugueses: nausea.

 

Nada disto tem a ver com o que nos é dado ver: isto é politica, pura e dura (e já no caso Maddie não foi assim?), em que a menina Alexandra é só um numero - e neste caso, será o numero 1 - e por isso não lhes interessa nada. Aparte o repatriamento, que era assunto prioritário. E o governo Russo teve o que queria, finalmente: pela primeira vez conseguiram recuperar uma criança descendente de um nativo da grande pátria, Russia, de volta à  mesma. E onde é que eles conseguiram que a lei tal premitisse? Neste país de m***a, com um código penal igualmente fétido (e utrapassado, antigo, omisso em tanta coisa tão importante...)

 

Porque este, meus amigos, é o país que temos. E as aventesmas que elegemos para a Assembleia da Répública, criadora de leis por excelência, estão mais preocupados em discutir o sexo dos anjos à exaustão, de que em propôr alterações ao código penal - ah, dá muito trabalho!

 

E nos continuamos a elegê-los e a colocar nos assentos, mais do mesmo, que também alternativas não há, e remetemo-nos à nossa bonomia de robe e chinelos, aos nossos brandos costumes, em que ninguém perde realmente a cabeça além da vociferação de alguns impropérios, mesmo quando está a ser f****o (caso BPP e BPN)...

 

Desenganem-se se acham que eu estou a fugir ao assunto: o caso Alexandra deu-se porque ninguém se dá ao trabalho de alterar o nosso código penal, e o Sr. Putin (que presidente ou primeiro ministro, "ele é que é o presidente da junta", e quem manda ali é ele) viu a abertura e mandou esgueirarem-se por ela e conseguir uma vitória para a mãe Russia.

 

Porque aqui as pessoas não interessam nada.

 

Mas  pessoas somos nós.

 

Aquela mãe, se o fosse realmente (para lá de ter aberto as pernas e feito força) aquando da aflição da Alexandra no Aeroporto, tinha seguido sem ela. Mil vezes perder um braço de que sujeitar um filho meu a uma aflição e sofrimento tamanhos.

 

Quanto às imagens na Russia, o que se vê ali é o pouco interesse da mãe, subjugado ao grande interesse da pátria. Vê-se uma criatura ébria a defecar diarreia mental. Vê-se a mesma criatura a dar umas palmadas à Alexandra.

 

Mas o grande problema, não é o que se vê... é o que não se vê!

 

Longe de acabar, que os média só largam o osso muito depois dele já não ter carne há muito, acredito que este caso está, de facto, "arrumado". Porque, em termos práticos, o lado humano NUNCA se sobrepõe ao legislativo. E a brecha estava lá. E o juíz foi uma besta.

 

E agora já está.

 

Desenganem-se os que ainda acreditam que no dia 3 de Outubro de 1990 ao ser derrubado o Muro de Berlim, ficámos todos unificados, juntos. E que com a Perestroika (reestruturação) e a Glasnost (transparência) , políticas introduzidas por Mikhail Gorbachev, que culminaram com a queda da União Soviética, a  26 de Dezembro de 1991, tinhamos um mundo novo, e o fim da Guerra Fria.

 

Tretas.

 

A História repete-se, esse é um facto adquirido. E a Guerra Fria está a levantar-se de novo, devagarinho, como um submarino a imergir em silêncio.

 

E a Alexandra passou a ser um pequeno grande símbolo do poderio russo.

 

Criou-se neste momento, uma petição online para a Alexandra - nº de assinaturas até  agora, 459...

 

O blog oficial é este

 

 

 

 

 

E sim, tenho vergonha da justiça portuguesa. E de quem a faz, e de alguns que a aplicam.

 

E por ora, é só o que tenho a dizer.

 

 

2 comentários

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    Fátima Bento 28.05.2009

    Bom, lendo de novo o seu comentário há uma pequenina coisa de que me lembrei.

    Aqui há uns anos, não sei se se lembra, havia (e acho que ainda há) um juíz em Braga que, desse lá por onde desse, negava TODAS as adopções que lhe eram pedidas, desde que a familia biólógica desse um passo à frente. Independentemente de todo o tipo de abusos provados e comprovados, contra esses meninos, por parte dos progenitores, já que ele achava que "é no melhor interesse da criança ficar com a familia com a qual tem laços de sangue".

    E acabou por dar buraco, pois. Que acabou em morte.

    E a revista Notícias Magazine, fez um número dedicado ao caso, com uma entrevista com o juíz e várias reportagens, e acompanhou processos durante dois anos.

    E tudo isto por quê? Porque em casos como este, de adopção, decisão de atribuição de poder paternal, O JUIZ DECIDE. O que até faz sentido, porque há que fazer o ponto de equilibrio entre a razão e a emoção. E analisar com humanidade cada caso, que não são formatados, cada caso é um caso.

    É aqui que caem as leis e entram os homens. Há os que têm medo de abrir precedentes. E há-os com eles no sítio (eu conheço um caso que foi muitissimo bem acompanhado, a menina teve reuni~oes coma familia biológica, cada vesz mais espaçadas por manifesta falta de interesse dos mesmos, e foi dada a adopção ao casal meu amigo.

    Porque é por isso que eles são juízes. para decidir, depois de ouvir as partes e analizar a lei.

    Outros valores 'mais altos se impuseram'. Mas neste tipo de casos, o juíz tem de ser soberano.





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