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Diário de uma "dona de casa" 2.0

... à beira de um colapso

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05
Ago09

Eu e a religião - parte 1

Fátima Bento

Por princípio, não considero correcto denegrir religiões: primeiro, porque elas servem ao propósito de cada um de se apróximar de deus, sob a forma que lhe der, seja uma entidade, um espírito - o Espiríto Santo - ou um ser que, segundo o Genesis, ao ter criado o homem à sua imagem e semelhança, terá uma imagem em tudo semelhante à do homem, um velho de barbas. Chamem-lhe Javé, Yavé, Jeová, considerem-no uma ela, um ele, tudo isso é um direito do indivíduo se encontrar a si próprio, e tentar responder áquelas preguntas existênciais que todos temos. E cada um escolhe o caminho que decide - afinal de contas, é nisto que consiste o proclamado "Livre Arbítrio".

 

Portanto, gostava que isto ficasse claro: nada do que vou aqui relatar, ou sobre o que vou opinar é feito de ânimo leve; sei que as religiões são compostas por pessoas, e que em meio a tantos falsos "fiéis" existem algumas crituras de bom coração, que tentam de facto fazer o melhor pelo próximo, em boa fé.

 

Mas eu não posso ficar indiferente, depois deste discurso politícamente correcto, a todo o podre que se esconde nos bastidores da maior parte das religiões.

 

Em miuda ía à missa com a mãe, ao Sábado, às 19:00h. Metia-me impressão aquela parte em que é suposto beijar as pessoas à nossa volta, enquanto essas pessoas quando se cruzavam na rua, nem um bom-dia trocavam. Mas não era nada que me perturbasse por aí além.

 

Entretanto, a senhora decidiu-se por estudar a Biblía com as Testemunhas de Jeová. Ainda teve umas quantas conversas com o pároco da paróquia que frequentávamos, comparação de textos bíblicos da "Tradução do Novo Mundo das Testemunhas de Jeová", e da "Bíblia Sagrada". Nunca consegui perceber muito bem a ideia, já que denfendem que a Bíblia é só uma, qual é a a ideia de encontrar contradições??

 

Entretanto, aos 12 anos, tive o meu primeiro episódio registado de depressão major. O médico, que já tinha tratado a minha mãe, relutava em medicar-me - os problemas eram fundamentalmente psicológicos, provocados por ela, e ele sabia. Na altura a Psicologia não era bem vista (e hoje ainda não é como deveria) e a coisa funcionou um bocadinho "pé na bola e fé em deus" com as coisinhas mais fracas que ele descobria nos pontuários médicos - quando eu aos 6 anos tomava Valium 2, obrigado mãe - e na esperança em que a senhora não tivesse grandes crises - grande estúpido, as crises da minha mãe eram permanentes, e pioraram com a idade...

 

No entanto, e porque valia tudo menos admitir que haviam ali problemas que ela podia estar a causar, começou a roda viva. Ele foram "santinhos" (que me apalpavam por baixo das saias), "santinhas" que arrotavam que era um despropósito, e defumar em casa com insenso em pó, e rezar o credo em cruz nas minhas costas, tantas vezes que eu ficava sem posição de estar... e depois foi um médico espanhol, cabrão (desculpem, mas ou digo isto ou pior) de um pedófilo, que logo na primeira consulta me apalpou por baixo das saias, e me manipulou genitalmente - se tivesse havido segunda consulta não sei o que o FDP tinha feito... vim de Badajoz ao Seixal a chorar. Óbviamente, não voltámos, embora eu nunca tenha dito o que se passou.

 

Mas a saga ainda ía no início... seguiram-se os Espíritas - que juro, de todos, foram aqueles de quem me senti mais próxima e menos ameaçada, que só duraram até dizerem à minha mãe que o meu mal vinha dela - nunca mais lá metemos os pés. Enquanto isto, fomos conhecendo, e recebendo em casa os mórmons, conhecêmos protestantes, adventistas, Manás - estes últimos são um prato cheio, minha gente!

 

A minha mãe acabou por estacionar-se nas Testemunhas de Jeová, um pouco, presumo eu, do cansaço da procura, e outro muito, pela admiração que lhe conferem - ela tem a capacidade de responder a uma pergunta de sim ou não com um minímo de 50 palavras, e muitos dos "irmaõs" confundem isso com erudição, inteligência ou cultura. Yá.

 

- mas atenção que a senhra é mesmo inteligente. É, é doente.

 

Ou seja, resumindo e baralhando, virei ateia. Com toda a força, nem dava qualquer abertura ao agnosticísmo.

 

Ou seja, posso debruçar-me sobre duas religiões - não sei até que ponto a Maná pode ser considerada religião - que foram as que me marcaram mais. Ok, três.

 

Já a seguir, num post perto de si.

 

Fátima

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