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Diário de uma dona de casa 2.0

... à beira de um colapso

Diário de uma dona de casa 2.0

... à beira de um colapso

27
Fev07

"c'a" neura...

Fátima Bento

Há dias assim.

Sem razões de maior, a gente fica que nem pode.

Se calhar, foi de ter feito nove-horas-de-autocarro-nove no sábado, para ir e vir a/de Oliveira de Azeméis para o XXXII encontro Nacional de Associações de Pais, num autocarro em que os bancos não reclinavam e o ar condicionado... só virtual. Rapámos um frio dos diabos, e na volta, quando passámos a Estação de Serviço de Santarém, apaguei de cansaço, e só acordei quando saímos do tabuleiro da ponte 25 de Abril.

G'anda's malucos! Mas valeu a pena pelo convivio, foi muito, muito agradável.

Ainda tou é de buslag...

Depois, para "arrematar" a coisa, ontem "assentei-me" no sofá, e vai de ver os òscares.

"Prontos", acabei c'o resto.

Por isso, hoje passei o dia c'a neura, a sonhar com um gatinho ou um cãozinho bebé (como se estas duas aventesmas de quatro patas não dessem trabalho - e despesa - que chegue), para apertar contra o peito, e aninhar-mo-nos* os dois.

Por isso, vou mas é dormir, qu'o meu mal é sono...

'Té amanhã, ou assim,

Fátima

*isto é uma calinada ortográfica, não é??

18
Fev07

...desculpem qualquer coisinha...

Fátima Bento

Resolvi dar uma volta pelos blogues a que vou às vezes, e a que já não ia há algum tempo. Entre eles, o da amiga Sofia, onde tropecei num post que me deixou assim como os gatos zangados, pelo hirsuto, pupilas dilatadas e orelhas em ‘V’, para trás… o tema era, ainda, o referendo, e a Sofia, em http://blogseve.blogs.sapo.pt/88986.html, comentava um texto de alguém que defendia o ‘sim’, comentário que me pareceu redutor, e que me custa a encaixar, como escrevi no final do meu comentário, que não consegui segurar, e que escrevi de um fôlego: “custa-me acreditar que em 2007, uma pita mais ou menos da minha idade não consiga ver que todas as moedas têm dois lados” . Estou, por isso, a transcrever o que escrevi, convidando todos a lerem o post cujo link está atrás.

 

“Pois é, minha querida, contra o aborto somos todos.

 

Mas mais veemente de que o relato que citaste no blogue, será o daquela mãe com 3 filhos, sem instrução, que lava escadas para ganhar uns trocos que esconde para o marido não gastar no café - sim, que agora as tavernas vão escasseando - nos copos. O mesmo que chega a casa alcoolizado dia sim dia sim, tantas vezes para lhe chegar ‘a roupa ao pêlo‘, depois de ela ter feito das tripas coração para ter os putos na cama antes de começar 'o baile' do costume que ela cala, por vergonha das vizinhas, e acreditando que os filhos não sabem, nem ouvem. E que decide que não quer mais um a passar pelo mesmo, porque o dinheiro que consegue nem alimenta os três que tem, e que andam com roupas desconfortáveis e apertadas, porque a massa não chega, nunca chega, para lhes dar o mínimo que sabe que merecem...

 

Exagero, cliché, Sofia? Eu acho que quem defende o NÃO assim, sem reservas, devia perder algum tempo a fazer voluntariado no país verdadeiro, esse país que achamos que só existe para os anúncios e para as telenovelas, mas que é tão real, Sofia, que até dói.

 

E sim, Sofia, caem mesmo lágrimas…

 

Sou contra o aborto, mas a favor da despenalização. E votei um imenso sim, porque é preciso. Porque não devemos ter a arrogância de acreditar que a nossa razão é a certa. Porque entre o Preto e o Branco há uma miríade de cambiantes de cinzento. E não existe UMA verdade.

 

Desculpa o desabafo. Mas custa-me acreditar que em 2007, uma pita mais ou menos da minha idade não consiga ver que todas as moedas têm dois lados…”

 

Essa é a minha opinião. Não vou passar ao lado dos casos que resultam num encolher de ombros que um aborto químico sem complicações vão surgir, e que vão adormecer consciências que, na toma de um comprimido nem vão querer pensar que estavam de facto grávidas… mas esses casos, passam pelo que defendo no post anterior, e não me vou repetir.

 

Não embandeirei em arco, não fiz caminhadas para o Sim, não vesti T-shirt, não andei de autocolante, não distribuí panfletos, não participei em debates nem em sessões de esclarecimento (coisa que até os meus putos estranharam, habituados que estão a ver-me engajada de corpo e alma nas causas que defendo), porque acho que o voto reflectia uma convicção profunda, que se deveria querer enraizada. E sobretudo, serena. 

 

O final, conhecemos todos.

 

Continuo a desejar viver num mundo em que todos façam do planeamento familiar uma prioridade, e em que não existam realidades como a que menciono. Em que a decisão de interromper uma gravidez não seja tomada de ânimo leve, e que a consciência não adormeça. Um mundo em que quem não quer descartar a hipótese de dar vida à vida que transporta dentro, o possa fazer, sabendo que é possível um encaminhamento do bebé para uma adopção célere e descomplicada. E que, mau grado o virar de costas da família, existem lares de acolhimento onde poderá encontrar formas de se inserir ou re-inserir no mercado de trabalho, enquanto espera o parto.

 

Mas esse mundo não existe.

 

Pelo menos por enquanto.

 

E enquanto esse mundo não chega, levantemos um nadinha o fardo que tantas transportam, e confiramos às tantas marias deste país um pedacinho da dignidade que pouco conhecem, sem erguer o nariz, nem olhar para o lado.

 

Em nome da dignidade humana, e dos valores humanos que, acredito, defendemos.

 

Fátima

12
Fev07

Referendo: somos Europeus!

Fátima Bento

É caso para dizer finalmente.

 

Para quem ainda não sabe - e eu acho que já aqui expliquei porquê (só que não estou neste momento com acesso ao blogue para verificar o histórico e procurar a respectiva entrada, mas se e quando a encontrar ponho o link aqui - e cá está ele: http://donadecasa.blogs.sapo.pt/36427.html#comentarios) - eu sempre defendi a despenalização do aborto. E, penso eu, avisadamente - e dar-me-ão (ou não) razão quando lerem o referido post.

 

Estamos, então, todos de parabéns por termos conferido às mulheres a liberdade de escolher.

 

- não significando isso, e talvez eu esteja a ser um bocadinho naïf, a promoção da desresponsabilização do acto de interromper uma gravidez, e de inviabilizar (e aqui começa a minha aparente contradição) uma vida em potencial.

 

Não deve sê-lo.

 

A partir de hoje, é nossa responsabilidade acrescida criar condições para que quem decide fazer uma IVG por falta de alternativas viáveis, possa contar com pelo menos mais algumas. Cumpre-nos como cidadãos, os mesmos que demonstrámos hoje ser mais esclarecidos e responsáveis de que muitos ‘velhos do restelo’ advogavam, engajarmo-nos em lutar para que a lei que determina os trâmites de adopção seja alterada para que a mesma seja facilitada, e que os apoios que os militantes do “não” embandeiravam em arco para defender a sua posição sejam uma realidade, e deixem de haver uma ‘Ajuda de Mãe e uma ‘Ajuda de Berço’, para passar a haver muitas mais.

 

Urge criar campanhas nas escolas para informar e responsabilizar as adolescentes - e para quem olha com cepticismo para o efeito destas campanhas, devo dizer que eu também olhava. Até o meu filho de dez anos me perguntar “ó mãe, quando duas pessoas estão casadas, ou isso, e querem engravidar, como é que fazem, se é preciso usar sempre o preservativo?” Explicação dada, consegui aperceber-me até que ponto o preservativo já se tornou indissociável da noção de vida sexual. Aplausos devidos à(s) escola(s), à irmã, a mim, ao pai, à MTV (não, nunca pensei que viria a dizer isto) e a todos os que ajudaram a interiorizar o conceito. E se esse conceito, que em 1988, 1990 me fazia revirar os olhos não na dúvida mas na certeza (a gente nessa idade é toda certezas…) que não havia forma ou maneira de tal ser possível.

 

E “ho and behold “, 17/19 anos depois: eu estava errada!

 

(Vai buscar!)

 

Se isso foi possível, também uma sexualidade responsável é possível. Aliás, aqui a maria-do-copo-meio-cheio acha sempre que tudo é possível.

 

Por isso, sim, estou muito contente pela vitória do sim e da liberdade (responsável, p.f.) de poder decidir o que às vezes é uma saída única. Não tenhamos nunca a leviandade e a arrogância de achar que sabemos tudo, e que temos a resposta, e que esta é só uma.

 

Por isso, façamos de hoje, 11 de Fevereiro, uma data que já é histórica, algo de que nos possamos orgulhar. Para sempre.

 

Fátima

10
Fev07

Inês e o lobo - ou ‘como todos os adolescentes são‘...

Fátima Bento

Neste momento, na minha cozinha, está uma adolescente colada ao ecran da televisão, a visionar pela 1005ª vez (contabilização assegurada pelo pai), o mesmo videoclip. A mesma adolescente que há precisamente uma semana atrás me ia deixando assim um bocadinho para o louco, quando arremessou na minha direcção, aquela fantástica noticia que deixa qualquer um apardalado, sem saber o que pensar, só lhe ocorrendo dizer “já sabes que podes contar com o meu apoio”, mesmo quando sentimos a estrutura que construímos cá dentro, e na qual nos apoiamos, a desmoronar tijolo a tijolo, e às tantas já não há nada que não seja posto em causa…

 

Mas isto está uma grande confusão, por isso vamos começar do começo…

 

A Inês andava esquisita há uns tempos.

Avoada como é, com um parco sentido de responsabilidade, tinha sido posta no torno e um nadinha apertada por causa das notas do 1º período, que estiveram tão aquém do que ela consegue se se esforçar só mais um bocadinho, que até deu dó. Chegámos à conclusão de que o facto se devia a ser uma área nova, e como ela tinha ficado um bocadinho chocada por não ser bem o que esperava de um curso de Línguas e Literatura, com certeza que no 2º período a coisa melhorava. E na sexta feira passada, quando a acordei às 07:15 para ir para a escola “mãe, preciso de falar contigo, ou agora ou logo à noite, preciso mesmo de falar contigo”… pois que sim, claro, mas só à noite, senão era mais um atraso e uma aula de primeiro tempo que ela perdia, (o que ultimamente se vinha a tornar pouco raro… coisa que não disse mas pensei). E no final da tarde, logo a seguir a jantar na casa da avó, fomos as duas para a sala, e ‘vá lá, conta-me, então…’ Entre lágrimas e soluços, pois que sim, tinha entregado um teste de Filosofia em branco nessa mesma manhã, e desatado a chorar na aula, e que queria deixar o curso, a escola, fazer um curso profissional, sei lá, só de pensar em ir para a faculdade ficava com vómitos, mais 7 anos, arrghh, sentia-se perdida, e não sabia o que queria, só sabia que não aguentava mais. Responde a ‘Mãe tranquila e zen‘, pois que sim, que íamos pensar nisso tudo, que podia contar com o meu apoio, qualquer que fosse a decisão que tomasse, mas que teria que decidir o que de facto queria (sendo que nesta altura a ‘mãe tranquila e zen’ já só queria voar pela janela, atirar-se da ponte, enfiar a cabeça num buraco e só tirar no dia da queima de fitas da menina, se a houvesse, ou quejandas, socorro, quero respirar e não consigo, ela atira-me assim com a criança para os braços e depois, o que é que eu faço, como é que explico isto ao pai, enfim, respira lá para dentro de um saco, que não há nada que não tenha solução, e com calma a coisa vai). Mocinha já calma, pai e mãe dirigem-se de volta ao lar, onde planearam passar um serão sossegado, ver um filme e namorar um bocadito, aproveitar uma noite sem adolescente e pré-adolescente, um enfim sós, e mesmo antes de entrar na auto-estrada, “olha…” e atirei-lhe a criança para os braços, incertezas e inseguranças aplacadas, vamos lá vender ‘o produto’ aqui à ametade, que não havia problema, se calhar até era melhor assim, num daqueles arroubos em que nem sei onde vou buscar a força, e reúno as ideias como se estivesse de fora e crio uma nesga de clareza no meio das sombras. Quando estávamos a sair da auto-estrada, já um bocadinho roucos, decidimos que era esperar para ver, e esquecer o assunto, ‘pelo menos por hoje’.

 

Isto há precisamente uma semana.

 

Entretanto, a Inês decidiu ir fazer os testes de orientação vocacional outra vez - mas já sei qual vai ser o resultado… o ano passado também me deu o máximo em tudo, e depois dizem que tenho jeito para o que quiser, e eu fico na mesma… - e à psicóloga da escola (onde ainda não foi porque não descobriu o horário da dita). Eu também não me fiz de rogada, e falei cm um amigo que é médico e se prontificou a falar com ela para:

           

M Despistar uma hipotética depressão;

M Ajudar a pôr ordem naquela cabeça.

 

Entretanto, sete dias passados, a mocinha chegou à conclusão que vai continuar naquele curso, apesar de, provavelmente, a saída ser o Ensino e só se ver a dar aulas de latim, mas que, pronto, ela até gosta do curso, e AIIIIIIIIIIIIII!!!!!!!!! que eu ia ficando maluca e afinal não era nada… ou se calhar até era, e eu é que até agi bem (esta 2ª hipótese é só para me sentir um bocadinho melhor…)

 

No entanto, quer aproveitar para ir falar com o médico sobre como travar o aumento de peso, e que a põe a chorar só de falar nisso (se ela lê isto, é inundação certa).

 

E, pronto, aqui temos assim um happy end, e a confirmação que esta mãe pouco tranquila e nada zen é uma grande parva e idiota, pois que cada vez que a infanta grita “lobo!”, põe a guarda toda de atalaia (e será que não é esse mesmo o meu papel, pergunto eu em grego)…

- alguém explica à senhora que os adolescentes são mesmo assim?

 

Francamente!

 

Enfim…

 

Fátima

 

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