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Diário de uma "dona de casa" 2.0

... à beira de um colapso

Diário de uma "dona de casa" 2.0

... à beira de um colapso

17
Out07

De passagem por aqui

Fátima Bento

... é só mesmo um instantinho.

Acabei de ver o "Dreamgirls", que estava no portátil há um 'ror' de tempo, mas que não apelava à minha costela de 'visionadora de filmes".

Pois, meus caros e minhas caras, ainda 'tou assim a modos que um bocadinho de cara à banda... não esperei gostar (e arrepiar-me!) tanto! O filme é realmente bom, e o Óscar para melhor atriz secundária foi perfeitamente entregue...

 

Sim senhores, se ainda não viram, corram ao clube de video mais próximo!

Inté,

Fátima

P.S. Estou "a cozinhar" um post para partilhar uns truquezitos sobre poupança ou, como pôs num comentario amulherdetrintaanos, sobre o meu "exemplo este de poupança e gestão financeira". Quando estiver pronto, já sabem!

16
Out07

Parabéns amor!

Fátima Bento
Há precisamente 14 anos o Vítor estava a levar a (primeira das, ehheheh) maior seca da vida dele. À porta do registo civil do Seixal, viu entrar três noivas, e nenhuma era a dele. Já lhe diziam para escolher outra, e, lá no fundo, mesmo no fundinho, devia ter aquele frio na barriga “será que vem?”.

 

 

Bem, obviamente, veio. Com uma hora de atraso, mas veio.

 

E ainda me lembro do juramento:

 

“Eu, Rosa de Fátima* (…) aceito-te Vítor (…) como meu legítimo marido prometendo amar-te e respeitar-te todos dias da minha vida”.

 

E os anos passaram inevitavelmente com altos e baixos, com momentos de paixão assolapada e amor aos molhos, e de raiva e ódio cerrado (o que vale é que quando dava, dava com força, mas passava depressa…). Com gargalhadas, lágrimas, problemas com dinheiro, com filhos, um com o outro, o outro com o um…

 

… e cá estamos, 14 anos depois, arrisco com toda a certeza, mais apaixonados agora que quando entrámos na Conservatória do Registo Civil, a 16 de Outubro de 1993.

 

Por isso (e aviso já todos os quem me estejam a ler, que não tenho jeito para isto), quero dizer aqui umas coisas à minha “ametade”.

 

*     Obrigado.

- Pelos 14 anos de montanha russa que fizemos no mesmo carrinho.

- Pela paciência com todas as minhas idiossincrasias (e são tantas), e por teres sempre tentado compreender o que tantas vezes era incompreensível…

- Pelas noites mal dormidas quando eu tinha crises existenciais à uma da manhã, e me sentava no cantinho da porta fechada, toda enrolada, a testa encostada nos joelhos, lavada em lágrimas;

- Por teres tentado sempre ajudar da maneira que podias, e com toda a vontade do mundo;

- Por seres o meu apoio nos momentos mais difíceis;

- Por celebrares comigo as minhas vitórias;

- Por seres o super-marido que qualquer uma pagava para ter;

- Por seres um pai com P maiúsculo;

- Por seres tu;

- Por me amares…

 

COMO EU TE AMO.

 

Obrigado por existires.

 

Fátima

 

P.S.: 14 anos = 168 meses = 728 semanas = 5113 dias = 122 712 horas = 7 362 720 minutos = 441 763 200 segundos. Que venha o dobro, que nós “estamos aí!”

 

 *juro que é MESMO o meu nome, yuck!

14
Out07

A minha moda Inverno 2008

Fátima Bento

Aqui há uns tempos, em plena silly season, dado o teor dos meus posts, um amigo perguntou-me “então agora estás a dar em cronista de moda?”. Ri-me um bocadinho. E pensar nisso faz-me lembrar aquele provérbio que já citei neste blogue “podes tirar a menina da aldeia, mas não podes tirar a aldeia da menina”.

 

Pois é que isso mesmo: quer queira quer não queira, a minha formação é Design de Moda – CITEM, Centro Internacional de Técnicos de Moda – 87/89. Há coisas para que a gente escorrega, principalmente quando crescemos e resolvemos alguns imbróglios e mágoas antigas, que andaram escondidas, mas sempre com a cauda de fora (mas isto agora não interessa nada). E volta não volta, agora, foge-me o pezinho para a moda.

 

Tudo isto para dizer que andei/ando a construir o meu guarda-roupa Inverno 2008. Devo dizer que entre os saldos do Verão (e as promoções que os antecederam), os descontos da La Redoute, a feira d’alcofa, e as minhas lojas de eleição escrutinadas de cinto bem apertado, não me tenho saído nada mal.

 

Quereis ver?

 

Ø     Vestido em malha, camel, saia em viés, cavas americanas e gola alta, com o pormenor de uns botõezinhos nas costas, Zara €12,90;

Ø     Vestido em malha preto, manga comprida, saia em viés, decotado, Zara €12,90;

Ø     Blusa castanha meia gola, em algodão, mangas ¾ com o pormenor de um pequeno cós, meia gola, Zara, €9,90;

Ø     Blusa em malha, preta, gola alta, manga curta com dobra e 2 botões, €14,90, Stradivarius;

Ø     Casaco ¾ preto, manga igualmente ¾, ar deliciosamente retro, H&M, €14,97 (com -70%);

Ø     Túnica em malha castanha, La Redoute, +/- €7,00 (desconto de €15,00);

Ø     Blusa de gola alta em algodão, riscas preto/areia, La Redoute, e

Ø     Malha de gola alta cinza, La Redoute, ambas €9,00 (e uns cêntimos, desconto de €15,00)

Ø     Blazer em bombazine chocolate, La Redoute, oferta;

 

E os indispensáveis acessórios:

 

Ø     Cinto largo preto, pespontado, para acentuar a cintura, €12,90, Promod;

Ø     Cinto castanho para usar descaído sobre a túnica, €1,00, feira d’alcofa;

Ø     Cinto preto fino, para acentuar a cintura, €1,00, feira d’alcofa;

Ø     Botins pretos H&M, €29,90;

Ø     Sapatos tipo “Betty Boop/ Minnie Mouse”, em verniz preto, €24,90, sapataria de bairro;

Ø     Sapatos em camurça pespontados, castanhos, com pequeno salto, €14,90, sapataria de bairro;

Ø     Anel, pedra grande, vermelha, €2,00, feira d’alcofa;

Ø     Pulseira de pedraria, grande, vermelha (para usar sobre luvas longas), €3,50, feira d’alcofa;

Ø     Luvas longas em malha, presente da sobrinha;

 

Ando à procura de:

 

Ø     Saia logo abaixo do joelho, tipo “lápis”, com Lycra, em preto;

Ø     Saia logo abaixo do joelho, tipo “lápis”, com Lycra, em vermelho;

 

Ainda quero comprar:

 

Ø     Luvas altas em pele, em preto

Ø     Luvas normais em pele, em vermelho (ou preto)

Ø     Mala tamanho XL (a um preço porreiro, obrigatoriamente abaixo dos €30,00, que me apaixone. Vermelha ou preta)

 

Quer isto dizer que o Inverno 2008 (exceptuando o que ainda procuro), me vai na quantia de € 171,67.

 

Eu diria que entre roupa, calçado e acessórios, não vai mal, ahn?

 

(eheheh)

 

Fátima

14
Out07

Assim não vale!

Fátima Bento

Pois é.

 

Hoje é domingo. Um domingo solarengo, agradável. Ontem disse ao marido “amanhã, se estiveres pelos ajustes – mas só se estiveres pelos ajustes! – podíamos levantar-nos cedo e ir tomar o ‘pequeno-almoço’ à Fnac, que eu aproveitava para fazer uma pesquisa sobre livros de apoio à consultoria de imagem.” “Ir à Fnac comprar livros? (duh?!?!) Tudo bem, ir lá tomar um café, e depois dar uma volta ali pelas lojas (ele detesta passear em Centros Comerciais – e eu também não sou fã), ainda vá, mas comprar livros?” “Eu não disse comprar, eu disse ver. Eu tenho de estudar um bocadinho do assunto, mas agora estudar, só o ‘Código da Estrada’”. Mas até me agradou a ideia do cafezinho e de depois ir à Acessorize ver se ainda lá estava a mala XL que estava no outro dia na montra, e ir à Sephora comprar pérolas de banho (que tenho de aproveitar enquanto ainda tenho banheira), porque as minhas já acabaram há bem mais de uma semana.

 

Pois é.

 

Acordei com meu alarme às 11.00h. (esqueci-me de o desactivar, era para me lembrar da condução ao meio dia). Televisão ligada no Disney Channel, marido no desk top.

 

Pronto, pensei, já não vais a lado nenhum.

 

Levantei-me, fui dar um snackzito às gatas (é da praxe) e dar beijinhos de ‘bom-dia’ à sala. Regressei ao quarto. Ouço um jogo de futebol do campeonato inglês a começar: agora é que não vais mesmo a lado nenhum, penso. Enfio as pernas dentro da cama e puxo do portátil.

 

Já tenho o dia feito.

 

Eu sei que ele, por princípio, prefere ficar em casa.

 

Eu sei que ele não gosta de muita gente, e menos ainda de Centros Comerciais.

 

Eu sei que não há volta a dar ao facto de que não há mais o que fazer nem onde ir num raio de 20 km.

 

Mas mesmo assim, estou farta de estar sempre em casa, principalmente depois de ter passado estes dias de cama, por isso, nem que seja para ir ao Almada Fórum (Centro Comercial de que eu definitivamente não gosto, tirando a sacrossanta Fnac), SERVE!

 

Mas pronto.

 

Já falámos sobre o assunto noutras ocasiões e não chegamos a “conclusões conclusivas”, por isso, esqueço.

 

Eu até ainda estou doente…

 

Fátima

 

P.S. Se calhar até estou a ser injusta. Ele não me acordou mais cedo porque estou doente. E ir tomar um café ir e vir, 30 minutos, não ia dar um grande sentido ao meu domingo. O meu mal é ter uma vida pequenina; se não estou satisfeita, tenho mais é que fazer por mudar o que não gosto. Não sei como, mas á suposto. E a obrigação é só minha.

 

Pelo menos dizem que sim.

12
Out07

Crianças, bugs, e afins...

Fátima Bento

Diz-se que os filhos deviam vir com manual de instruções, mas é mentira. Se trouxessem, era cada calhamaçozorro que ninguém lhe pegava.

 

Por isso, os filhos (salvaguardadas as devidas distâncias) são um bocadinho como a informática para maioria dos mortais: a gente aprende mexendo e resolvendo os bugs à medida que eles aparecem. Sabem quando, volta na volta, abre uma janelinha a fazer uma pergunta (literalmente em chinês ou outra qualquer língua igualmente indecifrável), com dois quadradinhos por baixo, e num diz ‘sim’ (ou yes) e no outro diz ‘não’ (ou no), e a gente mesmo sem perceber muito bem no que vai dar a decisão, clica num deles?

 

É mais ou menos assim com os filhos: a gente clica no quadradinho que pensa que está certo, e, como dizem ‘oss nóssoss irmãoss’, é pé na bola e fé em deus!

 

Mas vá lá a gente conseguir compreender e acompanhar situações como a do meu infante…!

 

O puto parece ter superado o que o andava a moer por dentro (fónix, ‘tou c’uma bruta dor de cabeça, e está alguém a usar um berbequim com martelo mesmo aqui por cima… irra, parece que a cabeça se vai “estilhaçar”!). Já largou a canadiana, e ontem implorou para fazer um tempo de Educação Física. Levou a meia elástica calçada e garantiu que se doesse parava. Mas que na véspera, para testar, tinha dado 3 voltas à pista (a correr? pergunto dividida entre o incrédulo e o ‘eu sabia…’). Pois que sim, e tinha “feito uns cestos”. Está bem, faz lá a aula. (agora acho que o médico me vai atirar pela janela, quando lhe contar). Também nunca mais se queixou de dor de cabeça, falta de forças, má disposição, dor de barriga… antes de ir para a escola.

 

Parece que ele estava a precisar de algum tempo parra assimilar o que se passou, e seguir em frente.

 

Bem, eu também funciono assim…

 

Fazer o quê?...

 

Fátima

 

(Bom, ontem não escrevi, escusado será dizer qu’isto não ‘tá melhor, já ‘tou com tosse e tudo, ‘tá-se mesmo a ver que já só lá vai de antibiótico. Olhem só que bom!)

10
Out07

Doentinha… Sob!...

Fátima Bento

Não há nada que não me apareça!

 

- bom, não me vou queixar, que o puto hoje foi à escola, e veio-me dar um beijo como é costume quando ainda estou deitada. Para complicar a coisa, como eu estava ‘parcialmente inconsciente’, julgava que era o meu marido, e então, era o puto à procura da bochecha e eu a dar os lábios… depois de grande luta, lá conseguiu acertar numa bochecha, mas, como diz o outro, como a luta continua em busca da segunda, eu ‘vim a mim’ e percebi finalmente que eu estava a pensar no homem errado… o Tomás vai rir que nem um perdido quando lhe explicar a razão do bailinho da manhã

 

Mas a razão da minha “parcial inconsciência” deve-se a uma graaande constipação que eu apanhei (deve ter sido lá na outra casa, qu’aquela coisa tá sem janelas, é uma corrente de ar do camandro, e ainda por cima ontem, quando me foram descarregar os azulejos, eu pus-me ao sol… só decisões inteligentes!), vai daí, passei a noite cheia de febre, e agora às 10:00h acordei outra vez a destilar, mas como já calculava que isso ia acontecer, antes de dormir tinha posto duas aspirinas na mesa de cabeceira (que eu gosto de intercalar o paracetamol com o acido acetilisalicílico). E é sob o efeito das mesmas que estou agora a escrever, senão, nepes.

 

Tenho aula de condução ao meio-dia (e isso, com febre, sem febre, até fico com formigueiro nas mãos e nos pés! Eu adoro conduzir!), e antes dela, vou à farmácia (até parece que tenho quota!) buscar Ben-U-Ron e Cêgripe, que eu não vou deixar isto cavalgar para a infecção brônquica do costume, nem dessa para a bronco-pneumonia (este Inverno tive duas, descobertas ainda mais para o lado da bronco que da pneumonia, mas, mesmo assim, foi um pincel do caraças!)

 

Por isso, vou mas é tratar de levantar os ossos (bem escondidos, lol) da cama, vou ao desk-top publicar este post, e vou pôr um bocadinho de tinta na faccia para não estar com este "ar de corpo exumado" com que estou.

 

Inté,

 

Fátima

09
Out07

Bolas, assim também já é demais!

Fátima Bento

Pois ontem a seguir à aula de condução (que correu muito bem, já sei estacionar de todas as maneiras!), fui ao cinema ver o

 

Foi giro , mas é daqueles (e está-se mesmo a ver), que mais levezinho, só se fosse feito de esferovite!

Depois, fui às lojas do costuma bisbilhotar (ainda comprei uma blusinha muit'a nice na Zara), e à  farmácia comprar comprimidos para as enxaquecas (minhas) e Ben-U-Ron 500 (para as macacoas do Tomás).

Foi quando o telefone tocou.

O puto não tinha ido (outra vez) à escola. "Tinha 38º de febre, mãe, 38º! Estava muito fraco, nem conseguia apoiar-me na canadiana..."

O sorriso caiu-me aos pés. Voltei para casa a passo de caracol, tal era a vontade de cá chegar...

Digam-me lá, o que é que eu faço a isto???

Fátima

08
Out07

I love/hate mondays, já lá dizia o Garfield

Fátima Bento

Vamos lá a ver se é desta que eu deixo de andar a publicar com atraso, e acerto as datas…

 

Ontem de manhã tive de ir à IKEA, para pedir a rectificação de medidas da cozinha, e depois anda demos uma volta pela loja, fomos ver o quarto da Inês, o móvel da entrada, a mesa da cozinha, o roupeiro… e mais umas peças que estão na nossa “new home wish list”mas com as quais a nossa conta bancária não concorda.

 

Uma coisa mais vai ter de ser comprada: estantes. Ou (eu preferia, mas fica muito mais caro), prateleiras. Tenho livros, bué livros a precisarem de poiso, encavalitados, amontoados, guardados em caixas… preciso de estantes. Idealmente, encheria a parede nos pés da minha cama do chão ao tecto (mas, também, ainda não tenho assim tantos livros, lol).

 

Giro é a quantidade de pessoas que se juntam naquele espaço a um domingo de manhã. Eu compreendo, claro que compreendo, é das minhas lojas favoritas… mas tem tudo de ir em rebanho? Nós costumamos ir à noite (a IKEA fecha às 23:00h), e é um descanso. O problema, é que tivemos que ir ontem - a necessidade foi apontada na conversa /reunião de sábado entre o Vítor e o empreiteiro (a tal que me deixou uma-hora-uma à seca no café), e prontos, fizemos aquilo que não gostamos – meter-nos no meio de montes de gente. Mas foi agradável.

 

(mais uma vez repito, para mim ir á IKEA é sempre agradável).

 

À saída, ‘inda fui à loja sueca comprar almôndegas congeladas, bolachas thin de gengibre e amêndoas, e uns bombons artesanais de café que são um espectáculo (tudo sueco, claro!)!

 

E agora vou-me vestir, que tenho aula de condução daqui a 45 minutos.

 

Inté,

 

Fátima  

07
Out07

Escrito SÁBADO 6 DE OUTUBRO DE 2007

Fátima Bento

Pronto, outra vez dia-mais-não-que-andavam-a-ser.

 

E vá-se lá saber porquê… porque ando deprimida, como diz o médico, vou continuar a sentir esta exaustão que vem por ondas, maiores ou menores, mais ou menos vezes ao dia, mas vêm.

 

Hoje. Depois do pequeno almoço de sábado, que é sempre tomado a dois, ter sido anulado quando os pedidos já tinham sido feitos, por o marido ter de ir ter com o empreiteiro "em 5 minutos", e eu ter acabado a tomar o meu sózinha, enquanto esperei uma-hora-uma, por ele me vir buscar para irmos pedir o orçamento dos estores para dentro da marquise, e irmos à Expogrés (outra vez) para comprar as barras de ângulo para os azulejos, e acertar a entrega dos mesmos, para a próxima terça-feira.

 

Regresso a casa, venho directo para a cama. Socorro-me do portátil, “vou escrever, e gosto de escrever sozinha”. Tapo-me até ao pescoço, e desejo dormir a tarde toda, ou quase, quero que o dia passe, não há nada para fazer de interessante (arrumar não cabe nesta categoria), tenho 6 revistas novas para ler/ver, e uns quantos livros mas não tenho cabeça para me concentrar, e já não posso com televisão, hoje, então, a ideia de me sentar em frente ao ecrã faz-me urticária.

 

Por isso fico no quarto, na cama, e alterno o escrever, os mimos da Mia, e dormir enquanto oiço Bublé.

 

E como é que se explica isto à família? Como é que mostramos que não tem nada a ver com ninguém, só comigo, só com este cansaço, com este “enjôo” e eu hoje nem estou triste, nem deprimida.

 

Só cansada.

 

O maridão já enfiou a cabeça numa fresta da porta duas vezes. Aceno-lhe. Sei que gostava de ter a minha companhia, mas deixo-me ficar aqui, cansada demais para tentar.

 

Daqui a pouco levanto-me, vou para a sala e miramos o ecrã juntos.

 

Mas agora ainda não…

 

Fátima

06
Out07

Escrito dia 4 DE OUTUBRO DE 2007

Fátima Bento

É meio dia e meia e eu estou no café da Rita na calhadrice, tranquila e descansada, a Inês sai para a escola à uma e um quarto, e o Tomás vai com os colegas directo da escola para o Rio Sul Shopping (o autocarro é o mesmo) almoçar, porque duas coleguinhas fizeram anos.

 

Toca o telefone. De casa. Não atendo e faço eu a ligação. Atende-me uma Inês aos gritos, que o irmão chegou e o que só faz é dar-lhe ordens, para lhe desenrascar o almoço, e ela a estudar, que tem de apresentar a 1ª aula. “Ouve lá…” tento. Continua qual G3, e eu uso a estratégia do costume, que, vão por mim, em público é uma vergonha: abro a goela e berro um EEEEEEHHHHHH!!!!!!”

 

Fico com vontade de me enfiar debaixo de uma das duas mesinhas do cafezinho (graças a deus que é tão pequenino, só tem mais uma mesa, maior, corrida, que uma cena destas num café maior era uma desgraça…), mas resulta sempre. Silêncio do outro lado, só tenho de ser rápida, que a benesse não dura muito: “Não há material para fazer tostas mistas? ELE faz as tostas e tu continuas a estudar.”

 

Desliguei e deixei o telefone sobre a mesa. "Está aqui está a tocar, com os dois engalfinhados", digo à Rita. 3… 2… 1… Trrrrriiiiiiiiimmmmmm- trrrrriiiiiiiiimmmmmm (o toque é old phone, é mesmo assim) olhamos uma para a outra, “já está”, comenta. Atendo. Desta vez é o Tomás, com uma grande estória/explicação. Interrompo-o e mando-o ligar do Uzo que ficou a carregar, na minha mesa-de-cabeceira. Lá liga e explica que o tornozelo lhe doía bué, não conseguia andar

(já na véspera tinha vindo com a mesma história, que tinha dado um mau jeito na aula de Educação Física, mas não colou. Arranjei-lhe boleia para a ida e para a volta, mas ele declinou e lá foi de autocarro).

Mas dois dias seguidos já é demais. “Olha, vou liga ao teu avô e vamos ao SAP”.

 

E fomos. E puseram-lhe uma ligadura elástica, e obrigaram-no a andar de canadiana durante 3 semanas.

 

Voltámos para casa, de transportes, devagar, e não descansou enquanto não fui à farmácia comprar a muleta. Andava no corredor que parecia que tinha um brinquedo novo.

 

Entretanto no final do dia voltei a falar com o médico que lhe pôs a ligadura e lhe receitou a canadiana, e contei-lhe o ocorrido na escola, a dificuldade em sair de casa, o ter ido dia 2 como a melhor prenda de anos que podia dar à mãe, e mesmo assim, à hora do almoço, ter sentido necessidade de tomar um Ben-U-Ron, de no dia 3 ter vindo “coxo e cheio de dores”, e depois ter preferido ir de autocarro, e hoje, ter chegado assim, incapacitado de todo.

 

“Pode, de facto, ser medo. Ele que use a canadiana e daqui a três semanas quero vê-lo”.

 

Afinal não estou tão maluca como já começava a duvidar…

 

Enfim…

 

Fátima

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