cozinha, sala, quarto...aiaiaiai...
...pois vai ser mais logo, porque agora tenho mesmo de ir arrumar a casa...
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(tirem-lhe lá o sorriso que já não estamos nos anos 50... )
Inté,
Fátima
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...pois vai ser mais logo, porque agora tenho mesmo de ir arrumar a casa...
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(tirem-lhe lá o sorriso que já não estamos nos anos 50... )
Inté,
Fátima
Vou mesmo meter a mão num ninho de vespas.
Ok, não há aqui fontes fidedignas a bichanarem-me informação ao ouvido...
Isto é só um golpe baixo para ver quem é que cá vem ter pelo titulo... ihihihih
Fátima
PARA QUEM JÁ VIU ESTE HARRY POTTER:
Este senhor, Alan Rickman
(que eu acho o máximo...)
E que no filme é o Professor Severus Black
Não é o que parece.
No próximo vai revelar-se.
(chiça, que se fosse o mau da fita eu tinha um destes desgostos... canudo!)
(ok, ok, gostos não se discutem...)
B'jinhos,
Fátima
Ontem lá fui ver o “Harry Potter e o Príncipe Misterioso”. Em pulgas, como toda a gente sabe, Vai a ver, a montanha pariu um rato.
Tenho uma relação muito extrema com o dinheiro: não lhe ligo nenhuma. Não lhe dou mais valor que aquele que ele tem de ter.
Fui habituada a tê-lo, como pagamento pelos abusos psicológicos (e não só, mas principalmente) de que fui vitima durante a minha infância e adolescência. A minha mãe maltratava-me num dia, no seguinte ia-mos às compras com carta branca. Ela ficava em paz com a consciência dela, e eu ficava com a sensação que não me tinham dado nada, porque eu tinha ganho o direito a ter tudo aquilo.
E tudo o que o dinheiro podia comprar, membership no health club com direito àquelas merdinhas todas que hoje se fazem nos SPA's, e banho turco, e sauna e jacuzzi, e piscina indoors, e o diabo a sete, era fundamentalmente solitário. Passei por todos esses luxos sozinha, e às vezes nem lá metia os pés. Aprendi, à minha custa, a fazer TUDO sem companhia, e a não sentir falta de gente. Passava os dias sózinha, almoçava, ia ao cinema, ao clube, e tudo dentro do Amoreiras. Em silêncio, não tinha ninguém com quem falar. Dias inteiros.
Ou seja, eu afirmo peremptoriamente que O DINHEIRO NÃO COMPRA A FELICIDADE. Mais: o dinheiro e a felicidade estão nos antípodas um do outro.
O dinheiro, ter, gastar, comprar coisas de que gostamos, pode dar-nos alegria, satisfação... mas não felicidade.
Felicidade por mim é quando eu estou a ler e a minha gata me obriga a pôr o livro ou revista de lado porque se deita sobre o meu peito e olha para mim com adoração, como se fossemos só nós duas.
Felicidade é ter o meu marido do meu lado e ele ser a pessoa fabulosa que é, termos vivido tudo o que já vivemos.
Felicidade para mim é quando os meus filhos me fazem miminhos, dão beijinhos, me dizem que sou a melhor mãe do mundo...
E quanto é que isto custa? Quanto é que vale?
Podemos escolher passar pela vida de couraçado vestido e a olhar através de um funil invertido, ficarmos o tempo todo sentados no rebordo a olhar para o buraco, e não ver mais nada, sentir mais nada. Ou não. Tentar dar a volta ao buraco, ou, em última instancia, olhar para cima e ver o céu, para o lado e ver o verde da relva...
Já lá dizia o outro "Se choras por não ter visto o sol, as lágrimas vão impedir-te de ver as estrelas".
Claro que o dinheiro faz falta. Na medida certa, alimentação assegurada, tecto sobre a cabeça, saúde garantida, e nada de andar roto na rua. Quanto ao resto, cada um terá as suas prioridades, as coisas que lhe dão prazer, mas que, pensemos lá atentamente, até se consegue passar sem elas! Não são elas que nos fazem felizes. Pelo menos a mim não é.
Sim, afectam a qualidade de vida, e um nível decente de qualidade de vida faz-nos andar muito mais satisfeitos.
Mas ir jantar fora todos os fins de semana, comprar tudo o que me desse na bolha, e não ter os meus momentos de pura felicidade como os que expus acima (há mais... há muitos mais...) Jamais. Ou como diria o outro, jamais (leia-se jámé).
Nunca fui tão feliz como quando deixei de ter dinheiro,
Fátima
Acabei, hoje de manhã, "No teu deserto", de Miguel Sousa Tavares.
Alheando-me de tudo o que já li sobre o livro, direi o que senti e sinto: "No teu deserto" era o livro que me faltava. Daqueles livros que não me podia passar ao lado, ou seria uma imensa perda...
O encanto, a paixão, começou há uns bons anos com "Sul", sempre e hoje um dos meus livros favoritos. A minha edição é velhinha, ainda com a lombada rosada, edição Circulo de Leitores. Deixei-me levar ao correr das páginas e viajei com ele, por tantos lugares, e acabei a fazer a travessia do Sahara: logo ali a pés juntos jurei que não morria sem fazer o deserto. De todos os relatos de viagens contidos no livro, aquele arrebatou-me.
E eis que agora me entra pela vida dentro (sim, pela vida), neste quase-romance, um postfácio a essa mesma estória, num registo tão intimista quanto Sousa Tavares nos habituou já na sua escrita (nomeadamente em "Não te deixarei morrer David Crocket", outra pérola). E a intenção não será que a estória fique mais completa, é só dizer o que não se disse, dito na altura em que urgiu fazê-lo. Agora.
Sousa Tavares embala-me nas palavras que escreve, e neste livro, só neste livro, tropecei em duas pedras, uma figura de estilo e uma frase a mais, aplicadas de maneira que me pareceu ocasional, fruto de uma qualquer distracção do autor. Mas nada é por acaso, e se mais não for, esses dois buracos na estrada têm o condão de nos prender mais á narrativa, como um estalar de dedos "ei, estás a ouvir, não estás?".
Quanto à minha travessia do Sahara, bom, digamos que neste momento encerraria uma aventura muito maior, para além dos "desastres" naturais: a politíca e o fundamentalismo transformaram o sonho da travessia nisso mesmo: um sonho.
(e cá entre nós, não é preciso ir ao Sahara para fazer a travessia do deserto...)
Amado ou odiado como ele só, Miguel Sousa Tavares faz-me falta. Como Rodrigo Guedes de Carvalho e Lobo Antunes. Cada um de sua forma, todos me são imprescindíveis.
Fátima