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Diário de uma "dona de casa" 2.0

... à beira de um colapso

Diário de uma "dona de casa" 2.0

... à beira de um colapso

05
Ago09

A(s) religião(ões)

Fátima Bento

Vou mesmo meter a mão num ninho de vespas.

 

 
Diz o senso comum que há três assuntos sobre os quais se não deve falar – politíca, religião e futebol. Ora bem, do terceiro estamos livres aqui no blogue, que tirando o facto de que a bola é redonda, cada equipa é composta de 11 elementos, e a finalidade do jogo é enfiar a bola na baliza adversária, não sei mais nada. Ah, e sei da transferência do ex CR7, actual CR9, mas tinha de ser doutro planeta para não saber. E acho que isso até não tem muito a ver com futebol... e muito a ver com royalties, publicidades, e pronto, golos. Ok, não batam mais na ignorante...
 
De política, vou falando de vez em quando, vá de rétro Sócrates, chiça penico, eu que até me tenho em conta de estar assim um bocadinho à esquerda – nas últimas legislativas até votei no Bloco, estou neste momento quase a votar na Manuela, pessoa de quem não gosto, nem com quem comungo ideais, longe disso, mais à direita, quase impossível, mas canudo, os sacrifícios que estou (quase) disposta a fazer para tirar dali aquele aldrabão arrogante, que veste fatos que alimentam uma família de 4 da classe média (ok, pronto, o homem não pode andar mal vestido, eu sei... mas no gajo tudo me irrita, e eu “amando-lhe” com tudo o que vier à mão...)
 
Por isso, só me falta mesmo falar de RELIGIÃO.
 
E é o que eu vou fazer no próximo post.
 
Estejam atentos...
 
Fátima
 

05
Ago09

SPOILER ALERT

Fátima Bento

PARA QUEM JÁ VIU ESTE HARRY POTTER:

 

Este senhor, Alan Rickman

 

 

(que eu acho o máximo...)

 

E que no filme é o Professor Severus Black

 

  Não é o que parece.

 

No próximo vai revelar-se.

 

(chiça, que se fosse o mau da fita eu tinha um destes desgostos... canudo!)

 

(ok, ok, gostos não se discutem...)

 

B'jinhos,

 

Fátima

 

 

05
Ago09

Harry Potter e o príncipe misterioso

Fátima Bento

Ontem lá fui ver o “Harry Potter e o Príncipe Misterioso”. Em pulgas, como toda a gente sabe, Vai a ver, a montanha pariu um rato.

 

 
 
Mas qual melhor “Harry Potter” de todos como afirmou Daniel Radcliff, o actor que dá corpo ao personagem? O pessoal andou a dormir nos outros cinco?? Tudo bem, que eles eram densos, e às tantas até nos punham a rodar o mostrador do relógio para a luz do ecran, mas foram todos muito bons.
 
Este, mais um bocadinho... e não era um filme Potter. Assim a seco e limpo: aquilo, varrida a “palha”,dava um bom filme de 90 minutos (give or take).
 
E não me estou de todo a insurgir contra as litradas de feromonas que pontuam a película; normal e perfeito no seu timing, que eles estão todos, agora, com idade para estas coisas que feiticeiro ou não, teenager é teenager. Mas o resultado deste filme revelou-se estranho, e funciona na perfeição como uma porta entreaberta para o seguinte, final, que vem em duas partes. Passaram-se coisas muito importantes, que retemos, em meio a alguma paródia, que não deixo de até de achar agradável, um bocadinha a antecâmara da obscura película final que se aproxima.
 
Interessante, e agradável se as últimas partes estreassem já, e nem daqui a um ano.
 
Bom, verdade seja dita, sempre tive dificuldade de estabelecer a ponte entre o anterior e o que ia ver na altura, dada a densidade informativa de cada um. Era quase preciso – como fizemos desta vez, rever o anterior uns dias antes de ver o novo, para não escapar nada importante.
 
Da próxima vez não vai ser necessário - este vai ficar bem vívido na memória.
 
Quem viu todos, vai ter que ver este. Quem leu os livros é capaz de estranhar qualquer coisa... mas no fim, contas feitas, vale sempre a pena ver um “Harry Potter”.
 
Mesmo que nos deixe com esta sensação estranha de nos termos enganados na porta da sala – e daí não – mas de certeza? - certezinha. 
 
 
B'jinhos,
 
Fátima

02
Ago09

Eu e o dinheiro

Fátima Bento

Tenho uma relação muito extrema com o dinheiro: não lhe ligo nenhuma. Não lhe dou mais valor que aquele que ele tem de ter.

 

Fui habituada a tê-lo, como pagamento pelos abusos psicológicos (e não só, mas principalmente) de que fui vitima durante a minha infância e adolescência. A minha mãe maltratava-me num dia, no seguinte ia-mos às compras com carta branca. Ela ficava em paz com a consciência dela, e eu ficava com a sensação que não me tinham dado nada, porque eu tinha ganho o direito a ter tudo aquilo.

 

E tudo o que o dinheiro podia comprar,  membership no health club com direito àquelas merdinhas todas que hoje se fazem nos SPA's, e banho turco, e sauna e jacuzzi, e piscina indoors, e o diabo a sete, era fundamentalmente solitário. Passei por todos esses luxos sozinha, e às vezes nem lá metia os pés. Aprendi, à minha custa, a fazer TUDO sem companhia, e a não sentir falta de gente. Passava os dias sózinha, almoçava, ia ao cinema, ao clube, e tudo dentro do Amoreiras. Em silêncio, não tinha ninguém com quem falar. Dias inteiros.

 

Ou seja, eu afirmo peremptoriamente que O DINHEIRO NÃO COMPRA A FELICIDADE. Mais: o dinheiro e a felicidade estão nos antípodas um do outro.

 

O dinheiro, ter, gastar, comprar coisas de que gostamos, pode dar-nos alegria, satisfação... mas não felicidade.

 

Felicidade por mim é quando eu estou a ler e a minha gata me obriga a pôr o livro ou revista de lado porque se deita sobre o meu peito e olha para mim com adoração, como se fossemos só nós duas.

Felicidade é ter o meu marido do meu lado e ele ser a pessoa fabulosa que é, termos vivido tudo o que já vivemos.

Felicidade para mim é quando os meus filhos me fazem miminhos, dão beijinhos, me dizem que sou a melhor mãe do mundo... 

 

E quanto é que isto custa? Quanto é que vale?

 

Podemos escolher passar pela vida de couraçado vestido e a olhar através de um funil invertido, ficarmos o tempo todo sentados no rebordo a olhar para o buraco, e não ver mais nada, sentir mais nada. Ou não. Tentar dar a volta ao buraco, ou, em última instancia, olhar para cima e ver o céu, para o lado e ver o verde da relva...

 

Já lá dizia o outro "Se choras por não ter visto o sol, as lágrimas vão impedir-te de ver as estrelas". 

 

Claro que o dinheiro faz falta. Na medida certa, alimentação assegurada, tecto sobre a cabeça, saúde garantida, e nada de andar roto na rua. Quanto ao resto, cada um terá as suas prioridades, as coisas que lhe dão prazer, mas que, pensemos lá atentamente, até se consegue passar sem elas! Não são elas que nos fazem felizes. Pelo menos a mim não é.

 

Sim, afectam a qualidade de vida, e um nível decente de qualidade de vida faz-nos andar muito mais satisfeitos.

 

Mas ir jantar fora todos os fins de semana, comprar tudo o que me desse na bolha, e não ter os meus momentos de pura felicidade como os que expus acima (há mais... há muitos mais...) Jamais. Ou como diria o outro, jamais (leia-se jámé).

 

Nunca fui tão feliz como quando deixei de ter dinheiro,

 

Fátima

 

02
Ago09

No teu deserto

Fátima Bento

Acabei, hoje de manhã, "No teu deserto", de Miguel Sousa Tavares.

 

 

Alheando-me de tudo o que já li sobre o livro, direi o que senti e sinto: "No teu deserto" era o livro que me faltava. Daqueles livros que não me podia passar ao lado, ou seria uma imensa perda...

 

O encanto, a paixão, começou há uns bons anos com "Sul", sempre e hoje um dos meus livros favoritos. A minha edição é velhinha, ainda com a lombada rosada, edição Circulo de Leitores. Deixei-me levar ao correr das páginas e viajei com ele, por tantos lugares, e acabei a fazer a travessia do Sahara: logo ali a pés juntos jurei que não morria sem fazer o deserto. De todos os relatos de viagens contidos no livro, aquele arrebatou-me.

 

 

E eis que agora me entra pela vida dentro (sim, pela vida), neste quase-romance, um postfácio a essa mesma estória, num registo tão intimista quanto Sousa Tavares nos habituou já na sua escrita (nomeadamente em "Não te deixarei morrer David Crocket", outra pérola).  E a intenção não será que a estória fique mais completa, é só dizer o que não se disse, dito na altura em que urgiu fazê-lo. Agora.

 

Sousa Tavares embala-me nas palavras que escreve, e neste livro, só neste livro, tropecei em duas pedras, uma figura de estilo e uma frase a mais, aplicadas de maneira que me pareceu ocasional, fruto de uma qualquer distracção do autor. Mas nada é por acaso, e se mais não for, esses dois buracos na estrada têm o condão de nos prender mais á narrativa, como um estalar de dedos "ei, estás a ouvir, não estás?".

 

 

Quanto à minha travessia do Sahara, bom, digamos que neste momento encerraria uma aventura muito maior, para além dos "desastres" naturais: a politíca e o fundamentalismo transformaram o sonho da travessia nisso mesmo: um sonho.

 

(e cá entre nós, não é preciso ir ao Sahara para fazer a travessia do deserto...)

 

Amado ou odiado como ele só, Miguel Sousa Tavares faz-me falta. Como Rodrigo Guedes de Carvalho e Lobo Antunes. Cada um de sua forma, todos me são imprescindíveis.

 

Fátima

Pág. 4/4

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