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Diário de uma "dona de casa" 2.0

... à beira de um colapso

Diário de uma "dona de casa" 2.0

... à beira de um colapso

21
Jan10

Aventuras cinéfilas

Fátima Bento

Há dias vi o Paranormal Activity. Andava doida para ver o filme, desde que tinha lido um artigo na Sábado que afiançava que ninguém ficava indiferente ao filme, e que relatava que tinham havido casos de histeria aquando da pré-apresentação do filme.

 

Aos tombos entre coisas-que-tinham-mesmo-de-ser-feitas, e que me impediram sucessivamente de ir ao cinema vê-lo, há uma semana atrás, esperei que estivessem todos a dormir, agarrei no pc, e deitei-me, luz apagada, a ver se é desta que fizeram um filme que me assusta...

 

 

Pois que não, ainda não foi desta. O filme tem algum interesse, um final demasiado Hollwoodesco - da autoria de Steven Spielberg - final que, para mim, tira um pouco de genuínidade ao filme - e admito poder ser preconceito, por saber que é um filme de baixo orçamento que acabou por ser enviado para o realizador para pré-visionamento, tendo ele sugerido este final, ao invés do inicial - mas não é assustador.

 

É inevitável a comparação entre este, Blair Witch Project e Rec. Uma vez que ainda não vi Rec, que a minha filha afiança ser muito melhor que este, só posso traçar um paralelo com o primeiro. E na minha opinião, Blair Witch ganha.

 

Para começar o orçamento do filme é muito menor. A handycam é mesmo amadora, o que dá uma qualidade de imagem muito menos definida (o que fez muita gente sair a meio do filme, e mesmo pedir a devolução do valor do bilhete). No entanto, o marketing criado através da internet, coisa feita pela primeira vez, resultou espantosamente, e havia quem acreditasse que eram mesmo factos reais. O final, ao contrário do de Paranormal Activity, vem connosco para casa, depois do filme acabar. Resultado final soberbamente bem conseguido.

 

Em Paranormal, a camara é quase profissional, a qualidade de imagem muito boa, e eu não consegui deixar de sentir, nem por um momento, que estava a ver um filme. Em situações de tensão, em que um dos dois leva a câmara pela casa, supostamente aterrorizado, A CAMARA NÂO TREME. O que só seria possível se usassem um tripé com rodas, já que estando aterrorizados, seria impossível não tremer...

 

Ou seja, em pulgas como andei para ver este filme, e tunga, a montanha pariu um rato...

 

E ontem vi o Sherlock Holmes.

 

 

Fabuloso! Primeiro há que fazer a vénia ao sr. Robert Downey Jr. Um papel feito à medida do seu talento, e que aproveita as passadas descidas ao inferno do actor, para lhe dar uma maior verosimilhança, retratando a personalidade atormentada e "louca" do personagem. Sherlock Holmes é mais de que tudo o que esperamos.

 

Um filme soberbo, com um pano de fundo fabuloso, enfim, se a perfeição existe, estive mais perto dela de que tenho memória.

 

E quem vai à espera de resquícios dos SH que fomos conhecendo através da televisão e do cinema, desengane-se. Este é um "outro" Sherlock Holmes.

 

Notável, que venha o segundo, estamos aqui à espera senhor Guy Ritchie! E despache-se, antes que o actor (o diabo seja surdo...) tenha uma recaída... longe vá o agoiro...

 

Amanhã, vou ver o Avatar em 3D. Depois conto.

 

B'jinhos,

 

Fátima

 

20
Jan10

Finalmente desmanchei a árvore de natal!!

Fátima Bento

Foi anteontem à tarde. Ele foi tirar os enfeites, e as fitinhas de neve, ás vezes uma a uma - g'anda seca! - e como tinha a tábua de engomar aberta, até deu jeito para servir de apoio.

 

Pois, e eu a trabalhar, e as crianças a divertirem-se! Olhem só:

 

 

A Mia socorreu-se de um qualquer complexo de "menino-Jesus-da-casa" e foi a correr deitar-se nas palhinhas... E a Pequenina, como não lhe quis ficar atrás mas não é "copiona"...

 

 

...disfarçou-se de enfeite-de-árvore-de-Natal... o que vale é que para árvores destas não é preciso chamar os bombeiros, eu consegui "salvar" a bichana das "alturas", LOL!

 

De maneira que o ambiente aqui em casa está melhor e recomenda-se. A Pequenina já consegue "chamar" a Mia para andarem no corredor a correr uma atrás da outra... pronto, a Pequenina não dorme no quarto, na minha cama, como as outras duas (devem-lhe ter feito a bonita, alguma vez que eu não estava em casa...), e quando estou com uma ao colo e chega a outra, o "ar" fica um nadinha tenso. A Mia ronsna. A Pequenina, senta-se ao lado e dá um "piu" baixinho, só para a outra ver que está ali, a outra vê, bufa e foge. E acto continuo, a piolhinha vem para o meu colo e enrosca-se.

 

Mas eu farto-me de rir com elas... embora volta e meia leve uma patada da Mia e fique com um arranhãozito...

 

Mas são tããão giras!

 

B'jinhos,

 

Fátima

18
Jan10

E a Inês cresceu, cresceu...

Fátima Bento

Novidades cá em casa há umas quantas, sendo a mais importante o facto de a minha pikena, em Julho, ir de malas aviadas para Cambridge. Pois. Vai tirar uma licenciatura em "Drama and Film Studies", e depois... se verá, mas à partida, ficará por lá... é.

 

 

Mas isto é mesmo assim. Nós somos pais dos nossos filhos, não somos donos. 

 

E este é o caminho certo para a minha filha, que é brilhante. E não "é de mãe", que eu para apreciar o valor da minha filha tive de começar a vê-la pelos olhos das outras pessoas. E garanto que ela é mesmo fantástica.

 

 

Quanto às saudades, existem os vôos 'low cost', e há-de haver lugar para a mãe dormir, ainda que seja num saco cama. Não que eu queira sufocar a cria, mas eu sei que as saudades vão bater em ambos os lados...

 

 

Depois de amanhã vamos fazer a inscrição na agência de intercâmbio, e depois ela vai ter de ir fazer o teste para avaliação da língua ao British Council.

 

E não tarda nada estou no aeroporto a dizer inté... ela queria que eu fosse com ela na ida, mas há-de ir em grupo, com algumas das pessoas com quem ficará a morar.

 

 

O único senão da coisa, é que na altura em que ela partir, estará a namorar com o A. há  dois anos e meio... e eles decidiram acabar o namoro aquando da sua saída do país. E agora estão a aproveitar cada minuto. Eles é que sabem, a decisão é dos dois...

 

É o futuro dela que está em cima da mesa, e ela tem disso consciência. Pelo menos vai ter educação de pimeiríssima água!

 

E uma oportunidade única de crescer como pessoa.

 

E não tarda muito, estarei a assistir a isto:

 

 

É que o tempo passa mesmo, mesmo, mesmo a correr...

 

B'jinhos,

 

Fátima

 

18
Jan10

Idolos outra vez

Fátima Bento

Bom, mais uma gala do Idolos que passou, com o júri a usar o direito de resgate - e muito bem! - e a manter a Solange mais uma semana. Não é que a Solange seja uma qualquer maravilha, mas hoje, a Inês esteve absurdamente mal, e, o que é pior, "nas tintas". A canção que ela escolheu, não deu para perceber que raio é que se passou com ela, que o Perfect dos Fairground Atraction, até eu canto benzinho... chiça, miúda! No tema do Paulo Gonzo, fez birra... andale, andale, canudo o que é que estás ainda a fazer lá?

 

 

Comparando, a Solange até esteve bem, à conta dos Tribalistas. Um excelente momento.

 

O Filipe, continua a andar ao colo... tem uma fantástica voz, mas há uma sombra naquele olhar que me sugere medo do público. Parece que tem uma parede de vidro à sua frente, e não chega a quem o vê. No dia em que essa barreira cair, ele será muito maior!

 

 

 

O Carlos, oh que raio é que o menino estava a pensar para escolher o "guarda-chuva da Rhianna"? Já aqui citei essa música como o pior que há de pop para mim. Soou-me a provocação, a desafio, por isso o senti tão contido.

 

 

 

Ou seja, eu acho a canção tão horrível, que nem ouvi bem.

 

A Diana... ah, a Diana! Fabulosa, com um bombom, a minha canção portuguesa favorita, de todos os tempos (já aqui escrevi sobre isso, pus o video, mas agora não encontro...). Esperava algo diferente e os 'ch' ou 'x' dela 'comicharam-me' os ouvidos. No entanto, foi sublime, a emoção que ela conseguiu passar, a interpretação intimista que deu ao tema. Definitivamente, a raínha da noite.

 

 

Quem merecia saír? A Inês, definitivamente, que fez uma prestação desastrosa, e duvido que o júri a resgatasse.

Bom, mas já está feito, e ficou tudo na mesma, para a semana sai a Inês e a Solange, e ficam os três magnificos. A partir daí, está tudo garantido para os três - aliás, neste momento já está. Luis jardim já afirmou que leva o Carlos para Londres. O Filipe fica entrgue ao Manel, a Diana, ainda vai dar direito a briga, já que se o Manel é tio, o Luis jardim é padrasto dela...

 

Por isso meus senhores, à partida, acabaram-se as surpresas. A luta vai ser entre os 2º e 3º lugares.

 

O Manel - julgavam que não falava dele - estava calmo, e bem. BCBG, e que se mantenha nesse registo. A Roberta linda, O Boucherie sintético e direito ao alvo, e o Laurent... bom além de bom profissional, lindo como de costume.

 

 

B'jinhos,

 

Fátima

 

 

17
Jan10

A cidadania é um lugar estranho...

Fátima Bento

Infelizmente, ainda hoje, segunda década do terceiro milénio, não existe uma noção básica de cidadania inculcada na maioria das mentes mais ou menos pensantes deste país. E isso é lamentável, tendo em conta que até somos um país que viveu em ditadura durante quase 50 anos, e que vive em democracia há quase 36 anos, democracia conseguida porque meia dúzia de visionários acreditaram que era possível. E fizeram acontecer.

 

Vem isto a propósito da tragédia colossal que se abateu sobre os haitianos.

 

É precisa ajuda. Qualquer ajuda. E todos, sem excepção, podemos ajudar.

 

Uma das formas é através do envio de dinheiro. Por pouco que seja, é sempre uma ajuda para a pilha que irá crescendo. Pode fazê-lo através de qualquer uma destas formas:

 

 - Na caixa multibanco, seleccionar «pagamento de serviços», marcando entidade 20999 e referência 999 999 999, e colocando o valor que deseja enviar.

 - Efectuando um depósito ou transferência bancária para as contas «CVP - Fundo de
Emergência.»

Millennium BCP
- Conta: 45307610691 NIB: 0033 0000 4530 7610691 05

CGD- Conta: 0027082402230 NIB:0035 0027 0008 2402230 53

BPI- Conta: 3631911 000 001 NIB:0010 0000 3631 9110001 74

Santander Totta- Conta: 000314691778020 NIB:0018 0003 1469 1778020 27

BES- Conta: 0001 4968 7394 NIB:0007 0000 00149687394 23

C.E.Montepio Geral- Conta: 087100053716 NIB: 0036 0087 99100053716 51

Barclays - Conta: 117201022464 NIB:0032 0117 00201022464 75

BANIF- Conta: 57/629520 NIB: 0038 0057 00629520771 72

BPN- Conta: 026511345-10-001 NIB: 0079 0000 26511345101 76

Caso queira doar um donativo à AMI (Assistência Médica Internacional) pode fazê-lo através do NIB: 0007 001 500 400 000 00672 Multibanco: Entidade 20909 Referência 909 909 909 em Pagamento de Serviços

(Lista retirada daqui)

 

Atenção: existem sites internacionais, e não só, que estão a pedir donativos através de sms, descontado no saldo do cartão. Eu, pessoalmente, não sei até que ponto essas informações são fidedignas, portanto, por segurança, utilize uma das formas acima.

 

Mas essa não é a única forma de ajudar. O acto de pegar na trouxa e ir para lá para ajudar, por louco que pareça, não o é tanto assim.

 

E é aqui que entra a noção de cidadania: todos nós podemos fazer a diferença. Se cada um que pensa "se fizesse alguma diferença, eu até ia, mas o que posso eu fazer?", tendo possibilidades para isso, se juntasse a um qualquer grupo já criado, ou criasse um, e de "casa às costas" fosse até lá, seria com certeza um grande grupo de portugueses voluntários a ir para o Haiti ajudar. E ajudar em quê, perguntam você, se o que ele precisam é de assistência médica...

 

Não, no Haiti, tanto como técnicos de saúde, são precisos braços. Sim, braços. Se nenhuma outra utilidade tivesse a presença de alguém sem espeficidade técnica em solo Haitiano, serviria para abrir buracos e enterrar os milhares de corpos que estão espalhados pela cidade de Port-au-Prince, e no resto do país. Cadáveres que se decompõem, e prometem a propagação de doenças várias, assim, a céu aberto, e que os pobres sobreviventes, completamente alucinados, em meio a terem ficado sem absolutamente nada, na dor de terem perdido famílias inteiras, não estão em condições de sepultar, dado a reorganização mental que a isso obrigaria, e que vai levar muito tempo até ser atingida.

 

Qualquer um de nós, com possibilidades financeiras para tal, com uma mochila às costas, pode fazer diferença. E somos muitos, de braços baixos, a lamentar não poder fazer nada.

 

Há que meter na cabeça que um homem é um mundo. E que quando queremos, podemos MESMO fazer a diferença. Só nós, mesmo que não haja mais ninguém.

 

Porque cada um de nós é muitos mais. E esse poder, de sermos muitos, dá asas ao sonho, à concretização daquilo que parece impossíve à partida.

 

Portugueses, não se acomodem, não se ponham à sombra do que eu sózinho não posso fazer nada.

 

Aqui já há uns meses, tive um comentário de uma licenciada em sociologia (o que é no mínimo paradoxal), que dizia, a respeito do facto de eu dizer no post que tinhamos de lutar para mudar as coisas que estão mal no nosso país, "(...) que são os nossos representantes que têm o dever e a responsabilidade de actuar nessas esferas, não o indivíduo. Que podemos nós, meros indivíduos em sociedade, fazer contra a falta de condições nas escolas, nos hospitais, no emprego, etc.?! Nada! Só se todos entrássemos em greve ao mesmo tempo e afundássemos de vez o país! Apenas podemos opinar, não temos condições para agir. Para isso estão lá os representantes que, bons ou maus, foram eleitos pela maioria e, como estamos em democracia, temos de levar com eles quer gostemos quer não..."

 

Ora é precisamente por se pensar assim, ainda para mais que está na casa dos 20/30, na qual se inseriu quem proferiu este comentário, que este país está, e continuará a estar neste estado. Para que é que foi feito o 25 de Abril, se os cidadãos ainda não perceberam que detêm, de facto, poder nas mãos????

 

Hoje somos um, amanhã dez, e para a semana, o céu é o limite!

 

Assim se constroem os sonhos, assim se constrói o futuro, assim se constrói um mundo melhor!

 

Fátima

 

15
Jan10

Eu e a Amizade

Fátima Bento

Estou a seguir os episódios da já quase velhinha serie "Friends", na Sony Entertainment Television, e juro pela minha rica saúde que adorava ter um grupo de amigos assim: unidos ate à medula. É que nunca tive, nem quando era pikena.

 

Já aqui tenho falado, esporádicamente, da infância disfuncional que tive. A minha mãe sempre foi um polvo que conseguiu atingir e minar todas as areas da minha vida, e esta não foi excepção.

 

Primeiro, eu não podia, de forma alguma ser como a outras: eu era e tinha de ser diferente -> e aqui leia-se superior, melhor. Eu era a princesinha enjoadinha, com os melhores brinquedos - brinquedos com que as meninas aqui nem sonhavam, e que a minha mãe trazia da Badajoz, já que aqui, no antigo regime, e imediatamente após o 25 de Abril, não havia grande escolha. Então, todas as meninas queriam ir para minha casa brincar. A minha resposta era invariávelmente a mesma: "tá bem, mas quem manda sou eu" (mandar na brincadeira, bem entendido).

 

E para terem ainda uma ideia mais concisa da coisa, quando entrei para a primeira classe, a professora chamou a minha mãe à escola, que eu estava muito adiantada, e que me queria passar para a 2ª classe. A minha mãe não aceitou, já que "eu também precisava de brincar". Lembro-me tão bem da revolta que senti nesse dia: desde os 4 anos que eu tinha um horário sobrecarregado de trabalhos da escola, antes de fazer 5 anos já lia correctamente, e tinha uma letra perfeita (ainda hoje consigo escrever com aquela caligrafia).

 

Em suma, a questão não era ter tempo para brincar - era ser a melhor. E ficar ali naquela classe a "aprender" o que já sabia, fazia de mim, aos olhos de todos, a melhor. Depois, por trás do pano, eu passava horas a fazer trabalhos dos anos seguintes, para andar sempre pelo menos um ano adiantada.

 

Era assim, a senhora minha mãe... Na véspera da empregada das limpezas lá ir, ela limpava a casa toda, só para a senhora achar que ela era tããão asseada - e ir contar às outras pessoas. Essa sempre foi a preocupação da minha mãe: a imagem que passava aos outros. Ainda hoje assim é.

 

A melhor comparação que consigo fazer em relação a isso, é vestir roupa de criador, e andar com roupa interior rôta, já que não se vê. Porque nos bastidores, a coisa estava nos antípodas do que se mostrava - não estou a falar de limpezas, e não vou aprofundar mais a coisa, já que é inimaginável a sua abrangência, e o mal que me fez.

 

Ora, em meio a esta disfasia entre a realidade, e a verdadeira realidade, aqui a menina teve a primeira  crise depressiva major aos 12 anos, e continuou por aí fora. O psiquiatra não me queria medicar, mas a mãe insistia, e inevitávelmente ele começou a fazê-lo - quanto mais não fosse porque eu não só não melhorava, como piorava a olhos vistos.

 

Ora como eu tinha de ser "a melhor", "superior" e "perfeita", era impensável deixar transparecer tudo o que se passava huis clos. E então, não me apróximava, nem deixava as outras pessoas se apróximarem de mim, só superficialmente, quando muito. Isso valeu-me até há não muito tempo os epitetos de ser "manienta", e "acha que é melhor que os outros".

 

Então, eu não tinha amigas íntimas, melhores amigas, e andava sempre sózinha. Ainda hoje, quando tenho um problema, e quanto maior, pior, me fecho numa ostra, e sou capaz de ir pela rua, passar por pessoas que conheço e não as ver. Sou incapaz de chorar, desabafar, pedir opiniões ou conselhos - as opiniões da mãe eram todas "conselhos", e os "conselhos" da minha mãe eram todos ordens, tout court.

 

E preciso de estar sózinha, e gosto de ir ao cinema sózinha, e gosto de viajar sózinha, e não suporto fazer compras acompanhada. A estória do post anterior: eu não me lembro de alguma vez ter ido acompanhada à casa de banho... parece anedota mas não é.

 

No entanto, estou sempre disponível para os outros, para escutar os outros, para tentar ajudá-los da forma que me for possível E gosto muito dos meus amigos e amigas - talvez até demais. Mas quando tenho problemas, deixem-me estar no meu canto.

 

Quem me conhece sabe que eu sou MESMO assim, e respeita.

 

Isto tudo, porque hoje uma amiga aqui da blogosfera me cobrou falta de atenção. Tenho andado enterrada em problemas até aos cabelos (embora tenha a ostra entreaberta), e há alturas que não consigo, de todo, comunicar. No entanto, sempre tentei ajudar essa amiga, como tantas outras, em tudo o que podia. O limite, é a minha pessoa. Não passo por cima de mim para ajudar ninguém, só os meus filhos. É auto-estima e sobrevivência. Sou resiliente, e acabo por sair da concha, renovada. Mas essa cortina, ninguém passa. E que ninguém me apresse...!

 

Por isso, se mais alguém se andar a sentir alvo de negligência da minha parte, lamento, mas eu sou assim. E não se risca a vivência dos primeiros 20 anos da vida de ninguém; se aqui cheguei e hoje sou assim - e já ninguém diz que sou 'manienta', porque toda a gente que interessa sabe que eu tenho a minha maneira de ser - tenho muito orgulho, quanto mais não seja, de cá ter chegado, e não ter ficado pelo caminho, como podia ter acontecido fácilmente...

 

Gosto muito de vocês todos, apetece-me nomear, mas não o faço, porque se e esquecesse de alguém, seria injusto.

 

Muitos b'jinhos,

 

Fátima

14
Jan10

Porque é que as mulheres nunca vão sózinhas à casa-de-banho: o segredo finalmente desvendado...

Fátima Bento

 

"O grande segredo de todas as mulheres a respeito da casa de banho é que, quando eras pequenina, a tua mamã levava-te à casa de banho, ensinava-te a limpar o tampo da sanita com papel higiénico e depois punha tiras de papel cuidadosamente no perímetro da sanita.

Finalmente instruía-te: "nunca, nunca te sentes numa casa de banho pública!"

E depois ensinava-te a "posição", que consiste em balançar-te sobre a sanita numa posição de sentar-se sem que o teu corpo tenha contacto com o tampo.

"A Posição" é uma das primeiras lições de vida de uma menina, importante e necessária, que nos acompanha para o resto da vida. Mas ainda hoje, nos nossos anos de maioridade,  "a posição" é dolorosamente difícil de manter, sobretudo quando a tua bexiga está quase a rebentar.

Quando *TENS* de ir a uma casa de banho pública, encontras uma fila enorme de mulheres que até parece que o Brad Pitt está lá dentro. Por isso, resignas-te a esperar, sorrindo amavelmente para as outras mulheres que também cruzam as pernas e os braços, discretamente, na posição oficial de "tou aqui tou-me a mijar!".
 
Finalmente é a tua vez! E chega a típica "mãe com a menina que não aguentamais" (a minha filhota já não aguenta mais, desculpe, vou passar à frente, que pena! Clique em mim!). Então verificas por baixo de cada cubículo para ver se não há pernas. Estão todos ocupados.

 

Finalmente, abre-se um e lanças-te lá para dentro, quase derrubando a pessoa que ainda está a sair.

Entras e vês que a fechadura está estragada (está sempre!); não importa...

Penduras a mala no gancho que há na porta... QUAAAAAL?? Nunca há gancho!!

 

Inspeccionas a zona, o chão está cheio de líquidos indefinidos e fétidos, e não te atreves a pousá-la lá, por isso penduras a mala no pescoço enquanto vês como balança debaixo de ti, sem contar que a alça te desarticula o pescoço, porque a mala está cheia de coisinhas que foste metendo lá para dentro, durante 5 meses seguidos, e a maioria das quais não usas, mas que tens no caso de...

Mas, voltando à porta... como não tinha fechadura, a única opção é segurá-la com uma mão, enquanto com a outra baixas as calças num instante e pões-te "na posição"...

AAAAHHHHHH... finalmente, que alívio... mas é aí que as tuas coxas começam a tremer... porque nisto tudo já estás suspensa no ar há dois minutos, com as pernas flexionadas, as cuecas a cortarem-te a circulação das coxas, um braço estendido a fazer força na porta e uma mala de 5 quilos a cortar-te o pescoço!

 

Gostarias de te sentar, mas não tiveste tempo para limpar a sanita nem a tapaste com papel; interiormente achas que não iria acontecer nada, mas a voz da tua mãe faz eco na tua cabeça *"nunca te sentes numa sanita pública"*,e então ficas na "posição de aguíazinha", com as pernas a tremer... e por uma
falha no cálculo de distâncias, um finííííssimo fio do jacto salpica-te e molha-te até às meias!!

Com sorte não molhas os sapatos... é que adoptar "a posição" requer uma grande concentração e perícia.

 

Para distanciar a tua mente dessa desgraça, procuras o rolo de papel higiénico, maaaaaaaaaaas não hááááá!!! O suporte está vazio!
Então rezas aos céus para que, entre os 5 quilos de bugigangas que tens na mala, pendurada ao pescoço, haja um miserável lenço de papel... mas para procurar na tua mala tens de soltar a porta... ???? Duvidas um momento, mas não tens outro remédio.

 

E quando soltas a porta, alguém a empurra, dá-te uma
trolitada na cabeça que te deixa meio desorientada mas rapidamente tens de travá-la com um movimento rápido e brusco enquanto gritas: OCUPAAAAAADOOOOOOOOO!! Clique em mim!

E assim toda a gente que está à espera ouve a tua mensagem e já podes soltar a porta sem medo, ninguém vai tentar abri-la de novo (nisso as mulheres têm muito respeito umas pelas outras).

Encontras o lenço de papel!! Está todo enrugado, tipo um rolinho, mas não importa, fazes tudo para esticá-lo; finalmente consegues e limpas-te. Mas o lenço está tão velho e usado que já não absorve e molhas a mão toda; ou seja, valeu-te de muito o esforço de desenrugar o lenço só com uma mão… Clique em mim!

Ouves algures a voz de outra cota nas mesmas circunstâncias que tu "alguém tem um pedacinho de papel a mais?" Parva! Idiota!
 
Sem contar com o galo da marrada da porta, o linchamento da alça da mala, o suor que te corre pela testa, a mão a escorrer, a lembrança da tua mãe que estaria envergonhadíssima se te visse assim... porque ela nunca tocou numa sanita pública, porque, francamente, tu não sabes que doenças podes apanhar
ali, que até podes ficar grávida (lembram-se??).... Estás exausta! Quando páras já não sentes as pernas, arranjas-te rapidíssimo e puxas o autoclismo a fazer malabarismos com um pé, muito importante!... Clique em mim!

Depois lá vais para o lavatório. Está tudo cheio de agua (ou xixi? lembras-te do lenço de papel...), então não podes soltar a mala nem durante um segundo, pendura-la no teu ombro; não sabes como é que funciona a torneira com os sensores automáticos, então tocas até te sair um jactozito de água fresca, e consegues sabão, lavas-te numa posição do corcunda de Notre Dame para a mala não resvalar e ficar debaixo da água.
 

 Nem sequer usas o secador, é uma porcaria inútil, pelo que no fim secas as mãos nas tuas calças - porque não vais gastar um lenço de papel para isso - e sais...

Nesse momento vês o teu namorado, ou marido, que entrou e saiu da casa de banho dos homens e ainda teve tempo para ler um livro de Lobo Antunes enquanto te esperava.
"Mas por que é que demoraste tanto?" - pergunta-te o idiota.

 

Clique em mim! "Havia uma fila enorme" - limitas-te a dizer.

E é esta a razão pela qual as mulheres vão em grupo à casa de banho, por solidariedadeClique em mim!: uma segura-te na mala e no casaco, a outra na porta e a outra passa-te o lenço de papel debaixo da porta, e assim é muito mais fácil e rápido, pois só tens de te concentrar em manter "a posição" e *a dignidade*…"
 

 

Este texto foi-me hoje enviado por mail, e achei-o delicioso. Daí o ter postado aqui.
 
Autor desconhecido
 
Obrigado Carlos S.
 
B'jinhos
 
Fátima

 

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