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Diário de uma dona de casa 2.0

... à beira de um colapso

Diário de uma dona de casa 2.0

... à beira de um colapso

30
Out10

Porque anda há quem os tenha no sítio...

Fátima Bento

Chegou-me ás mãos este mail, que não posso deixar de partilhar, com um valente bravo ao abaixo assinado.

 

 
 
«Exmo. Senhor Ministro das Finanças
Victor Lopes da Gama Cerqueira, cidadão eleitor e contribuinte deste País, com o número de B.I. 8388517, do Arquivo de identificação de Lisboa, contribuinte n.º152115870 vem por este meio junto de V. Exa. para lhe fazer uma proposta:
A minha Esposa, Maria Amélia Pereira Gonçalves Sampaio Cerqueira, vítima de CANCRO DE MAMA em 2008, foi operada em 6 Janeiro com a extracção radical da mesma.
Por esta 'coisinha' sem qualquer importância foi-lhe atribuída uma incapacidade de 80%, imagine, que deu origem a que a minha Esposa tenha usufruído de alguns benefícios fiscais.
Assim, e tendo em conta as suas orientações, nomeadamente para a CGA, que confirmam que para si o CANCRO é uma questão de só menos importância.
Considerando ainda, o facto de V. Ex.ª, coerentemente, querer que para o ano seja retirado os benefícios fiscais, a qualquer um que ganhe um pouco mais do que o salário mínimo, venho propor a V. Ex.ª o seguinte:
A devolução do CANCRO de MAMA da minha Mulher a V. Exa. que, com os meus cumprimentos, o dará à sua Esposa ou Filha.
Concomitantemente com esta oferta gostaria que aceitasse para a sua Esposa ou Filha ainda:
a) Os seis (6) tratamentos de quimioterapia.
b) Os vinte e oito (28) tratamentos de radioterapia.
c) A angústia e a ansiedade que nós sofremos antes, durante e depois.
d) Os exames semestrais (que desperdício Senhor Ministro, terá que orientar o seu colega da saúde para acabar com este escândalo).
e) A ansiedade com que são acompanhados estes exames.
e) A angústia em que vivemos permanentemente. 

Em troca de V. Ex.ª ficar para si e para os seus com a doença da minha Esposa e os nossos sofrimentos eu DEVOLVEREI todos os benefícios fiscais de que a minha Esposa terá beneficiado, pedindo um empréstimo para o fazer.

Penso sinceramente que é uma proposta justa e com a qual, estou certo, a sua Esposa ou filha também estarão de acordo.

Grato pela atenção que possa dar a esta proposta, informo V. Exa. que darei conhecimento da mesma a Sua Ex.ª o Presidente da República, agradecendo fervorosamente o apoio que tem dispensado ao seu Governo e a medidas como esta e também o aumento de impostos aos reformados e outras...

Reservo-me ainda o direito (será que tenho direitos?) de divulgar esta carta como muito bem entender. E por isso peço a todos aqueles que receberem e lerem esta mensagem e se assim concordarem que enviem aos vossos amigos. Obrigado

Como V. Ex.ª não acreditará em Deus (por se considerar como tal...) e por isso dorme em paz, abraçando e beijando os seus, só lhe posso desejar que Deus lhe perdoe, porque eu não posso (jamais) perdoar-lhe.

Com os melhores cumprimentos,

Atentamente,
Victor Lopes da Gama Cerqueira.

CORDIALMENTE E A BEM DA NAÇÃO

29
Out10

Casa, mantinha nos joelhos, e tricot...

Fátima Bento

Estou a deitar política por todos os poros. Política e educação. Vai daí 'óspois, não quero falar de nenhum dos assuntos.

 

Estou a preparar um post que se vai chamar qualquer coisa como "linda de morrer sem se arruinar", ou quejandas, e será dividido em partes: beleza - depilação, basicos de rosto, maquiagem, mãos e pés, cabelo... - e roupa - ter olho para as oportunidades, adaptar as tendencias sem gastar muito, e dar bom ar a artigos baratuxos.

 

Portanto, vou tentar aproveitar o fim-de-semana para terminar as primeiras partes, e segunda-feira (não gosto de fazer promessas, falho sempre...) espero ter aqui o primeiro post.

 

De resto, este fim-de-semana não tenho planos (quem é que pode fazer planos com este tempo instável?), por isso vou continuar com o meu tricot, ver uns filmes, e prontx.

 

 

Bom fim de semana para todos! Se for caso disso, volto durante o fds.

 

B'jinhos!

28
Out10

"AI CRISTO, CRISTO, ANDA CÁ ABAIXO VER ISTO!

Fátima Bento

Não! Eu vou boicotar tudo quanto é notícias até ao dia (acho eu) 3 de Novembro. E se o orçamento passa, dão-me três coisinhas más! EU SEI que ficamos um bocado pior, mas mal por mal o meu dinheiro vai pre-ci-sa-men-te para onde é preciso. A ideia da gestão pelo FMI a duodécimos agrada-me sobremaneira. Mas nem é por isso que me está a fazer saltar a tampa, já que tenho sido uma menina linda e (tenho-me mordido toda mas) não tenho falado de política... é mais por isto:

 

Ontem foram os dois que se zangaram à conta da alegada negociação do OE, que aparentemente acabou antes de práticamente ter começado... hoje, abro o sapinho, e dou com isto:

 

Ora que saudades e começo a ter de ouvir o Saramago defender a Iberia... é que eu com castelhano ainda me desenrrasco, agora não falo nem entendo um boi de cantonês mandarim (como bem corrigido pelo meu amigo Carlos)...
Fora de brincadeiras, ESTÃO A GOZAR CONNOSCO, NÃO ESTÃO?
ESTÃO, NÃO ESTÃO?
só pode ser...
22
Out10

Para acabar de vez com o assunto

Fátima Bento

Acabei de apagar, em piloto automático, um comentário feito ao post anterior que, honestamente, preferia não ter apagado. Mas agora já não posso fazer nada a respeito, a não ser dizer que me chamavam a atenção, num tom nada simpático, para a leitura do (novo) estatuto do aluno, por forma a não desatar a insultar ninguém. Ora digo eu, não insultei ninguém, cingi-me aos factos. O meu filho faltou nos dias 29 e 1, e não faltou nos dias 6 e 8. Inclusive, foi-lhe marcada uma falta de atraso no dia 29, que gostaria que me explicassem, dado que não saimos de casa, nem ele nem eu, logo, não poderia ter chegado atrasado a uma aula a que não foi.

 

E é assim: deixar um comentário assinado "mãe" é daquelas coisas... não entendo porque o fez, dado que sei quem é. Isto de não dar a cara é tão feio... mas pronto, ficamos assim, que de gente pequenina já estou atestada, por forma que dá-me igual.

 

Clicando no link acima, os interessados podem ler o referido estatuto. No que diz respeito às faltas, a grande alteração prende-se com o facto do permitido ser o dobro dos tempos lectivos, ao invés do triplo. O que ainda torna mais grave o facto de terem sido registadas faltas que o meu filho não deu.

 

E para este peditório já dei. Falei com a DT, o que não adiantou, e agora o processo vai seguir para a direcção da escola.

 

Por isso, não tenciono voltar aqui ao assunto. Quanto mais não seja porque estou a alimentar um disparate; o numero de faltas do meu filho não é uma coisa preocupante, quanto a mim.

 

Por isso, este assunto acaba aqui.

 

 

 

 

 

 

20
Out10

De regresso à escola, as tretas do costume...

Fátima Bento

Ontem fui acordada pelo carteiro, com uma carta registada e com aviso de recepção.

 

 

Ora, eu não sei quanto a vocês, mas uma carta registada com aviso de receção não é coisa agradável de se receber... de todo. Dei uma olhada de fugida ao remetente, ainda na mão do carteiro, mesmo antes de assinar: Ministério da Educação. Pensei que era capaz de ser um qualquer comprovativo da bolsa que a Inês recebeu no 12º ano, para pôr no IRS - mas mesmo assim, estranhei tamanho aparato. Mas assinei e pronto. Abri o envelope e... era da escola do meu filhote, o registo de faltas: 18 faltas.

 

E pergunto eu: isto é razão para enviar uma carta nestes moldes?

 

Mais: eu tenho certeza das datas que vou dizer, uma vez que fiz anos a dois, e os dias anteriores estão frescos: no dia 29 o Tomás ficou em casa de cama, com crise de sinusite, quase nem conseguia abrir os olhos com as dores de cabeça. No dia seguinte, quinta-feira regressou ás aulas, mas na sexta-feira esteve de novo indisposto, e voltou a ficar em casa. A directora de turma ligou-me, no dia 7, inquirindo se eu sabia o número de faltas que o meu filho tinha. Expliquei a situação, e referi que, de facto, ainda não tinha justificado as faltas dadas. Ela insistiu que ele tinha chegado atrasado várias vezes, e pediu-me para justificar as faltas dadas, através da caderneta do aluno, o que fiz; o meu filho faltou nos dias 29 de Setembro e um de Outubro, por motivo de doença.

 

E hoje recebo uma carta que me diz o seguinte:

 

 

 "Serve a presente para a alertar para a quantidade de faltas do seu educando. Todas elas são injustificadas. Quanto à justificação apresentada pelo Tomás referentes aos dias 29 de Setembro e 1 de Outubro - motivo doença, informo que no dia 29, teve apenas falta de atraso a Matemática ao primeiro tempo e no dia 1 faltou apenas a Língua Portuguesa das 8:15 às 9h45.", e assina.

 

Segue-se uma lista com as faltas que o Tomás, alegadamente, deu. Todas injustificadas, inclusivé as que eu justifiquei. Presumo eu (o mais provável, erradamente, dado que nada bate com nada), que isso se deve ao facto de que nos dias assinalados nos dados apresentados, o meu filho não terá faltado a todas as aulas, logo não terá estado doente, e por isso, a sra professora não terá, eventualmente, aceitado a justificação.

 

Ou seja, chama-me mentirosa.

 

Agora, é assim.

 

Eu estava em casa nos dias em que o meu filho ficou doente. Ele não saíu de casa nesses dias, de modo que não poderia ter deixado de faltar ás outras aulas. E, eu sei que os dias em causa foram os que justifiquei.

 

Vai daí, fui analisar o registo de faltas. Precisamente uma semana depois, na quarta 6 e sexta 8, estão registadas faltas a todas as aulas desses dias. Ou seja, TROCARAM OS DIAS EM QUE O MEU FILHO FALTOU. E vai daí, o caminho mais curto entre dois pontos é chamar mentirosa à mãe e ralhar com o filho. Depois de já me ter informado por telefone no dia 7 (daí que se o puto tivesse estado doente no dia 8, como é comprovado no papel, eu ter-lhe-ía dito que tinha de justificar dois dias de faltas por ele ter estado doente, por antecipação, uma vez que ele faltou, alegadamente no dia seguinte!!!!).

 

Ou seja, etou realmente f@**d@ porque:

  1. A srª professora começa por me chamar mentirosa;
  2. A srª professora continua intuíndo que aqui a boa da mãe e E.E do aluno não o é o suficiente para, depois de contactada pela própria, ter repreendido o meu filho (se fosse caso disso), pelo que decide fazê-lo a própria;
  3. A srª professora, mais uma vez, partindo do mesmo pressuposto, de que eu serei estúpida, surda, sofrerei de Alzheimer, ou pura e simplesmente me estarei nas tintas para o meu filho e para o seu desempenho escolar, resolve repetir o que me disse por telefone, desta vez por escrito. E aproveita para, de caminho, apontar nas entrelinhas que a justificação apresentada é falsa;
  4. A srª professora, para vincar a urgência do assunto, decide enviar a carta registada. Mais ainda, para re-vincar a importância fulcral do assunto, envia um aviso de receção acoplado à mesma.

Ora, se tivermos em atenção a actual recessão económica, e o buraco negro com que as nossas parcas finanças estarão em contato em breve, NÃO DEVE HAVER NENHUMA MANEIRA MAIS IMPORTANTE PARA EMPREGAR O MEU DINHEIRO DE QUE NO REGISTO E AVISO DE RECEÇÃO. O meu e o de quem me lê. Isto foi o que me aludiu à mente quando vi o assunto da carta. Antes de fazer as considerações que mencionei acima.

 

Ou seja, amanhã é dia de atendimento da D.T. aos E.E., e eu vou lá (ó se vou!), para que a srª professora me explique qual o erro cometido, qual a razão de me ter chamado mentirosa, ter repreendido o meu filho, e ter enviado o registo de, na verdade, 9 faltas do meu filho, de forma a que eu, por mais demissionária que fosse, tivesse de enfrentar a realidade, e não pudesse alegar não ter recebido a informação.

 

Também existe outra hipótese, que é a da srª professora achar que o Tomás falsificou a minha assinatura e justificação, e ter enviado a carta dentro de uma armadura, por forma a que o Tomás não tivesse hipótese de a fazer desaparecer [já passei por isso com a Inês, uma das DT's dela achou estranhas que todas as faltas que deu (estava com uma depressão, e eram, de facto, muitas) surgissem justificadas, e quis confirmar que era mesmo eu que as assinava. Na reunião de turma, chamou-me em privado, e perguntou. Eu expliquei, assunto arrumado].

 

E neste caso esse pressuposto não se aplica, já que esta ligou, eu atendi, ela falou, eu justifiquei por telefone, e é difícil o Tomás, que tem um vozeirão grave, imitar a minha voz. E nem sequer atende o meu telefone sem autorização, mas isso a srª professora não tem como saber.

 

Portanto, amanhã a srª professora vai conhecer esta mãe demissionária. Vai ficar a saber que, entre outras coisas, não gosto que atirem o meu dinheiro à rua. Quanto ao resto, vamos conversar... a conversar a gente vai entender-se. Vai. Ponto parágrafo.

18
Out10

À procura de emprego, parte 522.321

Fátima Bento

Agorinha mesmo (são 13:45h), acabei de ver no meu mural no facebook, o anúncio que mostro abaixo. À partida, parece que até "encaixo" bem no perfil, mas reparem só no promenor que destaco:

 

Eis o anúncio:

 

Anúncio:

 
A empresa (...) na área das telecomunicações, recruta assistentes de loja para Lisboa.

Função:
- Assistente de Loja

Perfil:
- Boa dicção e fluência verbal
- Espírito de equipa
- Orientação para o cliente
- Óptimos conhecimentos de informatica na óptica do utilizador
- Experiência anterio em Loja
- 12 Ano de escolaridade ou frequência universitária


Horário:
- 09h às 20h (40h/semanais, horários rotativos)
- Folgas Rotativas

Local de trabalho:
- Centro de Lisboa/Sete Rios

Todos os interessados deverão enviar CV detalhado e fotografias de Cara e Corpo para (...), indicando a ref. (...). Só serão consideradas candidaturas com fotografias e CV completo
 

 

Agora digam-me: 

 

 

É normal um anúncio a pedir um assistente de loja requisitar uma foto de rosto E de corpo inteiro? De corpo inteiro por alma de quem?

 

Querem verificar se o/a candidato/a tem uma boa aparência física, i.e, se é magro, porventura? Para uma loja de telecomunicações só entram se tiveram um físico jeitosinho? Isto lá faz sentido????? Que para uma loja de roupa requisitem empregados/as que consigam vestir a roupa, identificando-se com a imagem da marca (não deixando de ser descriminação...) ainda consigo entender, mas NUMA LOJA DE TELECOMUNICAÇÕES?????

 

Então, digam-me, acham que vale a pena aqui a gaja, que até já passou dos 40, enviar o CV e as ditas fotos para lá? Olham para a data de nascimento, e usam a tecla delete! Prntx. Recebem o meu CV e pix's, mais os CV's e pixs de mocinhas de 20 aninhos - sim, que não é nada díficil ter experiência em computadores como utilizador, duh! - e vão chamar quem? É quem nem à entrevista chego!

 

Palavra de honra que uma pessoa fica parva com estas coisas... ainda me conseguem surpreender!

 

Irra!

16
Out10

E vão dezassete...

Fátima Bento

 

Hoje o meu romantismo anda ela por elas com o índice de confiança na proposta de orçamento de estado deste governo... não é que não esteja apaixonada pelo marido, com um novo e reforçado fôlego depois de um ano completamente desassossegado, mas a verdade é que estou cá mas a cabeça anda ás voltas, e mais voltas...

 

Por isso, quero só dizer que amo muito o Vitor, e voltava a casar amanhã - com ele, claro.

 

E que daqui a dezassete já estejamos cansados de tanto amor, saúde e dinheiro, ok?

 

(rai's parta a crise que me está a dar a volta ao miolo...)

 

 

 

Até aos dezoito, amor... aqui, no meu sítio do costume...

 

 

15
Out10

A Fátima e a Mafalda

Fátima Bento

Em meio a esta cinzentisse toda, ás vezes surge um raio de sol... chegou a minha encomenda com o livro que andava há uns meses para comprar - mas foi este mês, finalmente, que ganhei coragem e peguei no cartão fnac. O livro é uma delícia em imagens lindamente capturadas por um SENHOR fotógrafo, sobre a criatividade da nossa cozinheira favorita...

 

Eu, que sou uma dona-de-casa sofrível - nos meus melhores dias, que a falta de vocação impera teimosamente - já amei cozinhar, há uns bons anos atrás era, aliás, a única coisa que considerava fazer bem. Eu e quem comia o que saía do meu fogão. Com o tempo, a rotina fez instalar-se a máxima "que diacho hei-de fazer hoje para o jantar?" (mau grado o que aconselhei no 'dona-de-casices', que é de seguir, 'faz o que eu digo', e coise...), e o prazer de cozinhar foi-se desvanecendo. Pufff, e dei por mim a cozinhar quase sempre as mesmas coisas, arranjei maneira de atirar tudo para dentro do tacho e virar costas, num máximo de 15 minutos seguidos na cozinha, que não-há-pachorra-meus-senhores-não-há-pachorra. Daí a deixar práticamente de cozinhar foi um passo. Lasanhas de abrir a embalagem e pôr no forno, pizzas, e tudo de 'basta juntar água' e quejandos... devo dizer que virei mestre de inventar receitas que se fizessem sózinhas! Prazer? Qual prazer? Para quê?
Mas a minha vida anda a pasmaceira que se sabe (ou melhor, que eu sei), e, caramba, há que descobrir forma de tirar prazer de alguma coisa! Alguma coisa que não envolva gastos de maior ou menor monta, mas que me façam sorrir... que já ando a sentir falta de um sorriso daqueles que vêm cá do coração...
O que é que isto tem a ver com o livro da Mafalda? À primeira vista, nada. Mas a sua postura fez-me repensar os sonhos que deixamos cair ao longo da vida, tudo aquilo em que deixámos de acreditar ser possível à conta de outras tantas vezes que acreditámos, preseguimos arco-íris, para acabarmos de cara no chão... não consigo, neste momento, acreditar em sorrisos brilhantes, mas sou capaz de tentar reinventar a minha vida, nas pequenas coisas que nunca tentei fazer neste que é o meu reino, o único onde sou senhora de mim - o raio da casa. Porque com o ambiente sobrelotado de ruídos (leia-se coisas fora de sítio que nunca voltam para o seu lugar), e to-do-lists intermináveis onde se amontoam itens novos e não se riscam nenhuns, a frustração só pode ser uma constante.
 
É por isso tudo e mais qualquer coisa, altura de mudar.
 
E esta lufada de ar fresco do livro-bombom da Mafalda, deu-me vontade de arregaçar as mangas e voltar à cozinha. Numa primeira fase, para a racionalizar, partindo do pouco espaço que tenho - e que está subaproveitado - e numa segunda, para recriar as suas sugestõs que tem tanto de saudável como de delicioso.
 
E depois há o blogue dela, lindo, como só podia ser.
 
E apesar de, confesso, hoje estar em-dia-de-hibernação-se-me-deixasse-ir, vou ver se me convenço a ir andar meia hora, tomar um duche, e pôr mãos à obra.
 
B'jinhos para todos.
14
Out10

Comer, Orar, Amar, o filme...

Fátima Bento

 

Penso que toda a gente (sim, vocês três... ou pronto, vá lá, quatro...), já leu para aqui algures que eu regozijei-me com o livro "Comer, Orar, Amar", de Elizabeth Gilbert. Comprei a edição de bolso desconfiadíssima, não tresandasse a coisa a literatura de aeroporto, e aquela segunda palavrinha que compõe o título deixa-me assim a modos que de pêlo eriçado, por causa da minha a versão a religião, mas no que é que eu me vou meter, enquanto abria a primeira página, o que vale é que orar é na India, e isso terá a ver com espiritualidade, a despeito de reliçião, e tal e coiso, de sobrolho franzido.

 

Bom, está-se mesmo a ver que foi da segunda à última, não de seguida, que sempre são para cima de 400 páginas, mas quase... gostei, gostei muito, levezinho, mas sabe tão bem ler coisas levezinhas... e eu ultimamente até ando bem virada para o leve e de aeroporto, que para me fazer trabalhar os miolos, já basta o que já basta...

 

Portanto, gostei mesmo muito dos momentos que passei agarrada ao livro.

 

E eis senão quando, se começa a falar da adaptação da obra ao cinema. E logo a seguir, em Julia Roberts no Papel de Liz.

 

E... pronto, no dia 30 de Setembro a obra estrou em terras lusas. E eu, como milhares de portugueses, fui expectante - mas não em demasia - para o cinema, quarenta e oito horas depois.

 

A respeito do mesmo, devo dizer que parece fiel ao livro. Ainda fiz uns dois ou três sorrisos de-quem-está-a-voltar-a-ver-uma-cena-familiar, tal é a similaridade...

 

 

Mais, positivo ainda, o desmpenho deste grande senhor, Richard Jenkins, sem dúvida a melhor interpretação do filme, à beira do Óscar de Melhor Actor Secundário, coisa que lhe é mais que devida (lembra-se dele n'o The Visitor? Então estão à espera de quê para se deliciar com esse fantástico filme?).

 

O mesmo surge a meio do filme, na Indía, como um americano pragmático que ajuda Liz a desenvolver a sua espiritualidade (qual father-figure), sem grande paciência para as suas duvidas e incertezas de menina-rica-à-procura-não-se-sabe-bem-do-quê (isto porque no filme, é mesmo esta a imagem que passa da autora).

 

 

E há a Julia Roberts. Uma Julia de lábios deformados com a quantidade de colagénio lá injectado (quem estiver com atenção, nota que existem cenas filmadas antes e depois do trabalho acabado. A cena da casa de banho, no ínicio do filme, deixou-me os olhos a querer fugir das órbitas... porque é que a actriz com o mais doce e cobiçado sorriso de Hollywood cometeu tal barbaridade, é coisa que não consigo entender...), uma Julia a fazer de Roberts, sem trabalho de construção de personagem que se veja.

 

O resultado é uma Liz que, ao invés de andar à procura de si, em viagem de autodescoberta, está perdida à procura de timoneiro, que na India é o Texano, e em Bali é o brasileiro. E ainda por cima, (olhai a misógenia!) são ambos homens! Sou só eu ou isto tresanda a síndroma-do-principe-encantado? No livro as personagens existem, e há uma exitação no seu envolvimento com Felipe, já em Bali, mas por razões sólidas, enquanto que no filme, até ao "penúltimo frame", ela é uma gaiata perdida que não sabe o que quer. Isso adulterou completamente a 'mensagem' da autora, a 'sua verdade' no seu precurso.

 

Mais uma coisa boa, a presença de Javier Bardem, no seu melhor. Eu, ao contrário de toda a gente, não acho (ou achava?) nada de especial, mas neste filme/papel, ele está irresistível, e até fala português, com um perfeito sotaque brasileiro. Divino!

 

 

Resumindo, a minha apreciação global desta adaptação é negativa. Porque, para começar, o perfil da personagem princípal está não só alterado, como praticamente rodou a 180º. Porque o filme transcorre como o livro, o que em cinema não funciona, há que criar uma maior dinamica. Depois, passado o élan misguided de 'afinal o filme até é fiel ao livro', damos por nós com as mãos cheias de nada: porque bem vistas as coisas, Liz é uma balzaquiana superficial no início, e daí até ao fim não muda, apenas vira para onde o vento sopra, ao contrário de fazer mudanças profundas dentro de si, afinal o mote dado quanto ao livro/filme.

 

Não convence. De todo. Excetuando o Richard e o Felipe, perfeitos nos seus personagens, podem deitar fora e, já agora, agradecemos que não façam de novo, ok?

 

Obrigados!

12
Out10

À minha princesa

Fátima Bento

Glitter Graphics 

A minha princesa é linda. Vive no reino de Bué-Bué-Longe, mas é como se fosse mesmo aqui ao lado. A minha princesa é única, inimitável, insuperável, a não ser pela própria. Quando eu for grande quero ser como a minha princesa.

 

A minha princesa é independente, auto-suficiente, segura nas suas inseguranças, forte nas suas faiblesses. É uma Mulher com um M bem maiúsculo, Independente com I capital, e Amada daqui-até-à-lua-e-voltar-cem-vezes.

 

Chegou ao Reino-de-Bué-Bué-Longe a meio de Julho, com duas malas que continham umas dezenas de quilos de bagagem, muita vontade, e nenhuma ajuda: desaguou numa cidade que não conhecia, num país completamente estranho, com uma morada, e a pesquisa feita de como lá chegar. E chegou. E não conhecendo ninguém, em menos de nada já tinha um belo magote de amigos. E se 24 horas depois já estava a fazer o primeiro trial para um trabalho, 72h depois já tinha o emprego perfeito. Enquanto tratou da burocracia toda, que levou um mês e meio, deixou-se fica por casa, sem refilar, porque não havia dinheiro para transportes, e na capital de Bué-Bué-Longe, as carruagens custam os olhos da cara... e princesa que se preze tem de pagar a renda do quarto e comer, e os pais desta princesa estão ombro-a-ombro com o resto da aristocracia - falidos até à medula, pelo que durante aqueles quase dois meses não sobrou soldo para mais nada.

 

Não houveram reclamações, nem choradeias. A Infanta comportou-se como uma verdadeira princesa e esperou, com dignidade, a altura em que as coisas começassem a correr de feição.

 

E então a princesa começou as aulas na Universidade Metropolitana de Bué-Bué-Longe; começou a trabalhar no Museu do cinema; começou a trabalhar num restaurantesinho simpático.

 

A minha princesa é o meu orgulho. Descobriu todas as pechinchas possíveis para alimentação, na capital de Bué-Bué-Longe, para esticar as notas como se estas fossem elástico. Aprendeu a ser responsável como sempre foi, mas mais crescida. Tão crescida, que custa a crer que mudou de Reino ainda nem há três meses!

 

Tenho muito orgulho de poder dizer que ela é a minha princesa. muito orgulho nela, na pessoa fantástica que ela é, em tudo o que ela conquistou, e em tudo o que ela vai conseguir. Porque, para a minha princesa, o céu é o limite.

 

 

 

Adoro-te, princesa! Não mudes nunca!

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