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Diário de uma dona de casa 2.0

... à beira de um colapso

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10
Mar11

Dos Óscares ou, se fosse iogurte, já estava no caixote do lixo…

Fátima Bento

Antes de mais, a quem se detém aqui a ler umas linhas que já passaram de prazo há, digamos, uns dias, passo a explicar que aqui não escrevi nada sobre este assunto, porque andava para ver “O Discurso do Rei” há uma eternidade, e achei que sem o ver, não podia expressar a minha opinião com segurança... e, filmes visionados (finalmente!) passo a compartilhá-la. 

 

Posso começar pelo espectáculo de entrega dos prémios, saltando a carpete vermelha, que sobre isso já meio mundo escreveu e outro meio mundo comentou (engraçado, durante a apresentação, Anne usou um vestido azulão-metálico, Armani Privé, que me causou um impacto tal, que até agora não consigo perceber se gostei ou não…)

 

 

 

Estava tudo a postos para um final diverso do que foi: nítidamente, a juventude, desde a idade (e inexperiência da coisa) dos apresentadores, até o final com as criancinhas sobre o palco a entoar “over the rainbow”, e os ganhadores todos, de estatueta em riste, bichanavam-nos ao ouvido, a rede social. Nada de surpreendente, dado que até duas semanas antes da grande noite, era dado como certinho vencedor. E depois, o vento virou, mesmo sobre a linha de meta… as apostas viraram todas a favor de terras de Sua Majestade e do filme daí oriundo, e, além do mais-que-certo (que sempre o fora) Colin Firth, com o prémio para melhor actor, levantaram-se rumores sobre as estatuetas de melhor filme e melhor realização irem, tambem para “O Discurso do Rei”. E o resultado foi o que se viu a 27.

 

E posto isto, que dizer sobre a atribuição dos prémios? Em primeiro lugar, não vi o “The fighter/O último round”, pelo que nada posso dizer nada sobre os Óscares de melhores secundários. No entanto, e tendo em conta o grande actor que é Christian Bale, acredito que o tenha merecido, pese embora o facto que me custou ver Geoffrey Rush continuar sentado... melhor guarda roupa, Alice segundo Tim Burton, e direcção artística, mais que bem; cinematografia, efeitos sonoros, e efeitos especiais, tutti quanti, Inception/A Origem, bravo, já que se ficou por aqui, coisa que traduz bem o que, na minha opinião, o filme vale. Melhor canção pareceu-me mal atribuído, mas ainda não vi o Toy Story 3, (que arrecadou o Óscar de melhor filme de animação) e o som estava de tal modo mau, que não gostei. Gostei, isso sim da (batidíssima) balada de Tangled/Entrelaçados. A terceira nomeada, do filme 127 horas, valia o que valia – encaixa no filme que nem uma luva, mas isolada destoa. E a Gwyneth estava linda, nervosíssima, mas a canção era vulgar demais para aspirar ao prémio. Melhor argumento (merecidíssimo) e melhor banda sonora (brilhante) para The Social Network, que lhes juntou o prémio de melhor edição e por aqui se ficou.

 

 

Entrando nos ‘prémios grandes’, um mais-que-perfeito Óscar para Natalie Portman, inatacável em “Black Swan”, maravilhosa.

 

 

 

 

 

 

Colin Firth agarrou a desejada (e suada, nas duas últimas semanas compareceu em 4 a 5 festas por noite para, como dizem no meio, apertar as mãos certas) estatueta, que dispensava qualquer máquina de marketing já que Firth é inteiro em cada papel que representa, e George VI é até agora o papel da sua carreira. 

 

 

 

Não tivesse havido “King’s speech” este ano e James Franco, pelo seu papel em "127 hours", teria apertado o careca dourado na mão, também merecidamente – não são todos que seguram 97 minutos de filme a solo (tirando duas ou três aparições secundaríssimas), e com distinção.

 

E agora, a porquinha torce o rabo... melhor realizador Tom Hooper. WTF? Não vou tentar minorar a minudência do trabalho do senhor: se a perfeição existe, este filme é perfeito. Mas os cenários estão criados, os actores fazem o filme, a história não aceita angulos inovadores... Este Óscar, independentemente do premio de melhor filme ter sido entregue ao “Speech”, deveria ter ido para David Fincher, para o seu trabalho em “The Social Network” feito com um cast de actores desconhecidos, que ainda nem tinham entrado para o rol das esperanças de Hollywood (sim, eu sei que o Jesse Eisenberg fez o Zombieland. Obrigado por reforçarem o valor da minha opinião), e ter feito um filme absolutamente genial, com a cadência certa, no ritmo perfeito.

 

Quanto ao Óscar de melhor filme, a apresentação spoiler dos nomeados, fez-me querer levantar do sofá e desligar a tv antes do anuncio final. Mas o óscar para "The King's Speech" foi um prémio merecido, e vou repetir o que disse atrás: se a perfeição existe, este filme é perfeito.

Não tivesse o Rei botado discurso, e teríamos uma entrega a encaixar no mise-en-scéne preparado: os vencedores seriam todos jovens, e grandes esperanças. Assim, ganhou a certeza, o seguro. Que em momentos de instabilidade, política e económica, é um indicativo de segurança.

 

De qualquer forma, é agradável olhar para um ano em que foram feitas coisas realmente boas, e em que desta vez, foi mesmo preciso esperar que “a senhora gorda cantasse” * para saber who did it. E isto de só saber o desfecho no fim tem o bom das surpresas. Mesmo quando o final é diferente do desejado...

 

 

 * da expressão inglesa it isn't over until the fat lady sings, 'não acabou enquanto a senhora gorda não cantar'.

 

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