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Diário de uma dona de casa 2.0

... à beira de um colapso

Diário de uma dona de casa 2.0

... à beira de um colapso

29
Set11

Dramalhão de caixão à cova, ou Ai Carina dum catano...

Fátima Bento

Estou aqui a ver a Activa deste mês, e passou-me agora entre os dedos um artigo de seu nome 'Epilepsia sem dramas'.

Qual epilepsia sem dramas!

Ontem à noite rendi-me às evidências de que a gaiola (ou jaula, como gosto de lhe chamar) das gerbas tinha de ser mudada (já vão perceber a co-relação). É que as evidências já me tinham tocado na ponta do nariz, eu é que capitulava sempre... ah, à hora do almoço não, que se alguma foge, não consigo ir trabalhar de tarde, levo o resto do dia à procura , e ah, boa, agora que ía limpar a gaiola não encontro as raspas de madeira! Dia seguinte saio de casa mais cedo, e páro na loja dos animais para comprar as raspas. De 'brinde' - para as ratas, não para mim, que o paguei – trago um tubo de cartão cheio de algodão comestível, para fazerem a 'cama'. Escusado será dizer que à noite “esqueci-me” de mudar a gaiola. Mas ontem decidi-me: hoje é o dia. Agoniada (já vão perceber porquê) de antecipação, mal vi que a Piccolina tinha saído do meu quarto (onde estivera a dormir duas ou três horas sobre a cama), agarro na gaiola e 'bora lá'! A piolhita ficou do lado de fora da porta a chorar durante toda a operação... mas o que interessa nem é o que se passou do lado de fora da porta... é mais o que se passou – e passa sempre – do lado de dentro...

Ora bem, eu acho que aqui há coisa de um ano, quando adotei as ratinhas, contei por aqui que quando lhes mudava a gaiola, a Carina tinha sempre um fanico. Acho que contei, se não contei,  fica contado. Agora de cada vez que lhe mudo a gaiola, o fanico é maior. Tem sezões, fica imóvel e, ato contínuo... dispara. Dispara numa velocidade indiscritível contra as coisas que estiverem no caminho. Descobri que se a tapasse, ela parava de disparar. Funcionou duas vezes. Mas ontem não, de todo. O bicho começa a tremer, imobiliza-se, e eu tapo-a com o lençol. E começo a ver o lençol em sopetões. Ede repente, zzzzzzzzuuuuuuuuttttttttt, e aterra em cima de uma pilha de livros do meu lado da cama. Salto para a agarrar, mas zzzzzzzzuuuuuuuuttttttttt, e bate com a cabeça numa das caixas de plástico que estão debaixo da cama. Vejo-a imóvel, estico as mãos, toco-lhe, mas o bicho parece uma enguia, e foge-me por entre os dedos. De um salto, atravessa a cama de um lado ao outro, e dá cabeçadas nos sapatos do Vitor, oiço, que aquilo é velocidade demais para mim.

Rodopio e debruço-me para tentar agarrá-la, ao mesmo tempo que 'controlo' a Chiara, que anda toda feliz a fazer o perímetro da cama, escondendo-se entre as almofadas.

Baixo-me, agarro na Carina e embrulho-a numa toalha, que ponho sobre a cama, por baixo do lençol. Imobilza-se completamente, soerguida, a respiração pesada. Tiro as raspas sujas de dentro da gaiola e passo-lhe um pano húmido. Ponho as novas, e o algodão. Entrementes, juntei a Chiara à Carina e estão a brincar. A Carina estaca cada vez que digo o seu nome, em pé, diz-me no pasa nada! e segue na brincadeira com a Chiara. Habitualmente deixo, mas hoje não. Pego na Carina e meto-a sobre as raspas de madeira, e encosto as grades. A Chiara, que adora que lhe mudem a gaiola para andar à vontade, foge, mas lá a agarro (o pelo delas é tão sedoso que as gajas escapam com uma facilidade do camandro...) e tunga para junto da irmã. Fica danada e põe-se a roer as grades, tant pis!, quero lá saber. A minha respiração está afanada, entrecortada, nem sei bem.

Agarro na gaiola, abro a porta e a Piccolina saúde-me com um 'tava a ver que não, porque é que demoraste tanto, avózinha, e eu respondo-lhe é trrréu, é! Eu dou-te o trrréu!

Caramba, uma gata zarolha que não sabe fazer minhau, e uma gerba epilética!

Entro na sala, e o marido pergunta 'então como é que foi?', e eu respondo-lhe com um revirar de  olhos enjoado enquano pouso a gaiola 'pior que das outras vezes, e desato a metralhá-lo com palavras a descrever o acontecido. Estou sem folego, a adrenalina tinha de sair, mas continua a custar-me a respirar, estou agoniada e penso é sempre a mesma coisa.

 

Para a próxima vez vou armada de caixa de cartão. Acabou-se a liberdade, caracoles!

 

Assim não chego a netos, chiça!

29
Set11

A minha filha

Fátima Bento

Eu já aqui falei da minha filha? Não falei pois não? Bem me parecia =o)

A minha filha está a viver em Londres desde o dia 11 de Agosto de 2010. Acabado o 12º ano, e depois de muita burocracia, de muita coisa que se pagou para ser feito e não foi, e que ela teve de ir fazendo, no dia marcado fomos levá-la ao aeroporto. Nem deu para a lágrima vir ao olho (aquilo é sono, não inventem, se eu digo que ninguém chorou é porque não chorou, canudo!), que o check in foi feito a correr (pudera, o raio do aeroporto é tão grande que para chegar à porta de embarque podemos levar 10 ou 15 minutos...), e 'tirei a foto', na minha memória, dela a dizer-me adeus, para lá da barreira de segurança... ok não ME estava a acenar, estava-NOS a dizer adeus, mas na minha memória ficou registado o olhar dela no meu. Prontx. 

E foi, para um país que não conhecia, para uma cidade que nunca tinha pisado, onde não conhecia ninguém, com 40 quilos de bagagem, £400 e uma morada no bolso. Quando chegou ligou a dizer 'estou à espera da bagagem', e mais tarde, 'já estou em casa'. Ela praticamente tinha decorado a parte do mapa do tube que lhe interessava, e sabia o que estava a fazer.

Dois dias depois estava a trabalhar, que enrascada é coisa que ela nunca foi. 

Passou, entretanto um ano. A Inês conquistou a sua independência - é completamente autónoma, e não deve nada a ninguém, 'faz pela vida', move céus e terra mas resolve os seus problemas e trabalha que nem uma doida para pagar as suas contas todinhas. O que mudou neste ano? Basicamente tudo. Mudou-se de um quarto pequenino numa casa com condições assim muito... poucas, para um quarto grande numa casa a sério. Passou para 'tour guide no London Film Museum, onde ainda trabalha. E está agora a participar no set do novo filme do Danny Boylecomo runner – o nome dela há-de aparecer nos créditos do filme – e ela é aquela menina que nem se aproxima dos atores – para quê, não me dizem nada – e fica com os outros todos, produtores, técnicos de fotografia, efeitos especiais... é aquela a quem dizem que pode ir embora às seis, e fica até às oito, só para ficar a vê-los trabalhar, para aprender como se faz...

A minha Inês é uma Mulher com um M muito grande, uma mulher de armas que não baixa os braços e vai à luta, e pode morrer a lutar, mas luta até morrer.

Um dia a minha Inês há-de subir ao palco do Kodak Theater e há-de dedicar o Óscar à mãe, como combinámos, mas até nem é que a mãe o mereça, porque tem estado menos presente de que sente que devia, sem poder fazer nada senão dar-lhe ânimo, e lembrá-la da pessoa fabulosa que a minha Inês é.

Um dia a minha filha há-de ser reconhecida por ser a pessoa GRANDE que é, e que tem o mundo aos pés, porque o pôs lá. Nada lhe veio parar às mãos, ela tem ido atrás de tudo, e tem tecido a magnífica tapeçaria que terá um valor incalculável, sempre.

Um dia, a minha Inês já não é minha. A minha Inês não é de cá, nem daqui. A minha filha nasceu portuguesa, sente-se portuguesa, mas no fundo não tem nacionalidade: nunca a frase de Sócrates encaixou melhor a ninguém: 'eu sou um cidadão do mundo'.

 

A minha filha é de onde estiver. Pode ser em Londres, pode ser em Los Angeles, pode ser cá, quando vem passar o Natal connosco.

 

Eu sou mesmo mesmo fã da minha filha.

 

E, quando eu fôr grande quero ter metade da força dela.

(adoro-te, miúda, e tou com saudades. Não mudes, ó fáchavor!)

29
Set11

O S. Pedro anda a fumar qualquer coisa que não deve...

Fátima Bento

Estou fartiiiinha deste tempo variado. Eu já suspiro por ter de vestir um cardiganzito por cima da t-shirt, 'tão a ver? Ou uma blusinha com manga ¾... Qual quê! Estou vestida com a mesma roupa que usava em Agosto! Túnica com alças, leggings pelo joelho e sandálias rasas daquelas que deixam o pé todo de fora. Onde já se viu, estamos a entrar em Outubro! Tudo bem que não para estar frio, mas 29º é um insulto. E ainda por cima os 29º de hoje são parvos, daqueles que nos deixam todos peganhentos!

Arrghhhh!!!!

Para quem tem acompanhado a odisseia-pai, o senhor está a recuperar que é uma maravilha! É a tal coisa, nem parece que fez duas cirurgias em menos de dois meses. No fim disto tudo ainda vou ter de ir agradecer ao médico pelo bom trabalho que fez (não fez mais que a sua obrigação, mas, eh pah, é o MEU pai, e eu só tenho um, e... bom, não é como gostar de um filho... mas é quase... digo já que o pior dia deste ano foi, sem dúvida aquele que passei em Évora aquando da segunda cirurgia. Quando são duas pessoas, sempre se distraem uma à outra, agora assim... correu tudo muito bem, diverti-me, e coiso, até ele descer para o bloco. A partir daí... mas já passou e ele está ali fresco que nem uma alface, e como diz o meu psi, 'há-de morrer de velho'. Se deus quiser).

 

E então é assim. Quinta-feira, um calor do camandro, o meu pai todo fresco. 

E prontx.

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