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Diário de uma dona de casa 2.0

... à beira de um colapso

Diário de uma dona de casa 2.0

... à beira de um colapso

11
Mar13

Quando decidimos ser mães a tempo inteiro, a coisa devia ser como os iogurtes e trazer prazo de validade

Fátima Bento

Pois que quanto mais os infantes crescem, mais as coisas se complicam.

aqui falei das saudades que tenho do tempo de bebés e de todas as maleitas associadas a esse tempo, que nos pareciam o fim-do-mundo, e que sei agora, passados estes anos todos, que não eram nada do que podem ser. Detesto visceralmente 'a lei de murphy', mas é mesmo isso, se as coisas puderem ficar mesmo más, ficam. E se puderem ficar piores, ah, pois ficam. Diz a otimista!, mas às vezes não há volta a dar, espreitemos seja por que angulo for, a coisa é preta. Ponto.

E a gente habitua-se, e a gente opta por tentar sempre encontrar um foco de esperança, que os há, ainda que muitas vezes débeis, e agarramo-nos a ele, como uma bóia de sinalização, tomamos folego e atiramo-nos ao mar até chegar à seguinte. Mas as bóias não estão equidistantes, nem estão lá todas. E volta e meia a gente tem a sensação que já não tem força para nadar mais, a ondulação está demasiado agitada para boiar, e parece mesmo-mesmo-mesmo que vamos afogar-nos.

 

E é nesses dias assim que desisto. 

 

Desisto de tentar encontrar sentido nesta porcaria toda, desisto de entrar na brincadeira, mesmo quando não é brincadeira, e sei bem que não é, mas me faço de parva para aguentar o embate, e limito-me a ir até ao meu quarto, fechar a porta, tomo dois ou três comprimidos, tapo-me até ao pescoço, leio dez minutos e durmo.

O máximo possível.

Se mais não for, para recarregar baterias para o próximo embate.

Porque disponibilidade 24/7 custa. Ao fim de 22 anos, custa mesmo muito. Já não há idade, disposição, nem poder de encaixe para as novas variáveis.

E a força começa a falhar...

11
Mar13

Eu e as planificações...

Fátima Bento

Não gosto de fazer planos. A serio, não gosto mesmo.

Acho piada (não tomem isto como ofensivo, nem nada do género, p'amor da santa) àquelas pessoas que se organizam, por exemplo, para o que vão ler nos próximos três meses. Acho.

Eu, que leio que me desunho, mas até podia ler mais e sei bem disso, não me consigo imaginar a fazer uma lista de títulos, quiçá a empilhar os volumes e a decidir são estes. Até dou de barato que a ordem fosse aleatória, mas aflige-me. Daqui do sofá, olho para a estante e vou dar um exemplo... um por semana até ao final de Abril:

 

Março

  • semana de 09-16: A Cabana Wm Paul Young
  • semana de 17-23: Ilha Teresa Richard Zimler
  • semana de 24-31: Memória de elefante António Lobo Antunes

Abril

  • semana de 01-07: Auto-retrato do escritor Haruki Murakami
  • semana de 08-14: Maudit Karma David Safier
  • semana de 15-21: Inteligência, Osho
  • semana de 22-28: The cradle will fall, Mary Higgins Clark
Bonito, não é? Bonito, fazível, arrumadinho, e, aqui é que reside o busílis da questão, previsível.
Por exemplo, agora estou a ler um livro no reader, acho que se lhe pode pôr o selo de policial, embora eu prefira chamar-lhe thriller, já que não mete polícia (os da Mary Higgins Clark também não, e são policiais, por isso...) que se chama 'You dont want to know', da autoria de Lisa Jackson. Li a 'amostra' na sexta à noite, e comprei o livro na manhã seguinte. E é um prazer fazer assim: apetece-me
Argumentos contra: o preço não vale, o livro custou-me pouco mais de que uma revista, €5,40. Por isso passemos ao argumento que pesa mais na minha consciência: quilos de livros por ler nas prateleiras. E eu a saltitar e a procurar coisas novas enquanto deixo para trás o que já tenho. Mau, muito mau, dona Fátima!
Acho que das largas dezenas de tomos que povoam as prateleiras, nem 50%/50% se podem considerar lidos/por ler.
Mas a questão aqui, é programar um prazer.
Li no final do ano passado, um livro da Laura Vanderkam, "168 hours, You have more time than you think". É muito bom, mas assusta-me um bocadinho a ideia de primeiro, fazer a contabilização, quase ao minuto, de como gastamos as nossas 168 horas numa semana 'normal'; depois a posterior planificação de onde podemos cortar excessos, a substituir por outras tarefas mais úteis - e a definição de útil aqui pode aplicar-se ao que nos dá mais prazer, não é tratar-nos como se fossemos máquinas... - embora eu fique sempre com essa sensação.
Quem já leu 'O poder do agora' de Eckart Tolle, ou está por dentro da filosofia zen-budista (e, já agora, Osho fala sobre este mesmo assunto em 'Liberdade', da lista acima, e que também estou a ler agora), terá uma ideia do que estou a falar. O importante não é planear o que vou fazer... o importante é o que faço, porque só tem valor o que se passa agora, não que se passou há uma hora, nem o que se vai passar daqui a cinco minutos.
Isto já para não mencionar as expectativas: fazes a lista surgem atividades inesperadas, e começas a derrapar, o que vai criar-te ansiedade, que vai aumentando à medida que o tempo vai passando e os livros começam a escorregar para fora da 'time-table' que criaste, e acabas a sentir que falhaste. Parar evitar isso, também podes desandar a ler numa velocidade demasiado acelerada para desfrutares do conteúdo do livro, e esqueces que o verdadeiro prazer da viagem consiste em percorrer o caminho, não em chegar ao destino, passo o cliché.
Não se enganem, porém: gosto de listas. De fazer listas, de ler listas, mas listas sem prazos de validade. Os prazos arrepiam-me um bocadinho, para não dizer um bocadão.
Há forma de atingir objetivos sem nos colarmos datas no calendário, e que resultam.
Sugestão: conheçam um senhor chamado Leo Babauta. Além de uns quantos livros editados -  em inglês ou francês - tem um blogue fantástico, que podem conhecer aqui. Vale a pena, muito a pena.

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