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Diário de uma dona de casa 2.0

... à beira de um colapso



Quinta-feira, 16.01.14

Segundo, thumbs down - as amizades e as "amizades" - ou nem tudo o que parece é

  1. Aqui há algum tempo uma colega blogger comentou que não me consegue ler porque a minha escrita é triste. Não me aborreci nada com isso. Pensei no assunto e sim, a minha escrita acaba muitas e muitas vezes por resvalar para o triste, principalmente nestes , repito, dois (três...) últimos anos. É um facto, contra o que não existem argumentos. Concordei e continuo - e continuarei - a ler o que ela escreve, porque gosto imenso - da pessoa que adivinho por entre os posts, as fotos, as partilhas (que hoje em dia já nem é preciso pôr foto no blogue, 'a gente' conhece-se todos e todas. Chama-se Instagram e recomenda-se). Ou seja, conheço-a à coisa de um ano, pouco mais ou menos, de forma virtual, já nos cruzámos e não nos reconhecemos, apercebi-me dela numa filmagem. Só isso. Mas acredito que exista genuinidade na blogosfera (mais que nas redes sociais per si), e que acabamos por nos conhecer um bocadinho quando 'nos acompanhamos' - gosto mais desse termo que de 'nos seguimos', soa a stalking...
  2. Aqui há uns dias coloquei um post a pedir feed backs em relação aqui ao cantinho, que me anda a parecer chatinho. E recebi um comentário um amigo de longa data, e por longa data refiro-me a seis ou sete anos. Esse meu amigo dizia o que pode ser lido se carregarem aqui, nomeadamente "Este blog tornou-se chato, secante e por vezes desinteressante, porque te vens tornando uma "tia dondoca" (o que é bem longe da Fátima que eu conheci e admiro!)." Este amigo conhece-me pessoalmente, embora não nos cruzemos acredito que à coisa de quatro anos, depois de eu ter tentado infrutiferas vezes convencê-lo a encontrar-nos para um café. Portanto o que lhe chega é o que aqui escrevo. MAIS NADA.

Agora um esclarecimento, que quem é blogger pode passar adiante: aqui, neste canto como em todos, não escrevemos tudo. E quando menciono 'tudo', refiro-me a re-fe-rir de-ta-lha-da e pro-me-no-ri-za-da-men-te o que se passa na nossa vida. Não conheço nenhum blogue onde isso aconteça, e pelo menos posso garantir que não é para isso que o meu serve... às vezes desabafo de uma maneira tão encriptada, que quando passado algum tempo volto a ler o que escrevi, percebo que estava chateada mas não faço ideia com quê ou quem. 

 

Por isso, é-me muito facil aceitar que quem não me conhece de mais lado nenhum senão da blogosfera e das redes sociais me considere uma pessoa triste quando tropeçou em mim precisamente nos dois anos mais tristes da minha vida. Em que não poderia nunca ter tido uma escrita alegre, feliz, livre de preocupações. Ainda agora posso fintá-las, mas volta na volta levo com uma avalanche de desgraceiras que me deixa o otimismo pela hora da morte ou escondido debaixo da cama até melhores dias. Porque ainda é assim, e ainda vai ser assim durante mais uns meses. Não estou a ser pessimista, é como as coisas são. Sofri duas perdas irreparáveis, uma a seguir à outra, e nos intervalos tive de lidar com situações que, só de si, deixavam qualquer um a puxar os cabelos. Um pequenissimo exemplo, e juro que foi a coisa menos complicada que "me" aconteceu nos ultimos tempos: a minha filha, há pouco mais de uma semana foi assaltada. Em Londres. Levaram-lhe além do resto, todos os documetos. Ela está lá, eu aqui. O que lhe aconteceu, acontecia em qualquer lado, mas embora já me tenha mentalizado que a sensação de impotência FAZ PARTE e que no início, com os outros problemas que teve (sim, durante esta tormenta também) foi muito mais assustador, e deixou-me muitas vezes sem chão. Ora experimentem ouvir uma coisa do genero 'tenho medo, se me atirar da ponte pedonal ao Thames ninguém vai dar conta...' e pensem lá se ficam porreiros e otimistas istoenquanto o pai está com um cancro aqui e o sogro com outro além (e infelizmente não estou a fazer piadas nem a juntar três casos isolados, aconteceu tudo ao mesmo tempo, e durante bastante tempo).

Ora tentem lá ser otimistas, bem dispostos e sorridentes quando morre um sogro, e onze meses depois um pai. E enquanto isto, durante três anos, andam com um filho de medico em medico porque ninguém acerta, e a coisa é suficientemente grave para lhe afetar a qualidade de vida, e inevitávelmente a de todos nós. Isto enquanto a outra filha lá longe tentava também acertar com um médico que dagnosticasse e medicasse a depressão. Isto enquanto me digladiava com a MINHA (salvo seja) depressão - que me fazia companhia há 33 anos.

Claro que a minha colega não tinha em posse todos os dados (nem poderia ter), e não poderia construir o puzzle. Mas mesmo que conseguisse, poderia sempre assumir o que assumiu, é correto.

Já o meu amoigo, NÃO DEVIA assumir o que assumiu. 

Isto claro, a ser meu amigo.

(quanto à suposta frivolidade/fútilidade fica prometido outro post - mas não agendado, que se há coisa que me bloqueia de há bastante tempo para cá são deadlines).

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por Fátima Bento às 20:20

Quinta-feira, 16.01.14

Primeiro, thumbs up: fui ao cinema.

E vi um filme simples, um remake, ''A Vida secreta de Walter Mitty"

É um filme ternurento, com um Ben Stiller num desempenho bastante convincente e num excelente trabalho de realização. A fotografia é excelente, tem planos MA-RA-VI-LHO-SOS, e o final... bom presumo que seja igual ao do original, mas como não vi o original, comoveu-me.

Não, não chorei, mas comoveu-me.

O tipo de pick me up movie para ver quando achamos que a nossa vida é uma chatice, não temos saída, uma porcaria atrás de outra

(estou a soar familiar, não estou? lalalalalaalalala...)

e coiso.

Não entro naquelas minhas loucuras de dar seis de cinco e tcah-tchan, mas dou-lhe

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sem nenhum sinal mais acoplado.

 

 

Já o Blue Jasmine, que vi no fim-de-semana, esse leva

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E a Cate Blanchet (o que é que esta gente faz ao rosto? A foto da pagina... cruzes...) leva um Óscar. Ai leva, leva.  Está simplesmente F-A-B-U-L-O-S-A!!!!!  

Volta Woody Allen, esás perdoado e em grande!

Agora fiquei num pulguedo danado para ir ver "A rapariga que roubava livros.Diz que estreia já na próxima semana :)

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por Fátima Bento às 17:23

Quinta-feira, 16.01.14

Do melhor do mundo #1 - Cântico Negro, de José Régio

Olha que coisa mais linda!

 

do GRANDE José Régio,

CÂNTICO NEGRO

«"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!»

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por Fátima Bento às 13:00

Quinta-feira, 16.01.14

Poupança boa para uns mimos extra ou um Natal tranquilo...

A Kat, do blogue Daydreams, deu, há dois dias, uma excelente ideia para puparmos uma quantia agradável ao longo do ano Verifiquem no blogue (cliquem no URL, a frase sublinhada atrás, para serem dirigidos para o blogue da Kat)

"O objectivo é simples e consta em pormos de parte o valor correspondente ao número das diferentes semanas do ano, ou seja, na semana 1 pomos 1€ de lado e na semana 17, pomos 17€, e é sempre assim até chegarmos ao final do ano. Diz que, se cumprirmos o programa à risca, chegamos ao final do ano com quase 1400€."

(foto da mesma fonte)
Eu, por mim, vou experimentar já - assim cum'ássim, neste momento "" tenho de pôr €5,00...
Obrigado, Kat!

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por Fátima Bento às 10:09

Quinta-feira, 16.01.14

A bola de Ouro de Ronaldo - e a minha fatia do prémio (finalmente explicada)

E pronto.

Hoje é quinta, a bola foi entregue na segunda, por isso, na minha timeline (que é o atraso permanente), está na altura de falar nisso.

A tv estava em direto.

Eu estava no sofá, já tinha roído as unhas, o coração batia descompassado, e as gatas dormiam, uma ao meu lado - a ruiva Mia, e no outro sofá, a Piccolina, profundamente e relaxadíssimas.

Entra o Pelé para entregar a bola.

Abre o envelope e faz a pausa.

Eu páro de respirar.

Não se ouve uma mosca.

As bichanas continuam a xónar 'na paz do senhor'.

Ouço 'Crischtjiano Raounáldou'.

Dou um salto e grito. Um daqueles gritos de abanar a estrutura do prédio, "YESSSS!" A Mia, acorda estremunhada, e assustada 'aiqueestãoafazermalàminhamommyparaelagritardestamaneira' e tunga, ataca-me a perna, espetando-lhe as unhas. Eu sinto a dor mas quero lá saber. A piolhita dá 'às de vila diogo'. Eu páro e observo o que se passa no écran por uns segundos. A Mia vai sair da sala pelo hirsuto, do dobro do tamanho. Dou segundo grito, fôlego já recuperado. E é então que a puta da gata ruiva Mia volta atrás, olha para mim... e salta-me á perna, ficando pendurada.

E foi assim que eu fiquei assim:

... e foi assim que a Piccolina passou a noite toda no seu safe place: debaixo da cabine de duche (só saiu de lá na manhã seguinte). Já a ruiva destrambelhada, passados 30 minutos já dormia encostada a mim como se 'no pasó nada'.

E pronto... cada um recebe o que merece (eheheheh)

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por Fátima Bento às 08:54


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