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... à beira de um colapso
Nao sei se lembram, estou nesta casa vão fazer dois anos em Dezembro. A casa foi completamente remodelada, paredes, chão, cozinha e casa de banho de raiz, the hole deal. Ou seja, quando nos mudamos, mudámo-nos para uma casa nova, a estrear, barrada a qualquer tipo de insecto ou companhia - nem faria sentido a existência de tal isso numa casa em que tudo, do chão ao tecto, cheirava a novo.
Passados uns quatro meses, a vizinhança começa a queixar-se do aparecimento de baratas. Vi, de facto, duas a subir - ou seria a descer? - as escadas do prédio. E a minha vizinha da frente queixou-se e as do rés-do-chão também, e eu aqui, feliz e blindada. Ate que começaram a aparecer umas minúsculas - algumas pareciam ciscos, que tinham que levar um piparote para a gente descobrir que aquele não se limpava - esborrachava-se.
E depois uma pequenita, ruiva (arrgh!!) mudou-se sub-repticiamente para o armário que divide as caixas de chá com a "aparelhagem" Bodum. Um belo dia, a levantar a porta-guilhotina, travamos conhecimento, olhos nos olhos, e antes de sequer gritar, baixei a porta, e decapitei-a. E depois, ya, gritei.
Uma tarde, no meu quarto, estou a arrumar umas coisas e passa uma tão rápido por cima de mim que nem a vi, só senti...
{gri-ta-riiiii-a!}
A aventesma, pequenitates, enfiou-se ao lado da cómoda, e mudou-se para trás. Barriquei a dita com "ratoeiras para baratas" - não se deviam chamar barateiras? - e não voltei a pensar no assunto.
Repito: não voltei a pensar no assunto. ATÉ ontem.
Entro no meu quarto, para mergulhar em vale-de-lençóis, marido a lavar os dentes, e ouve-se um "Vitor...!" muito apertadinho. Que se repete, tal como a resposta, dada por uma boca cheia de Sensodyne "quêêê???" Só mais uma vez, mais baixinho, firme e hirta, do meu lado da cama - que é do outro lado do quarto, olhos pregados na parede por cima da porta "...-V-i-i-i-t-t-o-r-..."
Lá vem o gajo, e mal me vê, percebe qu'a coisa é seria. Entra, olha na mesma direcçao, e solta um "isto sim, isto é..." E eu numa incontornável fúria assassina: mata-mata-mata-ai-qu'a-nojo-qu'horror-ih-qu'eu-tou-agoniada-mata-mata-mata. E o Ghandi de serviço, vai de rasgar uma t-shirt pronta para ir para o lixo, para apanhar a "bichinha". Que entretanto tinha comido que nem uma besta, que papel e o que não falta naquele quarto, e cres-ci-do. Ou melhor, CRES-CI-DO.
Cinco centímetros de "pouca-vergonha", toda satisfeita com o vento da ventoinha a dar nas antenas mais compridas que o corpanzil "ai que bem que se esta no campo", e quejandas.
E eu, já de joelhos em cima da cama, vai de dar indicações: olha que elas são muita rápidas - e aquela tinha de-fi-ni-ti-va-men-te desenvolvido umas pernas compridas (arrgh!).
Ora e para encurtar a estoria, o Ghandi de serviço, primeiro aprendeu que a carapaça e mesmo dura, e depois, que os animais - daquele tamanho ja nao era insecto - são mesmo muito rápidos. Caíu, e vuppt, desapareceu. Ele bem procurou, mas nepes.
Ora lá nos deitamos, depois de termos esperado 10 minutos que eu conseguisse voltar a mexer-me, e esta alminha pega num livro - estão-a-brincar-comigo-se-eu-consigo-adormecer-com-tamanha-bisarma-a-solta no quarto!
Passa uma hora, a Mia levanta a cabeça, eu levanto os olhos, e lá vai o crustáceo a percorrer a parede na mesma direcção. Cotovelada no marido, eis que se levanta estonteado, e... tunga, chão e goodbye ao melhor estilo Speedy Gonsalez
O maridão volta a adormecer; eu volto a percorrer mais uns capítulos; a Mia volta a levantar a cabeça.... Eis que lá vai ela, desta vez em sentido contrario, mas junto a sanca do tecto na mesma. Nova cotovelada e "tu dá-lhe com uma coisa dura, canudo!"
Trás, fez o chinelo na parede.
Crack, fez a carapaça no chão.
Ainda li mais uns capítulos, não fosse ela ter criado família, e começarem a sair chaimites uns atrás dos outros. Mas nada.
Fogo, arrgh, acabou, chiça.
Moral da história:
Em principio, terão acabado os sustos.
Chiça, juro qu'inda m'arrepia, só de pensar...
B'jinhos,
Fatima
