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Diário de uma "dona de casa" 2.0

... à beira de um colapso

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14
Dez09

Para acabar de vez com as ideias pré-concebidas que aparecem po esta altura do ano (parte 1)

Fátima Bento

Em defesa dos brinquedos bélicos

 
Corre, e não é de agora, a dúvida entre os pais e /ou educadores se deve ou não ser proporcionado à criança o contacto com brinquedos bélicos, jogos violentos, filmes ou quaisquer programas de entretenimento que contenham doses de violência maior ou menor; isto ainda se aplica maioritariamente aos rapazes, já que a sociedade, que somos todos nós, continua a perpetuar a ideia de que quem brinca aos polícias e ladrões e aos cowboy’s são só os meninos… mas adiante. Chegados a esta altura do ano, é ver pais com dúvidas existenciais, devo ou não devo dar um brinquedo que “incite à violência”, ou que retrate um filme ou programa violento? E a mesma dúvida se estende – talvez mais notoriamente – aos jogos de vídeo, já que os BONS jogos, os jof«gos com melhores gráficos e mais publicitados têm litradas de testosterona e violência qb, mais outros quantos componentes menos próprios, como sexo e drogas. Fazer o quê? Dar, não dar? E se outra pessoa der, deixar ou não deixar jogar com o mesmo?
 
O medo prende-se com que a criança não consiga distinguir a realidade da ficção, e baralhe tudo, fique com umas ideia errada do que a vida é, e se envolva em jogos e brincadeiras violentas com os amigos, tornando-se, em última análise, uma criança/adolescente, quiçá um adulto violento.
 
Agora, será que toda e qualquer violência é exterior á própria criança?
 
Mais: será que manter toda e qualquer violência longe da criança é saudável? Pintar-lhe o mundo de cores alegres é solução? Para quê ou quem?
 
Em primeiro lugar, atentem no que uma criança pequena, digamos, de quatro anos faz quando não tem pistolas, revólveres ou afins de plástico, e quer brincar aos tiros: pega num objecto e usa-o com esse fim. Eu também já achei que não senhor, nada de dar armas à criança, olha agora, eu sou pacifista, e rebéubéu pardais ao ninho. Pois o meu filho, aos quatro anos, ia ao cesto das molas da roupa e tirava duas ou três, e pum-pum-pum. E mais: teve o requinte de pegar em peças de Lego e fazer pistolas. O jogo mais aconselhado pedagogicamente usado assim. Nem mais nem menos.
 
E foi então que capitulei e levantei a lei anti-armamento e afins.
 
Esta é uma fase importante, entre tantas outras, no desenvolvimento das crianças. E boys will be boys (independentemente de serem rapazes ou raparigas), não se pode por travão à imaginação de ninguém.
 
Muita gente pensa que toda a violência deve ser erradicada da vida da criança, o mais possível. Compreendo e respeito por isso, até porque, como já referi, eu já pensei assim. Até ao episódio das molas da roupa. A primeira metralhadora, que fazia barulho e acendia uma luz vermelha quando apertávamos o gatilho, fui eu que lha dei.
 
O Wrestling cá em casa, era sagrado. Já não me lembro qual era o dia da semana que dava, e acho que era na SIC Radical, mas nem tenho a certeza, sei que a “hora de recolher” era alargada. Viam os dois, e adoravam quando alguém se aleijava a serio, já que não era habitual. É "feio" mas é verdade. E nem eu nem o meu marido víamos com eles, eles bem queriam, mas não havia pachorra.
 
Já não veêm há mais de três anos.
 
Ela tem agora 18 anos e ele tem 13. Dois seres mais pacíficos (e pacifistas), não há. Cresceram calmos e tranquilos, e não foram os brinquedos bélicos, a televisão nem os jogos de vídeo - ele fez o GTA todo quando tinha 11 anos - que alteraram isso.
 
Os meus filhos, nós quatro, não somos nenhum exemplo. Mas é possível as coisas serem assim, e mais fácil de que se pensa.
 
A violência que tentamos retirar da vida deles é algo inerente à raça humana, herdamo-la dos nossos "avós" pré históricos, potencía e é potenciada pela adrenalina, o sinal de luta-ou-foge. Psicológicamente, as brincadeiras violentas exorcizam emoções com as quais eles não sabem lidar. Purgam-lhes a mente sem que eles se apercebam.
 
E vamos lá a ver, o mundo lá fora É violento. E não é pondo-os numa bolha que eles ficam preparados para o dia em que são “lançados às feras”, nomeadamente quando saem do Ensino Básico 1, e vão para o antigo preparatório actual básico 2, em escolas que geralmente têm o 3, o que quer dizer do 5º ano ao 9º. Ou então na secundária quando entram para o 7º partilham o espaço com alunos do 12º.
 
É uma realidade diferente, e se eles forem à espera de que ele seja cor-de-rosa, os problemas rebentam-lhes (e por arrasto a nós) na cara.
 
A MINHA OPINIÃO (e fique bem claro que não estou aqui a vender peixe a ninguém) é que uma dose moderada de realidade só lhes faz bem, e que o acesso a material violento não lhes vai alterar a personalidade. É claro que não vale não falar sobre o assunto, dar-lhes a coisa e lavar as mãos. Mas todos sabemos que temos deveres como pais, que vão muito além do pôr a refeição na mesa e dar-lhes banho, por isso não vou pregar, não vou dissertar sobre pais demissionários, e fingir que não os há. E se os há, só se lembram disso mesmo nesta altura do ano…
 
A minha opinião vale o que vale. Mas e se tentassem ver o meu ponto de vista?
 
E já agora fica no ar a pergunta: o que é que pensam sobre isto?
 
B’jinhos,
 
Fatima
 

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