Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Diário de uma "dona de casa" 2.0

... à beira de um colapso

Diário de uma "dona de casa" 2.0

... à beira de um colapso

Sex | 16.04.10

Coco avant Chanel - porquê as lentes cor-de-rosa???

Fátima Bento

Vi ontem o falado "Coco avant Chanel".

 

 

Depois do que já tinha lido sobre o filme, e do que sabia sobre a biografia da grande mademoiselle, não era mesmo aquilo que estava à espera. Achei o filme demasiado romancedo, numa realidade com muito amaciador à mistura... verdade: vemos Gabrielle envolvida com o seu "protector", Etienne Balsan, coisa habitual na época, em que a mulher tinha duas hipóteses de futuro: ou nascia em berço de ouro e se tornava esposa, ou nascia numa classe social defavorecida e seria amante. Sem meios termos - nem falsos pudores. E uma mulher vingar nos negócios naquela época de virar de século era tão possível como ir à lua...

 

 

Verdade: vemos Chanel envolvida posteriormente com o inglês charmante, Arthur Boyle que impulsiona financeiramente a sua carreira. Deste, o grande amor da sua vida, ela será íntima durante anos, mesmo após o casamento do mesmo, até à sua morte num acidente de viação.

 

 

Ora Gabrielle Chanel não foi nunca mulher de ois homens só. Longe, muito longe disso. Na sua biografia contam-se inúmeros envolvimentos com homens e mulheres da época. Ao contrário do que nos é mostrado, a sua revolução de costumes, a começar pela roupa - calças femininas, passando pela roupa para usar na praia, etc- até à sua postura e forma de estar na vida nada  foi tímido nem pacífico. Chanel não era um carneirinho tímido, era uma mulher de ferro. No filme ficamos com a ideia que esse lado da sua personalidade emergiu com a morte de Boyle, e que a partir daí ela se tornou inabalável... não tenho dúvidas de que assim não terá sido...

 

Saliento:

 

Promenor a ter em conta: sendo que Gbrielle aka Coco Chanel não devia muito à beleza, e que Audrey Tatou é linda, conseguiram establecer um paralelo físico entre as duas, espantosamente inverosímil.

 

 

E a reprodução de cenas intemporais e de si registadas em fotos da época, como o assistir aos seus desfiles sentada no alto da escada,  são tão similares que chega a ser impressionante...

 

 

Ou seja, Coco avant Chanel será a biografia de uma Grande Senhora, políticamente correcta como ela nunca foi. Daí o meu leve amargo de boca quanto ao resultado final: acredito que não seria esta a adaptação que agradaria à Mademoiselle.

 

De resto, Audrey Tatou no seu melhor, num registo de cordeirinho perdido na perfeição, obedecendo às indicações do director. Toda a contenção dramática da parte final do filme, essa sim, a fazer jus ao espírito da Grande Dame, e ao talento de Tatou.

 

Fátima

 

 

2 comentários

Comentar post