Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Diário de uma dona de casa 2.0

... à beira de um colapso

Diário de uma dona de casa 2.0

... à beira de um colapso

25
Abr05

IM-PRES-SIO-NAN-TE!!!

Fátima Bento

Eu sei que já é certo e mais que sabido por toda a gente.

Eu até devia saber (um bocadinho) melhor, já que tenho 2 filhos, um deles, como toda a gente já sabe, na "idade do armário"*, que têm amigas/os, e volta e meia sou submetida à tortura das reuniões de Encarregados de Educação da escola da mais velha ( que são de facto custosas, por serem tão só e apenas copy-paste umas das outras, das quais invariávelmente saio sem conseguir perceber, de todo, o que lá estive a fazer...).

Mas mesmo assim, e apesar de estar informada sobre a matéria de que este pessoal é feito, anda consigo ficar mesmo de boca aberta!... 

Isto tudo a propósito de ontem, 24 de Abril, ter ido assistir às comemorações do 25 de Abril no largo 1ºde Maio, no Seixal.

1ª parte, mais ou menos 22:30 h., Paulo de Carvalho (sim, era para esse que eu lá estava); previsto para as 00:20 h., Da Weasel. Dá para calcular a amálgama de culturas e gerações que se cruzavam no espaço, sim?

Bom, o primeiro senhor lá começou com uma horita de atrazo, precedido pela apresentação de um Cândido Mota que fez o favor de explicar o papel  do "E depois do adeus", enquanto A senha de há 31 anos atrás ( e como eu fiquei aliviada por ouvir a versãoda história como a conheço, e não como tendo sido o "Grandola" o código secreto), e a importância de ser o Paulo de Carvalho a estar ali, naquele momento em que se comemorava  o que acontecera em 1974.

Ok, neste momento reuni informação suficiente para mais tarde confirmar uma suspeição: os nossos adorados teens além de avoados são surdos.

Entra a banda (fantásticos, devo dizer), que abre com um medleyzito das musicas mais conhecidas (a maioria não interpretada posteriormente), enquanto o cantor, na lateral do palco, de corta vento bege, emborcava garrafinhas de 33 cl de Luso. Acaba a introdução, sai o corta-vento, entra o cantor em palco e canta uma musica que é a minha nº2 do homem (ó mulher de sorte!) e da qual acho que só eu sabia a letra: "Flor sem tempo", de 1971. Não, não me senti particularmente a caminho de senilidade naftaliníca, porque na altura tinha 4 anos. Mas sempre foi uma das minhas favoritas. Prontos.

OK, e chega de relato, que isto não é nenhum jogo de futebol (e por falar nisso, é desta, não é pessoal?)

O espectáculo foi bom, os anos ficam-lhe tão bem, e a voz continua a 100% ( senão melhor).

Agora vamos ao que gerou as minhas considerações iniciais;

Eu não quria estar nos sapatos do artista. À esquerda das minhas costas, dois putos faziam comentários e conjecturas sobre o gajo e (convencidissimos estavam ) do namorado. Burros. Até aí tudo normal e previsível na 'teenagem'. À direita das minhas costas alguém o brindava com uns "vai para casa" e mimoseios congéneres. Continuamos, pois, no "normal", se levarmos em conta que estas idades são impacientes e esta geração nunca sabe onde meteu a boa educação - que deve estar algures na pilha onde se juntam as t-shirts Nike acabadinhas de passar a ferro e as meias sujas.

Mas até aqui, e correndo o risco de me repetir (nãããõ! ainda não tinha dito isto hoje!), tudo dentro dos parâmetros "normais" e previsiveis.

Meia noite menos 2 minutos, acabados os "Meninos de Uambo", o Paulo de Carvalho "anuncia" o nosso presidente ( bem, eu cá não sei, o meu é o Sampaio, e o gajo não tava lá...)e informa: " Pronto, vão ter de levar comigo outra vez." Yesss, penso eu, é agora, o 'momento pele de galinha'! O palco enche-se então dos dignatários representantes do poder local, atiram-se cravos, e...

« ... quis-sa-ber-quem-sou... »

(fónix, deixem-me lá saborear o momento! Quais quê...)

               2004_0424_232911AA.JPG

AQUI, choquei-me. Nem costas esquerdas (que já não eram os mesmos), nem costas direitas (idem), NINGUÉM SABIA por que cargas d'água é que aquele cota estava no centro do palco , rodeado de uma "maxeia" de gajos que não conheciam de lado nenhum a cantar uma canção que um gajo, um David qualquer coisa cantou numa Operação Triunfo...

E eu ia ficando velha e pequenina, cada vez mais velha e pequqnina, e nem conseguia sentir pele de galinha, só cantava a plenos pulmões e fechava os olhos para não ouvir a ignorância destes putos, a resposabilidade dos profes ao não cumprir a função pela qual recebem o ordenadito ao fim do mês, e a agradecer por pelo menos a minha teen, uns metros à frente, à esquerda, conseguir enquadrar o momento na "prateleira" certa.

No fim, e enquanto esperavamos o inicio fogo de artificio, peguei nos quase 30 kg de 8 anos de Tomás ao colo, e expliquei-lhe o porquê daquela musica ter sido cantada por aquele senhor, naquele momento.

Pelo menos este também há-de saber. Se não o ajudarem a esquecer...

Fátima

 

Mais sobre mim

foto do autor

Follow on Bloglovin

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Arquivo

  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2013
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2012
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2011
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2010
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2009
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2008
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2007
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2006
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2005
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D