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Diário de uma dona de casa 2.0

... à beira de um colapso

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14
Out10

Comer, Orar, Amar, o filme...

Fátima Bento

 

Penso que toda a gente (sim, vocês três... ou pronto, vá lá, quatro...), já leu para aqui algures que eu regozijei-me com o livro "Comer, Orar, Amar", de Elizabeth Gilbert. Comprei a edição de bolso desconfiadíssima, não tresandasse a coisa a literatura de aeroporto, e aquela segunda palavrinha que compõe o título deixa-me assim a modos que de pêlo eriçado, por causa da minha a versão a religião, mas no que é que eu me vou meter, enquanto abria a primeira página, o que vale é que orar é na India, e isso terá a ver com espiritualidade, a despeito de reliçião, e tal e coiso, de sobrolho franzido.

 

Bom, está-se mesmo a ver que foi da segunda à última, não de seguida, que sempre são para cima de 400 páginas, mas quase... gostei, gostei muito, levezinho, mas sabe tão bem ler coisas levezinhas... e eu ultimamente até ando bem virada para o leve e de aeroporto, que para me fazer trabalhar os miolos, já basta o que já basta...

 

Portanto, gostei mesmo muito dos momentos que passei agarrada ao livro.

 

E eis senão quando, se começa a falar da adaptação da obra ao cinema. E logo a seguir, em Julia Roberts no Papel de Liz.

 

E... pronto, no dia 30 de Setembro a obra estrou em terras lusas. E eu, como milhares de portugueses, fui expectante - mas não em demasia - para o cinema, quarenta e oito horas depois.

 

A respeito do mesmo, devo dizer que parece fiel ao livro. Ainda fiz uns dois ou três sorrisos de-quem-está-a-voltar-a-ver-uma-cena-familiar, tal é a similaridade...

 

 

Mais, positivo ainda, o desmpenho deste grande senhor, Richard Jenkins, sem dúvida a melhor interpretação do filme, à beira do Óscar de Melhor Actor Secundário, coisa que lhe é mais que devida (lembra-se dele n'o The Visitor? Então estão à espera de quê para se deliciar com esse fantástico filme?).

 

O mesmo surge a meio do filme, na Indía, como um americano pragmático que ajuda Liz a desenvolver a sua espiritualidade (qual father-figure), sem grande paciência para as suas duvidas e incertezas de menina-rica-à-procura-não-se-sabe-bem-do-quê (isto porque no filme, é mesmo esta a imagem que passa da autora).

 

 

E há a Julia Roberts. Uma Julia de lábios deformados com a quantidade de colagénio lá injectado (quem estiver com atenção, nota que existem cenas filmadas antes e depois do trabalho acabado. A cena da casa de banho, no ínicio do filme, deixou-me os olhos a querer fugir das órbitas... porque é que a actriz com o mais doce e cobiçado sorriso de Hollywood cometeu tal barbaridade, é coisa que não consigo entender...), uma Julia a fazer de Roberts, sem trabalho de construção de personagem que se veja.

 

O resultado é uma Liz que, ao invés de andar à procura de si, em viagem de autodescoberta, está perdida à procura de timoneiro, que na India é o Texano, e em Bali é o brasileiro. E ainda por cima, (olhai a misógenia!) são ambos homens! Sou só eu ou isto tresanda a síndroma-do-principe-encantado? No livro as personagens existem, e há uma exitação no seu envolvimento com Felipe, já em Bali, mas por razões sólidas, enquanto que no filme, até ao "penúltimo frame", ela é uma gaiata perdida que não sabe o que quer. Isso adulterou completamente a 'mensagem' da autora, a 'sua verdade' no seu precurso.

 

Mais uma coisa boa, a presença de Javier Bardem, no seu melhor. Eu, ao contrário de toda a gente, não acho (ou achava?) nada de especial, mas neste filme/papel, ele está irresistível, e até fala português, com um perfeito sotaque brasileiro. Divino!

 

 

Resumindo, a minha apreciação global desta adaptação é negativa. Porque, para começar, o perfil da personagem princípal está não só alterado, como praticamente rodou a 180º. Porque o filme transcorre como o livro, o que em cinema não funciona, há que criar uma maior dinamica. Depois, passado o élan misguided de 'afinal o filme até é fiel ao livro', damos por nós com as mãos cheias de nada: porque bem vistas as coisas, Liz é uma balzaquiana superficial no início, e daí até ao fim não muda, apenas vira para onde o vento sopra, ao contrário de fazer mudanças profundas dentro de si, afinal o mote dado quanto ao livro/filme.

 

Não convence. De todo. Excetuando o Richard e o Felipe, perfeitos nos seus personagens, podem deitar fora e, já agora, agradecemos que não façam de novo, ok?

 

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