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Diário de uma dona de casa 2.0

... à beira de um colapso

Diário de uma dona de casa 2.0

... à beira de um colapso

16
Jan12

Andas feliz, querida? ou Preconceitos...

Fátima Bento

Pois ando.

À simples pergunta tive logo que procurar uma resposta acurada ao 'porquê' que se formou na minha mente. E desta vez a resposta não contém nada de profundo, de subtilmente escondido nas entrelinhas das evidências mais ou menos evidentes (ihhhh qu'a mau!) que compõem os meus dias. Por uma vez não há cinzentos; só preto e branco. E a resposta é clara como a água.

Lembram-se deste post? Pois é mais ou menos isso, adicionado à minha reação aqui, por oposição ao que escrevi no post cogumelo atómico. Mas é capaz de ser melhor fazer um resumo, para quem ler este post não andar a saltitar de link em link, ou então, acabar a leitura sem perceber nada.

Acho, de qualquer forma que a primeira referência é de ler. Tem a ver com a minha incapacidade para as tarefas domésticas, e o 'monstro-cozinha' que me tira o ar, tem a ver com a quantidade de anos que passei a tentar encaixar-me numa 'forma' demasiado pequena ou grande, em que nunca coube. E finalmente tem a ver com admitir isso preto no branco, e deixar cair o 'cabresto' imaginário que sempre senti imposto e em sequencia, conseguir transformar a cozinha, uma verdadeira war zone, num espaço agradável. E tê-lo mantido agradável durante uma semana inteirinha - tendo essa 'capacidade' recém adquirida se espraiado a outras divisões.

Pois que aqui a rebelde-de-cabelo-na-venta-demasiado-boa-para-levar-a-cabo-tarefas-domésticas-com-eficácia, durante os últimos nove dias se transformou não numa fada-do-lar (não, nunca, jamais em tempo algum!), mas numa dona de casa razoável. Tão só e apenas porque parei de espernear.

E depois, fez-me tão bem ter-me deixado ir na onda de reclamar por ter sido acordada à bruta - habitualmente respiraria fundo e manteria a calma, e levava o resto do dia indisposta, ansiosa, a resvalar para o deprimido. Mas nesse dia, kaput! , e soube tão bem.

Sempre tive um imenso preconceito (de pré-conceito) em relação às donas-de-casa. A imagem formatada de subserviência, de formiguinha-louca sempre atrás do resto dos elementos do agregado familiar, a apanhar as cuecas que o marido atira antes das mesmas tocarem no chão, e a lavar roupa antes mesmo que esta esteja suja, a saltitar de tarefa em tarefa, sem tempo para si, nem qualquer espécie de vida própria. Essa é uma imagem que me arrepia até à medula. E levei estes anos todos a sacudir-me, '... nem pensar, sou muito pessoa para me transformar numa coisa tipo sombra'. E isso resultou em dias, semanas, meses - vou arriscar anos, sem estar realmente a exagerar - a sentir-me culpada, inadequada, incapaz... acho que o clique deu-se nos primeiros dias deste ano, e o facto de coincidir com época de resoluções e blá, blá, blá não teve nada a ver.

O Vítor teve as duas últimas semanas do ano de férias, e garanto que a casa andou num brinco - isto é, a cozinha andou num brinco, que o resto das divisões são 'minhas', só eu é que tenho mesmo de me entender com elas - digamos que 90% da tralha é minha, ou sou só eu que (tento) arrumo já que ninguém faz a mais pálida ideia de onde pôr roupa lavada, por exemplo (um problema que dava um post per si, mas que vai, slowly and steadly a caminho da solução). Mas depois falo nisso.

A casa andou num brinco, já que a consoada foi aqui, e de uma ou de outra maneira, teve tudo de ficar arrumado. Ou seja, dia 2 o homem foi trabalhar e a casa estava uínda. Entretanto, diga-se em verdade que estive com uma constipação de caixão-à-cova, e no dia 6 estava a sentir-me francamente 'menos que zero', depois de uma semana a arrastar o meu sorry ass pela casa sem fazer um c*, com a cozinha numa lástima (a atrás referida war zone), sentindo-me culpada até à alma, coisa que se refletia muito bem na minha aparência e cuidado que (não) dedicava à mesma. Foi nesse contexto que saíu o discurso

"... e levei 18 anos - mais de 18 anos! - a tentar e não consegui, nunca consegui, achas que vou passar os próximos 18 a fazer o mesmo e a sentir-me culpada e frustrada por não conseguir? Nope. À conta de pensar no que não sou capaz de fazer e devo, e de me programar para tentar e arranjar desculpas para não fazer, já que sei o resultado, acabo por não fazer aquilo para que tenho algum jeito, ou que poderia descobrir que tenho. Já chega. Tenho de aceitar que não fui talhada para determinadas coisas e seguir em frente. Chiça!",

 e a citação

"Fazer, todos os dias, as mesmas coisas e esperar resultados diferentes é a maior prova de insanidade' Albert Einstein"

que tiveram o condão de virar tudo do avesso: a maneira como eu fazia as coisas e, mais importante, a forma como eu pensava.

Por isso, há pouco mais de uma semana que me sinto 'mais mulherzinha'. Não encaixo, de todo, no protótipo do meu preconceito, e devo gastar menos de duas horas de volta das tarefas domésticas por dia. MAS a forma como as utilizo faz toda a diferença - e é que nem sinto necessidade de estar a fugir porta fora para não olhar à minha volta. Estou muito mais em paz comigo.

E sim, querido, ando feliz.

It's that simple!

 

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