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Diário de uma dona de casa 2.0

... à beira de um colapso

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24
Abr12

Liberdade. Ponto.

Fátima Bento

"Se a liberdade significa alguma coisa,

será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir" 

- George Orwell

 

Se há coisa que me deixa abalada, é a tendência do povo português (a começar logo pelas figuras políticas) de ser poucochinho. Ele é o 'vai-se andando' quando as coisas estão a correr bem, salvem-nos da resposta se estiverem a correr mal.

Pior;

Gastam-se milhões a ajudar os coitadinhos dos pobrezinhos (leia-se classe média recentemente extinta), enquanto se estrangula a economia a quatro, oito, quantas mãos houverem. Dizei-me: seria muito mais dispendioso aplicar o dinheiro destinado a acudir os desgraçadinhos (que são criados diariamente por um a equipa que se encontra em dívida para com a demência), em programas que implementassem planos de desenvolvimento económico com vista a promover o emprego e restituir a dignidade aos novos pobrezinhos a quem eles servem refeições quentes, e coiso, ato que assim lhes garante um soninho descansado?

Mas, pronto, o que para aqui vai. Este post não é sobre política. Nope.

É mais sobre liberdade de expressão.

Lembram-se de ter aqui escrito sobre 'O Último Segredo? do José Rodrigues dos Santos?

Pois que hoje recebo um comentário de Rui Martins, nos seguintes moldes:

"Comparar Rodrigues do Santos com Dan Brown revela mau gosto. Comparar Da vinci com o Ultimo segredo é falta de conhecimento!

Dan Brown nunca revela fontes, JRS até vai ao pormenor de dizer onde está...referências à Biblia.
Mais uma tentativa de descredibilizar o que é nosso..."
Antes de mais nada, duas pequenas correções, só porque sim.
Primeiro: Eu não comparei DaVinci ('tadinho do senhor) com O Último Segredo... aliás, o cientista/pintor/inventor, não terá de todo nada a ver com a literatura assinada por JRS. Mas entendi o que quis dizer.
Segundo: não faço ideia se Dan Brown faz, ou não, referências à bíblia, porque já não me lembro. A última vez que peguei no livro foi a 22 de Outubro do ano transato, para tirar dúvidas sobre os paralelos óbvios que se encontravam no 'folheto' de apresentação do livro distribuído pela revista Sábado, e a obra de Dan Brown. Não tenho qualquer intenção de voltar a mexer no exemplar, até porque, como deverá ter lido aqui, "não gosto da narrativa de Dan Brown, embora goste particularmente dos dois últimos livros: cheguei, n'O Símbolo Perdido, a saltar páginas de retórica pura, por não gostar mesmo de como o senhor escreve. Mas aprendi com ambos (principalmente com o último) coisas que, provavelmente não saberia de outra forma. As obras de Dan Brown, quanto a mim valem, tão só e apenas, pela pesquisa."
Mas referências à Biblia, até eu faço, escorreitas e acuradas, que é 'livro' que conheço bem (se é que alguém pode dizer isso de tal obra...), corrijo, tão bem quanto possível.
E não dou bónus, a ninguém, por isso.
E agora, deixe-me, Rui, justificar o preâmbulo deste post, em que refiro a tendência do povo português em ser poucochinho. É que foi isso mesmo que me levou a, ao invés de responder ao comentário feito, no lugar devido, dar-me ao trabalho de fazer um post inteirinho dedicado a responder-lhe.
E diz o Rui:
"Mais uma tentativa de descredibilizar o que é nosso..."

[E... booom, salta-me a tampa!]

Ó válhamosanto! Ó povo triste e desgraçado, fado d'alma destruída, ai que coitadinhos que nós somos, ai que maus que são os outros portugueses todinhos, aqueles que nem deviam advogar tal nacionalidade, complot formado para apunhalar a própria pátria, e denegrir o que de tão bom, tão bom, tão bom por cá se faz - e que ao que parece, É TUDO.

Antes de me pronunciar sobre o que acho, vou citar alguém que sim senhor, sabe escrever, sim senhor, é português, sim senhor, é o maior escritor vivo. Do mundo. Todinho.

"Proíbam-se os lamentos injustos. Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender, o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa. Que queremos?(...)"

 

António Lobo Antunes, crónica publicada na Visão a 12/04/2012 (ler mais)

O que é nosso não é nem mais nem menos descredibilizavel como o que não é nosso, e sabe porquê Rui? Porque bom e mau há-o em todos os países, todos os povos todas as línguas.

E eu posso não ter direito a muita coisa, mas tenho direito a ter a minha opinião e anunciá-la aos quatro ventos em parangonas, com direito a megafone, e tudo, e tudo. Porque eu sou livre.

E é essa liberdade de que me aproprio que me permite aceitar o seu comentário com o maior dos respeitos, porque o Rui tem tanto direito de exprimir a sua opinião quanto eu de expor a minha. 

E agora os fatos.

Os Bons (e apenas os bons):

Falávamos de escritores lusos, certo? Então posso referir o supracitado Lobo Antunes, a Maria Filomena Mónica, o José Luis Peixoto, José Saramago, Gonçalo M. Tavares, Valter Hugo Mãe, Miguel Sousa Tavares (sim, gosto dele, hélas), Rodrigo Guedes de Carvalho (que saudades de um novo livro!), Inês Pedrosa...

Podemos ampliar o leque e ir à musica, sim?

Rodrigo Leão, Pedro Abrunhosa, Aurea, David Fonseca, Blasted Mechanism, Ornatos Violeta, Trovante, Sergio Godinho, o inólvidável Zeca Afonso, a imortal diva Amália, Carlos do Carmo, Mariza, Paulo de Carvalho, Fernando Tordo...

Arte: Júlio Pomar, João Cutileiro, Paula Rego, Joana Vasconcelos...

Moda: Blogtailors, José António Tenente, Felipe Faísca, Luis Buchinho, Nuno Gama, Fátima Lopes...

Ou seja, gente boa neste país, não falta. Gente menos boa também.

Por isso, Rui, não seja tão melodramático, e pare pense e respire antes de juntar uma bota e uma perdigota que não dão de toda uma com a outra, sim? 

Para finalizar, agradeço-lhe o comentário, que muito me agradou, uma vez que visitou este cantinho. Espero que volte - não estou, de todo, a ser irónica.

Um grande bem haja.


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