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Diário de uma "dona de casa" 2.0

... à beira de um colapso

Diário de uma "dona de casa" 2.0

... à beira de um colapso

12
Mai12

Uma notícia preocupante por ser notícia per si...

Fátima Bento

A capa da Time desta semana está a levantar uma imensa polémica... pois, nos Estados Unidos.

(clique na capa e veja mais fotos da sessão)
Tenho de transcrever partes do que li aqui.
«A imagem mostra Hamie Lynne Grumet, 26, mãe de Los Angeles que escolheu não trabalhar para criar seus filhos. Por causa da foto, a revista pode ser considerada "com restrições parentais" e até pode ser publicada com tarja preta sobre a foto. Há grupos afirmando que a prática faz apologia ao incesto e ao voyeurismo».
Quê?
«Hamie, a modelo da capa (...) já foi ameaçada por vizinhos que tentaram chamar o juizado de menores por considerarem o ato uma forma de assédio sexual.»
Ok.
Já todos assumimos que os americanos são um bando de idiotas hipócritas o povo americano é um povo de contrastes, e que alegados puritanos pululam como moscas na merd@ velando pela moral alheia.
E este é um exemplo do absurdo elevado à estratosfera.
O movimento Attachement Parenting teve a sua inspiração no livro "The baby book" (espreite o mesmo por dentro aqui) escrito em 1992 pelo Dr. William Bill Sears e pela esposa. De lá até agora, são centenas de milhar, os pais seguidores da filosofia preconizada pelo mesmo. Entre outras coisas, Sears defende a amamentação até tarde, partilhar a cama com os filhos, e transportá-los em marsupios, ou mochilas próprias, em detrimento das cadeirinhas de passeio, como forma de promoção da proximidade física entre pais e filhos - veja aqui, os 7 alicerces, by Dr William Sears onde se baseia o attachement parenting.
A primeira vez que tive contato com esta filosofia, foi no livro 'A minha vida em 32 posturas de yoga', de Claire Dederer. No segundo capítulo, ela descreve como as mães de Seattle Norte tentam ser o-mais-perfeito-possível, colocando-se em último lugar (e é aí que a porquinha começa a torcer o rabo, i.e. que é confirmada a regra que tudo o que é demais é de evitar... isto sou EU que digo).
Para encurtar a estória, Claire consegue conceder-se a liberdade de seguir o seu instinto, e libertar-se de alguns 'espartilhos sociais' - afinal de contas, na zona em que vive o único comportamento socialmente aceite é o mesmo o que está a ser criticado agora, nesta polémica levantada pela Time - sem que corte completamente com a premissa.
Mas voltando à falsa questão dos puritanos americanos.
A verdade é que aquela gente é como os burros: teimosos e quando param, não há quem os faça avançar. Nem à porr@d@ lá vão. Gerou-se na sociedade global - com extremismo (nada de novo) nos EUA - o pavor da pedofilia. Mais a necessidade de proteger as criancinhas de qualquer forma de mau trato, sendo ele físico (e neste caso, uma nódoa negra no braço é um caso de polícia, garanto, porque aconteceu com uma amiga minha num dos Estados mais civilizados, o Conneticut), ou psicológico - o que deixa um imenso leque falsas hipóteses aos psicólogos de pacotilha que existem dentro de cada um dos ultra conservadores que aproveitam qualquer aberta para se abespinharem contra 'os outros' que invariavelmente estão 'errados' - afinal para alguns ocidentais o extremismo também é uma forma de vida...
É de fato pornográfica a ideia de que dormir com os pais é pedofilia.
É sem dúvida obsceno que alguém associe a amamentação aos três anos (ou mais) com assédio sexual.
E porque cargas d'água é que ela resolveu abordar este assunto, perguntam os meus mais recentes leitores - sim, que os que me acompanham de há longo tempo, já estão a ver o filme todo.
Pois é que eu 
  1. decidi ficar em casa com os rebentos;
  2. amamentei a mais velha até aos dois anos e meio;
  3. amamentei o mais novo até aos três;
  4. a Inês dormiu comigo também até os dois e meio, altura em que a minha avó veio viver connosco e passaram a dormir  em camas contíguas;
  5. o Tomás dormiu comigo até beeeem mais tarde - às paginas tantas EU comecei a ir dormir com ele, já que não cabíamos os três na mesma cama, e eu não vivia numa casa do tamanho das dos americanos que mandam fazer camas XXL para caberem todos na mesma.
  6. Sempre perferi o marsupio à cadeirinha de passeio, e inclusive muitas vezes andei a fazer as tarefas domésticas com eles pendurados o peito; 
  7. nunca deixei os meus filhos chorar - se EU me sentia angustiada quando eles choravam, porque cargas d'água havia de prolongar o mau estar de ambos?
  8. Sempre segui o meu instinto e descartei conselhos de terceiros. O meu motto era a primeira frase do livro Meu Filho, Meu Tesouro, do Dr. Benjamin Spock: "Você sabe mais de que pensa".
Não me arrependi de nenhuma decisão que tenha tomado, se voltasse atrás fazia igual. Mesmo se o meu filho me disse uma vez, há coisa de uma ano: "mãe, gostava que não tivesses dormido comigo até tão tarde, que me tivesses obrigado a ser mais independente", a verdade é que ele NÃO DORMIA  menos que eu lá estivesse. A menos que eu cantasse. E a choradeira... bem, já perceberam o que eu penso de choradeiras...

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