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Diário de uma "dona de casa" 2.0

... à beira de um colapso

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24
Mai12

Os futuros velhos que somos hoje

Fátima Bento

Acabo de ver um contrassenso (esta é das palavras que nos faz voltar atrás, ler, achar que é erro ortográfico, e depois lembramo-nos qu'agora é assim) no noticiário da Sic. A reportagem sobre 'os velhos de Lisboa' é de deixar qualquer um maldisposto... pessoas que vivem tão sozinhas, ali, à espera da morte.

Só à espera da morte.

Por companhia tinham a televisão, mas com o advento da TDT, feito à pressa e com o carro à frente dos bois, como é hábito nesta terra, ficaram completamente sós. O caso da velhota que passa o dia na cama é paradigmático: sem filhos, viúva já nem se lembra há quantos anos, diz que vai ao convívio e quando chega se deita. 

Na verdade, raramente se levanta.

E fica ali, deitada à espera do dia e que não se levante mais.

Os dinheiros do estado, das câmaras, os benditos fogos-de artifício, as inaugurações... umas centenas de descodificadores para os televisores, ou mesmo umas centenas de televisores comprados por atacado, eram peanuts no meio de toda a despesa gorda que continua a existir. 

Mas os nossos velhos não se queixam. Os nossos velhos vivem em silêncio, escondidos para não incomodar ninguém. 

os nossos velhos que dizem que os filhos, coitados, não os podem visitar porque moram longe e têm a vida deles, coitados, também têm filhos... e o longe quando estamos em Alfama e falamos do Parque das Nações ou da Amadora, é um longe que fica tão perto... perto demais para que se apercebam de que estão abandonados, eles que nunca sequer pensaram em abandonar quem os deixa agora à sua mercê.

Por muito que eu veja estas reportagens, por muito que saiba que é assim mesmo, há sempre qualquer coisa que se parte cá dentro.

Não percebo, de todo, a razão de tamanha desumanidade.

SEI que é mais fácil deixar os pais algures sob um teto, e esquecer, é mais simples lidar com isso de que interromper os afazeres uma ou duas vezes por semana, providenciar assistência para quem cuidou de nós. Ou dá-la. 

Depois há os outros casos, como o da senhora que mal se levanta, que não têm filhos. Que estão sozinhos por ter sobrevivido ao cônjuge. Que a assistência social tem de sinalizar e apoiar, o que fazia durante esta reportagem.

Logo a seguir, Rodrigo Guedes de Carvalho lembra que amanhã começa o Rock in Rio Lisboa, e fala dos milhões envolvidos.

 

E cá dentro parte-se mais qualquer coisa.

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