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Diário de uma "dona de casa" 2.0

... à beira de um colapso

Diário de uma "dona de casa" 2.0

... à beira de um colapso

15
Out12

Uma LONGA história com final feliz.

Fátima Bento

No passado dia 22 de Setembro fui a uma (mais uma!) consulta com um novo (obviamente) psiquiatra. Com 'o credo na boca', e-vamos-lá-ver-o-que-me-sai-na-rifa, a verdade é que foi um daqueles casos raros de empatia automática. Ora o senhor doutor retirou-me a medicação TODA e substituiu-ma por um óbvio semi-placebo que custou os olhos da cara (e o semi só o é porque a substância é natural, e há plantas que têm propriedades reconhecidas no alivio dos sintomas de algum tipo de depressão...)

Ou seja, em 32 (agora 33) anos de quase-pemanente toma de medicação, zutt, fiquei livre.

Mas o zutt tem algo que se lhe diga.

Um organismo habituado a x antidepressivos, y ansiolíticos, e z hipnóticos durante três décadas, não despe o casaco,o pendura num cabide e já está.

Nope.

Há aquela temível coisa chamada ressaca. Há as náuseas, os tremores, as tonturas, o discurso entaramelado, e tudo tudo o que dizem que há, até algum esporádico estado febril. 

Agora coloquemos todo este caldeirão de sintomas no contexto do momento: o acompanhamento dos últimos dias de uma das pessoa que eu mais gostava no mundo e obvio desarranjo emocional que tal situação provoca em qualquer um.

A verdade é que a situação decorreu melhor de que os prognósticos mais otimistas: mantive (e ainda mantenho), a toma de um ansiolítico, devido às circunstâncias, e começa e acaba aí.

Primeira sensação provocada pela ausencia de quimicos no organismo:"clarividência"(das palavras que me ocorrem, esta parece ser a que mais se adapta, apesar de não ser a correta). Foi como se me tivessem tirado uns óculos escuros e me tivessem colocado uns translúcidos, com a graduação correta, e limpíssimos. E foi como se me tivessem "desalmofadado", para o melhor e para o pior: situações que me davam algum prazer e que me induziam um estado de relaxamento intenso, aumentaram esse resultado exponencialmente. As pancadas, as dores também se sentem mais, mas incrivelmente, ao invés de um encolher de ombros e de um 'deixa estar', fazem-me manifestar revolta, exprimi-la, verbalizar de forma que me parece mais clara e assertiva.

Portanto eu (palmadinha nas costas) que devo ser forte que nem um touro (festinha no lombo), fiz uma detox total em condições completamente loucas, sem apoio clínico, já que entretanto o psiquiatra - que nesta atura é o meu psicoterapeuta - adoeceu, pelo que não voltei (ainda) a ter consulta(!).

Mas estou aqui, e se me é permitido dizer, passadas pouco mais de três semanas, MAIS viva.

Se me contassem, não acreditava...

mesmo.

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