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Diário de uma "dona de casa" 2.0

... à beira de um colapso

Diário de uma "dona de casa" 2.0

... à beira de um colapso

30
Out12

Eu explico (dia #14 sem carro)

Fátima Bento

Eu explico a razão por que tenho aumentado a quantidade de reboots de há uns tempos para cá. Mas primeiro vou ali à cozinha tirar um ristretto - sim, houve uma alminha caridosa que me arranjou uma sleeve, e se tudo correr bem, amanhã já vou comprar mais (no Rocinante!). Se tudo correr menos bem, vou no carro do pai.

... volto já.

Ora bem, pois que falávamos de reboot's. Isto é, de ponto-morto, marcha atrás, inversão de sentido de marcha, e isso tudo, mas não tendo nada a ver com condução.

A bem dizer, é melhor começarmos de outra maneira...

No dia 22 de Setembro, o meu querido psiquiatra resolveu retirar-me toda a medicação, substituindo-a por um placebo a tomar à noite.

Pelo que estou limpa há 37 dias. Depois de 33 anos a tomar químicos.

A ideia seria ele ir acompanhando semanalmente as minhas reações à privação dos medicamentos, paralelamente às sessões de psicoterapia. E tudo estaria lindamente: ele apertaria um qualquer parafuso, daria folga a uma qualquer porca que estivesse a começar a moer a rosca, e pronto, com uma ou outra gotinha de óleo, a coisa ia.

O problema é que o senhor doutor adoeceu.

E a previsão de consultas é para Janeiro (se as coisas correrem pelo melhor com o bom doutor, como se deseja).

Os primeiros 15 dias foram, expectavelmente, horrorosos. Tremuras, acordar febril, pensamento escorreito, mas discurso disléxico... o fato destes sintomas terem sido enrolados na grande onda da última quinzena de vida do Silvino, não me deixou espaço, grande tempo, disposição ou paciência para lhes dar atenção. Eu sentia-me mal e pronto - com tanta coisa a acontecer ao mesmo tempo, não era necessário procurar porquês.

 

Depois do funeral, ainda houveram (como sempre há) levantamento de fervuras, que fizeram o óleo atingir temperaturas altas e o barco abanar.

E depois, o "nada".

Assim o 'é preciso estar presente para a Elvira, suportar melhor a dor', mas o stress começou a assemelhar-se a um balão cheio de ar a que tiram a guita que lho segurava dentro.

 

E foi nesta altura (bom, foi no dia a seguir à fervura sejamos precisos) que

voltaram AQUELAS enxaquecas.

Travei conhecimento com as mesmas depois da segunda cirurgia do meu pai, quando, se confirmou tudo ter ficado bem com ele. Dessa vez, ocupavam-me a metade direita da cabeça, e faziam cair lágrimas do olho do mesmo lado. Duraram onze dias - onze dias! - divididos entre não fazer movimentos bruscos com a cabeça, ou tê-la completamente imóvel, 'encaixada' num almofada. Tomava ben-u-ron, ibuprofeno e aspegic. Ao fim de onze dias, parou.

Desta vez, começaram no dia 9, e pararam a 28 (até ver) - 19 dias com a cabeça  ser destruída à picareta por dentro, com a dor a descer até á base do pescoço. Quando se fala, neste caso em dores de cabeça, é mesmo na cabeça toda - rosto incluído, maxilares, tudo o que é osso. Num dia de um lado, noutro do outro, noutro ainda na cabeça toda. O que tomei? Bom, cheguei ao clonix - UMA única vez, tomei dois de uma vez, sob risco de rebentar a cabeça contra a parede mais a jeito.

Ato continuo, um qualquer mecanismo (alguém saberá explicar a 'mecânica da coisa', com certeza), desliga-me alguns neurónios. Há raciocínios que sempre me foram fáceis de acompanhar, e que agora me pedem um esforço que não estou disposta a fazer, já que antes não necessitava de tal para obter o mesmo resultado. Mas não tenho dúvidas que nada é irrecuperável.

Para 'piorar' o quadro geral, estou a descair a serio. 

Continuo a pensar o mesmo das 'almofadas químicas': toldam tanto o pior como reduzem o melhor a muito pouco, em termos e intensidade. Mais que pequenos óculos cor-de-rosa, são palas nos olhos que nos dirigem o olhar para determinados pontos, garantindo, à retaguarda que, se os olhos virem qualquer outra coisa, a leitura do mesmo seja floreada. O outro lado da moeda é que o prazer, do mais simples ao mais elaborado, sofre igualmente um corte de alta percentagem na intensidade.

Portanto, e como a-vida-real-de-todos-os-dias, sem grandes acontecimentos positivos ou negativos, é cheia de pequenos nadas que nos infernizam 'a medula', tenho andado assim a oscilar entre o barril de pólvora, ao qual basta mostrar o fósforo, sem ser preciso riscá-lo, para

BOOOOMMMMMM!!!!!! 

e a alforreca virtual.

Por isso, esperemos novas do bom doutor, já que... 

... eu não estou nada bem.

 

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