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Diário de uma "dona de casa" 2.0

... à beira de um colapso

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26
Jan13

Zero Dark Thirty (ou Dark Hour para os amigos)

Fátima Bento

Ora bem, como me desbundei toda no post anterior, é capaz de ser boa ideia dizer o que achei do filme, sim?

Quem lê o que vou escrevendo sobre cinema, já deverá ter tropeçado numa palavra em quase todas as análises: contenção. Gosto muito, valorizo muito.

E como tal, só posso ter uma opinião sobre Zero Dark Thirty e a representação de Jassica Chastain (que é bem capaz de levar a estatueta para casa*): não vou usar o adjetivo 'perfeito', que já usei para descrever o ARGO, mas um trabalho sublime é capaz de andar lá perto. Sublime enquanto joint forces entre a realizadora e a equipa, que deu no resultado que vi. E sublime na interpretação de Jessica.

Porque "sublime" é um termo um bocadinho forçado para um filme que começa com uma cena de tortura.

Aliás a tortura aqui surge como um elemento indissociável causa-efeito, e o que nos choca, enquanto espetadores, é a ausência desse abalo e náusea previsíveis.

O filme é escorreito, muito ao jeito de Katherine Bigelow, que começa a ser mestre neste tipo de abordagem (quase) imparcial.

(Quase) nada a apontar neste fime.
O 'quase' prende-se com uma emoção de que senti a falta e que me parece ser um dado adquirido, quase um 'preconceito-obrigatório': nós, os que aqui estamos longe do cenário de guerra, e que engolimos com maior ou menor facilidade as imagens e ideias que são selecionadas para nosso visionamento, sabemos que alguns torturadores GOSTAM de torturar. E é esse elemento que falta neste filme: nenhum torturador o faz porque 'yá, bora lá a isto!', é assim mais um 'desculpa lá, mas nós sabemos que tu sabes e se tu não nos disseres vamos ter de te magoar, e nós preferíamos não te magoar, por isso, vê la se contas o que sabes, ok?' e quando o gajo não facilita, pronto, tem mesmo de ser, ninguém se arrepia nem vacila, mas ninguém tira qualquer prazer disso, é assim tipo vamos lá ter de tomar mais um café, yá tiras tu ou tiro eu, sei lá... vê lá, a maquina 'tá perra, é preciso fazer um bocadinho de força... então ok, tira tu desta vez...
Durante o filme houve uma frase que me bateu(...eu...eu...eu) na cabeça: a tortura em cenário de guerra - e para mais na perseguição de um alvo como Bin Laden, NÃO É NADA DISTO.
NÃO, É PRONTO.
Mas que é um GRANDE FILME, ah, isso é.
*entre uma atriz que entra em aí 20 minutos de filme, interpreta uma canção de fazer chorar as prdras da calçada, tem uma interpetação perfeito, e uma outra atriz que aguenta uma representação incólume durante 157 minutos, não me parece que hajam grandes dúvidas. Digo eu.

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