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... à beira de um colapso
Não! Eu não tinha unhas: aquilo eram mais garras... com umas camadas de gelinho endurecidas por uns quantos banhos de UV no forninho. Rijas, portanto. No entanto a do polegar DIREITO (neste caso, FAZ diferença) tinha-se, vá-selásabercomo, partido. Por isso, eu IA pedir para mas cortarem curtas e assim ficarem por ora (que comigo não há nada que não cresça depressa).
Posto este ponto prévio deixem-me lá seguir para bingo, isto é continuar a narrativa...
Quando a rapariga viu o meu dódói (se não sabem qual, é este aqui), disse 'ai Fátima, isso tem de ir para agua quente e tudo, hoje é complicado, posso limar e quando isso estiver melhor fazemos o gelinho'. 'Ok, digo-eu-com-a-bola-de-papel-higiénico-que-levei-de-casa-e-apertava-entre-o-polegar-e-o-indicador-para-estancar-a-porra-do-sangue-que-duas-horas-depois-não-queria-parar, mas corta-mas porque esta - e exibo o meu polegar direito - partiu por aqui', indico.
Ok.
Sentamo-nos e começamos pela mão direita, usando aquela guilhotina que usam para cortar as de gel (estas não são tão duras, mas fará algum sentido).
Passamos à esquerda.
[Aqui a vossa amiga foi burra. Devia ter-lhe dado o mindinho e por aí fora, e ela só tinha encarado o sangue por último, mas inverti a ordem, pelo que, tungas]
Começou pela que tinha sangue. Enervou-se. Passou à segunda e...
bem, podia ter sido MUITO pior
Podia ter sido trágico, e ela ter-me decapitado o dedo. Não decapitou: só lhe tirou o escalpe. Dei um ai, a rapariga ficou branca, e eu 'não te rales, só me dói porque é dor reflexa', dei uma gargalhada e espetei o dedo na bola de papel higiénico previamente mencionada.
Ora a guilhotina corta, como todas as guilhotinas, a direito, pelo que é preciso limar os ângulos. Tudo bem até chegar àquelas duas. O dedinho vitima da minha pessoa lá se aguentou à bronca, mas o escalpado... nem por isso. Tenho a sensação que lhe doía mais a ela que a mim, que só lhe disse: vais ter de arranjar uma lima nova, quando aquela já estava 'saturada' de vermelho. E ás tantas, 'Ò mulher lima a coisa, assim cu'má'ssim vai para o lixo, doer por doer já dói, vai-te a ele'. A desgraçada já estava verde... mas pronto. Depois segui para a cabeleireira para a segunda coisa que ia fazer e pronto. Entre uma e a outra coisa fizemos aqui umas-coisas-assim-à-laia-de-pensos, atafulhadas de... papel higiénico - que cá entre nós nem fez grande coisa, mas se não fosse o papel, eu ainda lá estava (ou numa enfermaria), com o aspeto suspeito que vos mostro:
E-toquei-à-campaínha-liguei-para-o-telemóvel-liguei-para-o-fixo.
Etoqueiàcampaínhaligueiparaotelemóvelligueiparaofixo.
E sentei-me no degrau e actualizei o meu estado no facebook, mandei sms's pouco agradáveis aomeu filho, não desagradáveis ao meu marido, PMs nada educadinhas ao meu filho (sabendo que ele não estava no FB, mas lá tempo para matar tinha eu, e tinha de lhe dar uns tirinhos...) e enrosquei-me sobre mim própria numa bola encostei a cabeça na parede e deixei-me ficar muito xugadinha a ver o que acontecia primeiro: se o meu puto acordava e via que tinha chamadas não atendidas minhas ou se o Vítor chegava do ginásio.
Neste ínterim, sou resgatada, qual gata vadia, pela minha vizinha: tocam-lhe à campaínha, a filha mais velha vem à escada e "Ó MÃE A FÁTIMA ESTÁ AQUI NA ESCADA!" Aparece a mãe: "Ò mulher porque é que não bateste na minha porta?"
Boa.
Pergunta.
Não lhe sei é responder. Só me ocorre dizer, olha não me ocorreu.
