Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Diário de uma dona de casa 2.0

... à beira de um colapso



Quinta-feira, 12.12.13

Há dias em que o melhor É MESMO FICAR no quentinho e mandar o resto do mundo dar uma curva.

Não! Eu não tinha unhas: aquilo eram mais garras... com umas camadas de gelinho endurecidas por uns quantos banhos de UV no forninho. Rijas, portanto. No entanto a do polegar DIREITO (neste caso, FAZ diferença) tinha-se, vá-selásabercomo, partido. Por isso, eu IA pedir para mas cortarem curtas e assim ficarem por ora (que comigo não há nada que não cresça depressa).

Posto este ponto prévio deixem-me lá seguir para bingo, isto é continuar a narrativa...

Quando a rapariga viu o meu dódói (se não sabem qual, é este aqui), disse 'ai Fátima, isso tem de ir para agua quente e tudo, hoje é complicado, posso limar e quando  isso estiver melhor fazemos o gelinho'. 'Ok, digo-eu-com-a-bola-de-papel-higiénico-que-levei-de-casa-e-apertava-entre-o-polegar-e-o-indicador-para-estancar-a-porra-do-sangue-que-duas-horas-depois-não-queria-parar, mas corta-mas porque esta - e exibo o meu polegar direito - partiu por aqui', indico.

Ok.

Sentamo-nos e começamos pela mão direita, usando aquela guilhotina que usam para cortar as de gel (estas não são tão duras, mas fará algum sentido).

Passamos à esquerda.

[Aqui a vossa amiga foi burra. Devia ter-lhe dado o mindinho e por aí fora, e ela só tinha encarado o sangue por último, mas inverti a ordem, pelo que, tungas]

Começou pela que tinha sangue. Enervou-se. Passou à segunda e...

bem, podia ter sido MUITO pior

Podia ter sido trágico, e ela ter-me decapitado o dedo. Não decapitou: só lhe tirou o escalpe. Dei um ai, a rapariga ficou branca, e eu 'não te rales, só me dói porque é dor reflexa', dei uma gargalhada e espetei o dedo na bola de papel higiénico previamente mencionada. 

Ora a guilhotina corta, como todas as guilhotinas, a direito, pelo que é preciso limar os ângulos. Tudo bem até chegar àquelas duas. O dedinho vitima da minha pessoa lá se aguentou à bronca, mas o escalpado... nem por isso. Tenho a sensação que lhe doía mais a ela que a mim, que só lhe disse: vais ter de arranjar uma lima nova, quando aquela já estava 'saturada' de vermelho. E ás tantas, 'Ò mulher lima a coisa, assim cu'má'ssim vai para o lixo, doer por doer já dói, vai-te a ele'. A desgraçada já estava verde... mas pronto. Depois segui para a cabeleireira para a segunda coisa que ia fazer e pronto. Entre uma e a outra coisa fizemos aqui umas-coisas-assim-à-laia-de-pensos, atafulhadas de... papel higiénico - que cá entre nós nem fez grande coisa, mas se não fosse o papel, eu ainda lá estava (ou numa enfermaria), com o aspeto suspeito que vos mostro:

Não, não me chateei. Não me zanguei. Digo mais, eu não queria estar no lugar dela, deve ser de doidos, uma aflição dos diabos. Eu sei o que sentia, ela só via sangue, e imaginava. É pior.
Enfim
Acabámos, depois do meu cabelo tratado e dois ou três centímetros mais curto, a tomar café. 
Nisto, o meu marido passa por mim e mostra-me o dedo indicador (legenda: vou para o ginásio e não me impermeabilizaste o penso, sim que ele também se cortou, já conto). Eu aponto-lhe os dois, e ele não percebe, e segue para o ginásio. Passa-me um pensamento a correr pela cabeça: olha se eu não tenho as chaves... que complementei com ah, o Tomás está em casa, e chutei para canto.
E voltei.
E descobri que não tinha as chaves (isto quando levo o carro estou descansada, quando não levo, acontece).
E toquei à campainha.
E liguei para o telemóvel do Tomás.
E liguei para o telefone fixo.
E toquei à campaínha, liguei para o telemóvel, liguei para o fixo.

E-toquei-à-campaínha-liguei-para-o-telemóvel-liguei-para-o-fixo. 

Etoqueiàcampaínhaligueiparaotelemóvelligueiparaofixo.

E sentei-me no degrau e actualizei o meu estado no facebook, mandei sms's pouco agradáveis aomeu filho, não desagradáveis ao meu marido, PMs nada educadinhas ao meu filho (sabendo que ele não estava no FB, mas lá tempo para matar tinha eu, e tinha de lhe dar uns tirinhos...) e enrosquei-me sobre mim própria numa bola encostei a cabeça na parede e deixei-me ficar muito xugadinha a ver o que acontecia primeiro: se o meu puto acordava e via que tinha chamadas não atendidas minhas ou se o Vítor chegava do ginásio. 

Neste ínterim, sou resgatada, qual gata vadia, pela minha vizinha: tocam-lhe à campaínha, a filha mais velha vem à escada e "Ó MÃE A FÁTIMA ESTÁ AQUI NA ESCADA!" Aparece a mãe: "Ò mulher porque é que não bateste na minha porta?"

Boa.

Pergunta.

Não lhe sei é responder. Só me ocorre dizer, olha não me ocorreu.

Bom, depois (2 horas depois, ou assim) o meu telefone toca. Um Tomás ensonado pergunta 'Ó mãe, estás aí fora?' ao mesmo tempo que uma chamada, que adivinho do Vítor dá sinal de espera. E eu, vai, abre-me a porta. 
Lá vou para casa, meto-me em frente do aquecedor e ligo o pc.
Chega o Vítor.
Não eu não estava, nem estou chateada. Que se lixe, há que relativizar estas coisas, senão a gente emaluquece. Ai emaluquece, emaluquece...
Agora, ó o ADESPOIS:
EH Pensinhos lindos!!!! Foi o maridinho que fez!!!!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

por Fátima Bento às 22:00



Curioso?

foto do autor


Follow on Bloglovin

Quem procura... geralmente encontra...

Pesquisar no Blog  

calendário

Dezembro 2013

D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031

No baú, mas sem naftalina (detesto o cheiro)