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Diário de uma "dona de casa" 2.0

... à beira de um colapso

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15
Ago07

Peles verdadeiras, D.Clara Ferreira Alves????

Fátima Bento

Desta vez, quem caiu nas garras do " implacável-lápis-azul-da-Fátima ", foi a "Máxima" de Setembro.

Terça-feira de manhã, na praia, li o que faltava de cauda a rabo. E duas pérolas se me depararam:

 

Na pagina 77, a coluna "Prosas Incompletas", assinada pela Clara Ferreira Alves, intitula-se este mês "O casaco de peles".

 

E eis senão quando, às tantas, a senhora diz, e passo a citar:

"(...) existe um impedimento tácito em comprar um casaco de peles em Junho, e eu nem uso peles. Não por causa dos animaizinhos e sim por causa das peles propriamente ditas. As que eu poderia usar são muito caras e as que não são caras despedem o distinto odor da decrepitude e de tias lamurientas à saída da missa com o seu hálito de naftalina".

Foi nesta altura que se me embrulharam os intestinos à  volta do estômago , e assim 'a modos' que fiquei algures entre o nauseada e o furibunda.

É que eu gosto de peles. Juro. Mea culpa. Quando era uma teen incon'ciente a minha mãe satisfez-me o capricho de comprar uma estola que era constituída por duas raposas argenté lindíssimas, forradas a seda, um pêlo imenso, alto, suave, de morrer. Dava vontade de ter aquela coisa sempre à volta do pescoço, e acariciá-la até cair. Um sonho.

Lembro-me dessa sensação até hoje. Comprámo-la numa casa vintage que muitos conhecerão, a "Madame Bettencourt", ali no Largo da Trindade ao Chiado antigo, logo acima da praça Camões. Nunca mais a vi, que das desavenças constantes com a minha mãe, ela "refundiu-ma", e nunca a cheguei a usar em público.

Eu disse que foi numa casa vintage , o que quer dizer que a estola teria já tido pelo menos uma dona, e que eu era adolescente, aí pelos 17, 18 anos no máximo. Já lá vão uns anitos, portanto, e entretanto esta que aqui escreve aprendeu umas coisas, viu outras tantas, e agora nem um casaco de pele de coelho compraria.

Presumo que a senhora Clara Ferreira Alves  seja das que não abrem emails com anexos, torçam o nariz à PETA, e acham que todo o folclore à volta da protecçaõ "dos animaizinhos" não passe de manobras da reacção. Ou então não sei compreender a frase que pus a negrito.

A razão porque não tenciono voltar a sentir aquele imenso prazer (quase me atrevo a chamar-lhe luxúria) de acariciar um casaco, estola ou quejandos, de pele verdadeira será APENAS E SÓ por causa dos animaizinhos. Eu já vi. E quem já viu, e foi a correr olhar para o fundo da sanita a seguir, não consegue. É desumano, o que se faz a seres indefesos em nome da vaidade e do egoísmo de quem pode pagar. Mas quanto a isso, já foi tudo dito e escrito. Ou quase. Eu pelo menos não tenho a veleidade de achar que posso acrescentar algo de novo e inspirado que possa fazer alguém mudar de ideias.

Só quis aqui deixar o registo da minha indignação. Não é normal que uma senhora que escreve tanto e tão bem como a cronista em questão tenha deixado cair aquele comentário assim como uma malha numa meia de seda. E se deixou, devia saber mais e melhor. Já tem idade para, como eu, ter vivido e visto umas coisas (muitas mais que eu), que a fizessem pensar antes se deixar ir ao correr da pena.

 

 

Para acabar, eu voltei a usar, mais ou menos pela mesma altura, uma casacão de raposa argenté que me ficava aí uns 4 dedos acima dos tornozelos, e que costumava usar com uns jeans esfarrapados Fiorucci (ainda existia a loja no Amoreiras, vejam bem!), que deixava toda a gente a olhar para mim como se tivesse fugido de um hospício ( isto em 1985, ainda não havia muita gente a usar calças esfarrapadas, muito menos com um casaco de peles até aos pés por cima, lol ).

Até hoje.

 

E, nunca digas nunca, mas até sempre, enquanto for gente.

Fátima

 

PS : da segunda pérola, muito mais light, falarei no próximo post.

FALSO.

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